JESUÍTAS: 500 ANOS DE TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA ASSINE NOSSA NEWSLETTER CONTATO

Colunas Felipe Peixoto Braga Netto

24/03/2010  |  domtotal.com

Um contrato não cumprido pode gerar dano moral?

O dano moral resulta, quase sempre, de relações extracontratuais. O motorista de carro que provoca acidente com mortes, o jornal que agride a honra de alguém, a fábrica de fogos que explode e atinge vizinhos, entre outros tristes casos.

Porém, se analisarmos, com cuidado, a jurisprudência, verificaremos que cada vez mais são freqüentes os casos de danos morais surgidos de relações contratuais não cumpridas, ou cumpridas inadequadamente.

A empresa aérea que é obrigada a indenizar as malas extraviadas, o banco que cobra dívida de modo humilhante, o plano de saúde que deixa de cobrir cirurgia de emergência são casos de danos morais, aceitos pelos tribunais nacionais, que surgem a partir de relações contratuais.

Não são, porém, todos os casos de inadimplemento contratual que geram danos morais. Em regra, o não cumprimento de um contrato desencadeia danos materiais (Código Civil, art. 389). O devedor que não cumpre sua obrigação, ou não a cumpre no tempo, lugar e forma devidos (Código Civil, art. 394), responderá por perdas e danos.

A regra é esta: “O inadimplemento do contrato, por si só, pode acarretar danos materiais e indenização por perdas e danos, mas, em regra, não dá margem ao dano moral, que pressupõe ofensa anormal à personalidade. Embora a inobservância das cláusulas contratuais por uma das partes possa trazer desconforto ao outro contratante – e normalmente o traz – trata-se, em princípio, do desconforto a que todos podem estar sujeitos, pela própria vida em sociedade. Com efeito, a dificuldade financeira, ou a quebra da expectativa de receber valores contratados, não toma a dimensão de constranger a honra ou a intimidade, ressalvadas situações excepcionais”. (STJ, REsp.202.564, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, 4ª T., j. 02/08/01, p. DJ 01/10/01).

Portanto, o mero inadimplemento, ou o adimplemento defeituoso, não gera, por si só, danos morais. Assim, em “inadimplemento contratual sem repercussão na esfera íntima do segurado, de acordo com o cenário dos autos, não é pertinente a indenização por danos morais” (STJ, REsp. 702.998, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, 3a T., j. 10/11/05, p. DJ 01/02/06). É preciso, para que haja dano moral, que se faça presente lesão grave que não se veja indenizada pelas perdas e danos, próprias do dano material.

Imaginemos a seguinte situação: determinada instituição de ensino comemorará 50 anos de atividade. Convida, para o evento, inúmeras pessoas, entre ex-alunos, autoridades, familiares dos funcionários, etc. Centenas de convites são enviados. No dia da comemoração, porém, surpreendentemente, a empresa contratada para o evento (garçons, comidas, bebidas, música, etc) não comparece, frustrando, de modo inesperado, a realização da festa.

Nesse caso, não basta que a empresa devolva, monetariamente atualizados, os valores que recebeu da instituição de ensino. Razoável e pertinente é a condenação em danos morais, mercê das conseqüências do inadimplemento contratual, gerando angústia, frustração, aborrecimento considerável, além de prejuízo à imagem da instituição de ensino.

Nada impede, desse modo, que um contrato não cumprido gere danos morais: “O descumprimento do contrato gera o direito de reparação dos danos, sejam eles de ordem patrimonial ou extrapatrimonial. Isso se aplica aos contratos em geral e, com maior razão, aos contratos de seguro, que são celebrados exatamente para liberar o segurado das preocupações que decorrem do sinistro. Portanto, na ação de indenização promovida pelo segurado contra a seguradora, tendo esta descumprido o contrato de modo descrito nos autos, cabia-lhe reparar integralmente os danos causados ao cliente, entre eles os extrapatrimoniais” (STJ, REsp. 257.036, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, 4a T., j. 12/09/00, p. DJ 12/02/01). Na verdade, não importa se a origem é contratual ou não. Importa, sim, verificar se houve dano grave que pede compensação.

Felipe Peixoto Braga Netto é autor de quatorze livros, sendo quatro de sua autoria exclusiva. É professor da Escola Superior Dom Helder Câmara desde 2003, Procurador da República e Procurador Regional Eleitoral em Minas Gerais. Tem participado, em várias instituições, como expositor em cursos e palestras sobre Responsabilidade Civil e Dano Moral. Publicou, entre outros trabalhos: Responsabilidade Civil (Saraiva, 2008); Manual de Direito do Consumidor (Juspodivm, sétima edição, 2012) e As coisas simpáticas da vida (Landy, 2008).






Comentários









Insira o código abaixo:


Alceu | 28/04/2014 18:02
Boa tarde gostaria de saber o seguinte: Matriculei a minha filha em uma aula de inglês e a empresa mudou o horário combinado já na segunda aula. Tentei cancelar e pedir meu dinheiro de volta e eles me informaram que eu teria que pagar p/ eles quebra de contrato. Mas foi eles que mudou o horário descrito no contrato. O que devo fazer p/ ñ pagar e ter o meu dinheiro de volta. Ou quem sabe uma indenização por quebra de contrato.
responder comentário Responder Alceu








Insira o código abaixo:


Guilherme | 29/01/2014 23:29
Boa noite! Estou trabalhando a dois meses em uma loja de material esportivo, quando fiz entrevista os beneficios seriam vale transporte, alimentação, p. de saude, comissão, como a comissão entra final desse mês.. resolveram voltar atrás e não vão pagar os valores, sendo que consta no contrato de trabalho assinado, e a carteira de trabalho só tem um carimbo, sem nenhuma assinatura, posso considerar isso como danos morais ou outro tipo de inadinplencia por parte da empresa?
responder comentário Responder Guilherme








Insira o código abaixo:


clecius amorim guimaraes | 15/10/2013 09:33
bom dia,estava com uma pendencia com a claro, e negociei a divida em 10 parcelas, só que ao solicitar o boleto da terceira parcela a claro informou que meu contrato tinha sido cancelado devido não ter pago a segunda parcela, informei que estava pago, mas mesmo assim me informaram que teria de fazer um novo acordo, mas não consegui fazer e tive de pagar o restante do valor integral, inclusive a parcela já paga, gostaria de saber se posso entrar com uma ação por danos morais e materiasi
responder comentário Responder clecius amorim guimaraes








Insira o código abaixo:





Outros artigos

Vídeos

ONU: escassez de alimentos nos países afetados pelo ebola
Acervo de Entrevistas

Agenda Cultural

Cinema  |  Teatro  |  Shows
Filmes As Tartarugas Ninja
"Teenage Mutant Ninja Turtles"
Ação
1h40min.

Enquete

Qual time mineiro chegará mais longe na Copa do Brasil?

O Cruzeiro, pois tem o melhor time e elenco.
O Atlético, pois está com mais experiência em mata-mata.
Os dois clubes vão chegar à final, pois têm os melhores times.

Participe e concorra a prêmios.

TV DomTotal

Prof. Danilo Mondoni: Luzes do Cristianismo
Mais

Revista

Vol. 10 / Nº 19

CAPES: Qualis B1
Entre as melhores do Brasil