JESUÍTAS: 500 ANOS DE TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA ASSINE NOSSA NEWSLETTER CONTATO

Colunas Sebastien Kiwonghi

01/10/2010  |  domtotal.com

Globalização cultural e informativa

O mundo tem passado por um processo irreversível de mudanças econômica, política, social, jurídica e cultural. Da cultura localizada, isto é, vinculada a um determinado espaço, povoado, região ou território, passou-se na era da globalização a uma cultura ou várias culturas sem fronteiras.

Qualquer Estado, pelo processo globalizante pertence também à coletividade mundial e o indivíduo à uma aldeia mundial que é a humanidade. Tal processo integratório e humanitário de modo imperceptível, por paradoxal que pareça, acarreta em seu bojo o princípio de rompimento da integridade espacial, abrindo, para tanto, o indivíduo aos outros povos e, ao mesmo tempo, ao mundo numa sinergia cósmica indescritível.

Trata-se do chamado processo de “desterritorialização” que, segundo Renato ORFIZ (1997), significa, portanto, deslocalização das relações sociais de um entorno físico determinado. Segundo o autor, para se chegar à melhor compreensão do conceito de desterritorialização, é necessário relativizar os termos dentro/fora, interior/exterior, tendo em vista, no entanto, o fator deslocamento que propicia ao indivíduo que sai de um lugar para outro “uma convergência de modos de vida”. ²

Assim, para o autor:
“A desterritorialização não significa porém o ‘fim das fronteiras’ ou o ‘esvaziamento do espaço’. Seria mais correto dizer: ela propicia a diluição das fronteiras conhecidas através da criação de novos contornos. A mundialização da cultura traz em seu bojo uma territorialidade que já não mais se vincula ao entorno físico”. ³
O conceito de “desterritorialização” torna não só compreensíveis as recentes transformações ocorridas no cenário mundial do ponto de vista cultural, mas também evidente o próprio processo de globalização (mundialização) como determinante no encurtamento de distâncias entre os povos.

É dentro desse quadro que se deve entender a globalização dos meios de comunicação, podendo ser, sonoro, escrita, audiovisual, multimídia e hipermídia. Nota-se que “no gigantesco império da mídia, o sol já não se põe”, afirma Hans-Peter Martin (1997). 4
Os meios de comunicação veiculam estilos de vida tão mundializados que o mundo se torna pequeno demais e os povos se sentem cada vez mais próximos uns dos outros, apesar das dificuldades ressentidas nessa aproximação e do surgimento de xenofobia e de perda ou busca de identidade cultural em outros Estados, há ainda espaço para tecer relações harmoniosas e amistosas. Algumas manifestações culturais internacionalizadas tornam-se evidentes na música, no vestuário, na linguagem cheia de significado e significante como fast food, vídeo game, shopping center, etc.

1- ORTIZ, Renato. Mundialização, cultura e política. In Desafios da globalização, op. cit., p. 272.
2- Idem. p. 272.
3- Ibid. p. 272.
4 -MARTIN, Hans-Peter e SCHUMANN, Harold. A armadilha da Globalização: o assalto à democracia e ao bem-estar social, op. cit., p. 27.

Observa-se, outrossim, que na era da globalização a época das ditaduras que marcaram a humanidade por seus horrores foi substituída pela onipresença de Mickey Mouse da Disneylândia; pelo império da Coca-Cola, pela “colonização musical” de Madona, Michael Jackson, Beyoncé, Shakira, Rita Lee e Rock’in Roll e pelos espetaculares e sensacionais jogos da NBA, bem como pelos atores e filmes de Hollywood.

Infelizmente, há de reconhecer que os meios de comunicação por estarem mais voltados para o lucro ou faturamento do que para o ser humano, aumentam a indolência do espectador mediante bombardeios de notícias, filmes de todo gênero, ao ponto de, além de tirar-lhe a capacidade de raciocínio, causa nele um esgotamento cerebral a ponto de deplorar a imbecilidade.

