Colunas Carlos Brickmann
Erre que o povo garante
Não, não critique o Supremo pela posse de Jader Barbalho no Senado. Lembre que, apesar de tudo aquilo que foi revelado, ele teve 1,7 milhão de votos.
Não, Meritíssimos, se as acusações do Mensalão acabarem prescritas, a culpa não é do excesso de serviço. Faz quatro anos que a denúncia foi aceita. Se o ministro-relator tirou sabe-se lá quantas licenças para tratar da saúde, que outro o auxiliasse, ou substituísse. Reclamar que outros ministros não leram o processo e não haverá tempo para julgá-lo antes da prescrição não tem sentido: toda a documentação está digitalizada, é só abrir o computador para estudar o caso. E isso já devia estar sendo feito nos últimos anos - se houvesse vontade de fazer justiça e de tratar corretamente os réus, que têm direito a julgamento justo.
Não, ao contrário do que disse há poucos dias, a presidente Dilma Rousseff não tem "tolerância zero" à corrupção. Ela nomeou para o Ministério pessoas que conhecia bem, sabia quem eram, e foi obrigada a demiti-las - não porque tivesse "tolerância zero", mas porque a imprensa apurou fatos pesadíssimos. Ela segura no Ministério o velho amigo Fernando Pimentel, que não consegue explicar o que andou fazendo para ganhar tanto dinheiro quando tinha deixado de ser prefeito de Belo Horizonte e se preparava para ser ministro.
Qual o problema? Nenhum: os malfeitos, que derrubaram seis ministros (há mais dois na fila), não abalaram o Governo, que cresceu para 56% de aprovação. Nos três Poderes, ações inadequadas são bem aceitas.
Ruim é o erro dos outros.
Quem sabe, sabe
Razão tinha Delúbio Soares: ele disse que, passado algum tempo, todo esse caso do Mensalão iria virar piada de salão.
O melhor dos mundos
O Brasil bate recordes de importação de gasolina, importa álcool, a inflação ultrapassa as metas do Governo, aqueles bilhões de dólares chineses anunciados pelo ministro Mercadante, que viriam até o fim do ano e criariam cem mil empregos na produção de IPads, foram irrevogavelmente revogados (até porque o dinheiro seria do velho e bom BNDES, não da China; porque o fim do ano já chegou e o assunto continua na fase preliminar das discussões; porque nem se toda a população comesse IPads seriam criados cem mil empregos nesta área).
A popularidade do Governo cresceu. E as perspectivas para os próximos anos de Dilma são ainda melhores: contra 56% que acham o Governo ótimo ou bom, há 59% que acreditam que ainda vai melhorar nos próximos anos.
Férias, rápido!
O ministro Ari Pargendler, presidente do Superior Tribunal de Justiça, certamente está com o serviço em dia: arranjou tempo para proibir 30 tipos de calçados dentro do STJ. Duas cartolinas, com fotos dos modelos autorizados e dos vetados, foram afixadas numa das entradas do tribunal. Diante da má repercussão, o ministro Pargendler disse que só estava proibida a sandália tipo Havaianas.
E por que? Porque não gosta delas, uai! Não é um bom motivo?
Copa, Olimpíadas, Brasil!
O caro leitor acredita em duendes? Não deveria: os duendes mentem muito. E em promessas de autoridades - como a de que as obras da Copa e das Olimpíadas vão ficar prontas em tempo, após a realização de concorrências corretas, e contribuirão, como ocorreu em Barcelona, para melhorar a vida dos cidadãos?
Uma dica: a estrada Macapá-Oiapoque, BR-156, foi iniciada em julho de 1932 - sim, há 79 anos. Parou no km 9 e só foi retomada em 1945. Parou até 1956. Voltou em julho de 1964. Em 1970, parou. Em 1973 houve a retomada, mas o Ministério dos Transportes paralisou tudo, para fazer novo traçado. Cerca de 200 km construídos foram abandonados e o novo traçado evitou o Interior (mudou a idéia inicial, de ocupar o grande vazio da região): ficou perto do Litoral. Em 1982, nova retomada: foram asfaltados 33 km, e a obra parou em 1983. Em 1985, as obras recomeçaram e avançaram 103 km. Pararam em 1990. Retornaram em 2000. Até o fim do ano passado estavam prontos 384 km de estrada. Agora só faltam 50 km. A pouco mais de 4 km por ano, média até agora, até 2020 a estrada fica prontinha.
Pena que até lá a Olimpíada já tenha passado.
Apostamos quanto?
O senador Eunicio Oliveira, do PMDB do Ceará, anunciou que pretende colocar em votação, na Comissão de Constituição e Justiça, o projeto de reforma administrativa do Senado. Só depende dele - mas há dúvidas sobre suas possibilidades de êxito. A tal reforma é aquela que foi anunciada várias vezes nas duas últimas ocasiões em que Sarney ocupou a Presidência do Senado, e nunca conseguiu andar.
Está paralisada, aliás, por um excelente motivo: pretende reduzir o fantástico número de 6.257 servidores para atender a 81 senadores. E quem é, na Casa, que está interessado em reduzir o número de empregos que pode oferecer?
É o nosso, torrando
O presidente do Senado, José Sarney, anunciou um acordo de cooperação entre o Senado e a Assembléia Legislativa do Maranhão.
O acordo: a Assembléia instala a TV Legislativa estadual e o Senado - você, caro leitor - paga a conta.
Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
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