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Colunas João Batista Libânio

23/04/2010  |  domtotal.com

Tolerância Étnica

A tolerância não serve de virtude-comunela, que abre todas as portas. Um professor de português não pode tolerar os erros de gramática dos alunos. Deve emendá-los. Os pais não devem fechar os olhos às anomias morais dos filhos, mas corrigi-los. A tolerância tem campo próprio de atuação. O filósofo francês M. Conche considera-a propriedade de uma sociedade universal. As particularidades nacionais, raciais, religiosas, etc. limitam a priori o campo das opiniões possíveis. O racismo faz prevalecer uma opinião sobre uma raça particular em detrimento das outras, não somente na concepção, mas sobretudo na conduta, na legislação, na organização social.

Defender hoje a conduta racista soa absurdo. Ninguém ousa fazê-lo sem horrorizar, como o caso do político francês Le Pen. A superioridade étnica não se prova por meio de empreendimentos bem sucedidos de determinada raça. Estes dependem de muitos fatores aleatórios. A história tem mostrado mudanças na trajetória dos momentos altos da cultura.
O racismo mostra-se idiota e ignorante. Sabemos hoje que a raça humana deriva da raça negra, de onde veio toda a humanidade. No princípio, todos vestíamos na pele a cor negra. As raças brancas foram lentamente constituindo-se por despigmentação. A diferença de código genético mesmo entre o ser humano e certos símios apenas se percebe. Quanto mais entre humanos de diversas etnias. As nossas carteiras de identidade genética igualam-se em quase tudo.
As diferenças foram acentuando-se por obra e graça de certos indivíduos que encontraram situações favoráveis para fazer valer seus talentos e criaram em torno de si contextos culturais propícios. A isso se somou uma série de fatores econômicos, geopolíticos que propiciaram maior desenvolvimento de alguns povos, independentemente do aspecto étnico.

Numa cultura primitiva você pode encontrar valores profundos em grau mais puro. Quem tem coragem de afirmar que possuir uma riqueza pessoal de 90 bilhões de dólares significa superioridade humana sobre uma velhinha pobre de coração maravilhoso que todos conhecemos nos cantos escusos de nosso país?

Na paróquia em que trabalho ouvi o relato de uma senhora bem pobre que tinha um só cobertor. Vendo outra pessoa passando frio, deu-lhe o único cobertor. E ei-la sofrendo quietinha as noites frias. Isso veio a nosso conhecimento. Quantas pessoas vivem como traço constante de sua vida tais gestos de generosidade, de dom, em todas as etnias! A partir de onde se pode chamar alguma etnia superior? O desvendar lento da história revela-nos como os juízos de superioridade se fundam sobre alicerces frágeis.

A verdadeira superioridade do ser humano deriva de sua “reta razão”, diz a filosofia clássica. E a reta razão se verbaliza em discurso de verdade. Os discursos de verdade se fazem carne em práticas de bem, de beleza, de bondade. E esse caminhar não tem sido privilégio de nenhuma raça. Em todas elas vemos tantos sinais expressivos de ambas as valências. A raça brança, petulante e orgulhosa, gerou, no nosso século, monstros humanos como Hitler e Estaline. Mas também Tereza de Calcutá e Helder Câmara. Assim cada raça tem suas galerias de honra e desonra. Qualquer comparação nos levará a um jogo inútil. E por fim, um toque de fé nos diz a verdade mais maravilhosa: todos os humanos foram igualmente criados à imagem e semelhança de Deus. E formam a humanidade habitada pelo Verbo feito carne. Grandeza de todos! Abaixo o racismo! Viva a tolerância étnica!


João Batista Libânio é teólogo jesuíta. Licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado pela Universidade Gregoriana (Roma). É professor da FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo Horizonte. Publicou mais de noventa livros entre os de autoria própria (36) e em colaboração (56), e centenas de artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Internacionalmente reconhecido como um dos teólogos da Libertação.






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