Vale destacar, nesse contexto, as guerras no Iraque e no Afeganistão com uso de armas, tecnicamente superiores às das guerras convencionais. Os bombardeios se tornaram espectáculos pirotécnicos e momentos de distrações tecnológicas, consagrando, desse modo, “o papel primordial da Internet no universo das comunicações deste final de século: instantaneamente e no mundo inteiro, qualquer pessoa, desde que corretamente equipada, pôde acessar diretamente o documento integral, sem passar pelo filtro das mídias tradicionais”. 5

Afirma-se, de acordo com Renato ORTIZ (1997), a importância dos meios de comunicação:
“Eles são constitutivos da modernidade-mundo, colocando em contato feixes espaciais separados pela distância física. Cinema, televisão, computador, satélites são técnicas de se aproximar o que se encontrava isolado, isto é, cuja vida se fixava nessa ou naquela unidade social particular: o país, a aldeia ou a cidade.” 6

Ele reconhece, destarte, que, com a globalização no plano cultural, os símbolos e mitos nacionais são concorrenciados por símbolos e mitos mundiais. 7
Ressalta-se, nesse sentido, o esporte como demonstração cristalina da integração planetária, ou seja, da interdependência crescente entre países independentes do bloco econômico, do sistema do governo, da religião e da ideologia. Cabe ter presente, por exemplo, a organização da Copa do Mundo (a última foi na África do Sul), das Olimpíadas e dos Jogos Pan-americanos. Ocorre, nessas ocasiões, um verdadeiro show de tecnologia sofisticada através da mídia com batalhões de jornalistas do mundo inteiro bombardeando incessantemente os telespectadores, os ouvintes e internautas com notícias sobre os eventos. A Copa do Mundo, na África do Sul, proporcionou aos telespectadores do mundo inteiro uma verdadeira integração cultural vivida nas diversidades.

Atualmente, a noção da cultura global não pode ser entendida tão-somente como uma uniformização de crenças, de culinária (sanduíche do Mc Donald’s), de comportamentos, mas como um processo que abarca manifestações, hábitos de todos os continentes, suplantando as fronteiras nacionais e favorecendo o surgimento de uma nova cultura.
Destaque há de ser dado, nessa era da “cultura global”, à Internet no que se refere às comunicações mediante facebook, twitter, orkut, badoo, myspace e hi. Sem dúvida, a informatização e as comunicações revolucionaram o mundo. Do antropocentrismo na era do iluminismo ao “internecentrismo” na Era dos direitos. A Internet invadiu o espaço vital e tornou-se centro da vida cotidiana.

Torna-se óbvio, portanto, que o imperialismo capitalista é o fio condutor desse processo manifesto na hegemonia econômica, tecnológica e cultural. O caráter globalizado da cultura se manifesta de uma maneira recíproca entre países ricos, chamados do Primeiro Mundo, e os países pobres, “emergentes”, ditos de Terceiro Mundo. Vê-se na música, por exemplo, uma ascensão de culturas de minorias étnicas invadindo o primeiro mundo e criando unanimidade.

5 -SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Os vencedores do Le Monde. Folha de São Paulo, 13. fev. 1999. p. 12
6 - ORTIZ, Renato. Globalização, cultura e política, in Desafios da Globalização, op. cit. p. 273.
7 - Ibid. p. 274.


Sebastien Kiwonghi "é advogado e professor de Direito Internacional e Metodologia da Pesquisa na Escola Superior Dom Helder Câmara. Padre Verbita graduado em Filosofia pelo Institut de Philosophie Saint Augustin, IPSA, Zaire (África). Graduado em Teologia pelo Institut de Théologie Eugène de Mazenod, ITEM, Zaire (África). Graduado em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Vianna Júnior de Juiz de Fora (MG). Especialista em Direito Civil e Processo Civil, em Direito do Trabalho e Previdenciário, licenciatura em filosofia na UFJF. Mestre e doutor em Direito Internacional pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais."






X Fechar







código captcha






Outros artigos

Vídeos

Prazo para acordo nuclear pode ser prorrogado
Acervo de Entrevistas

Agenda Cultural

Cinema  |  Teatro  |  Shows
Filmes Idênticos
"The Identical"
Drama
1h47min.

Enquete

Você está poupando água para tentar evitar um possível racionamento?

Sim
Não

Participe e concorra a prêmios.

TV DomTotal

Prof. Paulo Jackson Sousa: Evangelho de Marcos
Mais

Revista

Vol. 10 / Nº 19

CAPES: Qualis B1
Entre as melhores do Brasil