JESUÍTAS: 500 ANOS DE TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA ASSINE NOSSA NEWSLETTER CONTATO

Colunas Jorge Fernando dos Santos

29/09/2011  |  domtotal.com

A lusofonia e a Copa de 2014

Recebi por e-mail um texto do jornalista e consultor de inovações José Luiz de Almeida Costa, companheiro dos tempos de faculdade de Comunicação, alertando para mais um absurdo no que se refere à Copa de 2014.

Segundo ele, o evento seria uma ótima oportunidade de divulgação da lusofonia em âmbito global, mas os organizadores pregam que os brasileiros precisam aprender o inglês “para não dar vexame diante dos turistas estrangeiros”.

Meu amigo se mostra indignado. Depois de ler o seu texto, resolvi me posicionar diante de tal submissão. Jamais uma coisa dessas ocorreria em países como França e Estados Unidos, por exemplo.

Franceses têm orgulho do seu idioma e, nos Estados Unidos, além da língua inglesa, imigrantes de diferentes países falam o próprio idioma em suas respectivas comunidades.

Submissão vergonhosa

A postura de nossos “líderes” é mais uma vez desanimadora. Um povo que se preza se impõe principalmente pela língua e pelos costumes. Se tirarmos isso dele, restará muito pouco ou quase nada de sua cultura e do seu modo de ser.

Foi o que fizeram com os índios e, mais tarde, com os africanos trazidos para cá na condição de escravos. Felizmente, apesar de tal violência, o português falado em nosso país foi enriquecido com palavras oriundas das línguas desses povos.

Como cantou Noel Rosa no samba Não tem Tradução, “tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia, é brasileiro, já passou de português”. Temos em nossos dicionários e usamos diariamente – mesmo sem perceber – muitos termos de origem tupi-guarani, africana, árabe, francesa e por aí vai.

Ao contrário da língua imperial, o português falado no Brasil sempre se mostrou plural e flexível. Foi também enriquecido pelo nhangatu, que chegou a ser a língua dominante do vasto território nacional em conjunto com sua irmã idiomática, a língua geral paulista, falado por índios, jesuítas e colonos de origem portuguesa.

Em vez de nos rendermos ao aprendizado do idioma inglês em função da Copa de 2014, José Luiz sugere que deveríamos estimular os turistas e membros das delegações esportivas visitantes a aprenderem algo de básico do nosso idioma.

O lado lúdico do turismo

Nesse sentido, penso eu, o Ministério da Cultura teria um importante papel a desempenhar na publicação e distribuição de minidicionários e de livrinhos de viagem contendo frases prontas do nosso dia a dia e a tradução em inglês. Isso facilitaria a vida dos visitantes e daqueles que deverão atendê-los em solo brasileiro.

José Luiz não contesta a praticidade do inglês como idioma da globalização. No entanto, chama atenção para o estado de espírito do turista que deseja “estar-se” brasileiro quando aqui está. É o lado lúdico do turismo a ser levado em conta e a nos oferecer uma boa oportunidade de divulgação da nossa língua.

Segundo ele, “esforçar-se para comunicar na língua do lugar visitado não é só demonstração de deferência aos anfitriões. É uma manifestação de civilidade planetária e da capacidade de aprender um com o outro. O turismo da Copa de 2014 é uma oportunidade de entrelaçamento cultural luso-global que não deve ser desperdiçada”.

Assino embaixo e lanço a ideia pelo bem do Brasil e dos brasileiros. Afinal, como cantou Caetano Veloso ecoando o poema de Fernando Pessoa, “minha pátria é minha língua”.

Jorge Fernando dos Santos Jornalista, escritor e compositor, tem 40 livros publicados. Entre eles o premiado romance Palmeira Seca (Atual Editora) e os recém-lançados Alguém tem que ficar no gol (Edições SM) e Cordel da bola que rola - A história e as lendas do futebol (Paulus Editora).






Comentários









Insira o código abaixo:


wellington carrera | 11/10/2011 00:20
Realmente essa Copa será um vexame.
responder comentário Responder wellington carrera








Insira o código abaixo:


Vânia | 01/10/2011 11:54
Concordo, Jorge. Conhecer um país significa também conhecer e aprender a se comunicar em um novo idioma, que traz em sua sonoridade algo de essencial no espírito de um povo. Uma amiga me contou que em viagem pela Europa levou o filho para brincar em um parque, onde passaram algumas horas. A uma certa altura, uma mulher a abordou perguntando que língua era aquela que ela cantava enquanto falava. É assim a nossa língua: uma expressão da brasilidade em seu mais alto nível, naquilo que nós temos de melhor. Eu penso que os turistas que aqui desembarcarem devem ter a chance de conhecê-la.
responder comentário Responder Vânia








Insira o código abaixo:


Paulo Vilara | 30/09/2011 14:35
Bem pensado e escrito, Jorge. Parabéns!
responder comentário Responder Paulo Vilara
replica hermes handbags | 10/03/2014 11:10
hermes shop koblenz metternich A lusofonia e a Copa de 2014 - Colunas DomTotal
hermes schleifmittel | 10/03/2014 19:35
hermes bags celebrities jeans A lusofonia e a Copa de 2014 - Colunas DomTotal
hermes bag price 2013 | 02/03/2014 16:59
hermes paket international tracking A lusofonia e a Copa de 2014 - Colunas DomTotal
hermes shop | 23/02/2014 19:37
hermes belt date code A lusofonia e a Copa de 2014 - Colunas DomTotal








Insira o código abaixo:





Outros artigos

Vídeos

Rei da Holanda recebe parentes das vítimas
Acervo de Entrevistas

Agenda Cultural

Cinema  |  Teatro  |  Shows
Filmes Causa & Efeito
"Causa & Efeito"
Drama
1h45min.

Enquete

Você já decidiu em quem vai votar nas eleições de outubro?

Sim
Não

Participe e concorra a prêmios.

TV DomTotal

Nanette Konig fala sobre a II Guerra e o Holocausto
Mais

Revista

Vol. 10 / Nº 19

CAPES: Qualis B1
Entre as melhores do Brasil