Colunas Carlos Brickmann
02/06/2008
Mãos ao Alto
Não haveria problema em cobrar mais pelos cigarros. Primeiro, o cigarro brasileiro é um dos mais baratos do mundo (e deveria custar caro, como recomenda a Organização Mundial da Saúde); segundo, é subsidiado pelo Governo. Paga menos IPI que uma caneta esferográfica. E qual o sentido de subsidiar um vício que faz mal à saúde, só para beneficiar monopólios multinacionais?
Parece incrível: houve deputados federais trabalhando no feriadão. Mas só para discutir como nos tungar de novo. Querem de volta a CPMF, aquela que foi extinta após dura batalha. O presidente Lula disse que topa, desde que outros assumam a responsabilidade. Os deputados querem fazer a tunga sem levar a culpa.
Depois de amanhã, os deputados devem encontrar-se com os líderes governistas no Senado, para ter a certeza de que, se a Câmara aprovar, os senadores não derrubarão o novo imposto (nem ficarão com as glórias de evitar o novo assalto).
Toda essa manobra para levar o seu dinheiro, caro leitor, é feita sob um lindo disfarce: mais verbas para a Saúde (aliás, a CPMF também tinha esse objetivo, e a Saúde não viu um tostão a mais). Mas será preciso criar um novo imposto? Não: segundo o deputado Henrique Fontana, do PT, líder do Governo na Câmara, uma taxa suplementar de R$ 0,50 por maço de cigarros é suficiente para arrecadar R$ 2,7 bilhões, um terço do necessário para reforçar a saúde. Ou seja, se houver a cobrança de R$ 1,50 por maço, haverá dinheiro suficiente, sem novos impostos. E seria ótimo se houvesse também imposto sobre bebidas alcoólicas.
Não haveria problema em cobrar mais pelos cigarros. Primeiro, o cigarro brasileiro é um dos mais baratos do mundo (e deveria custar caro, como recomenda a Organização Mundial da Saúde); segundo, é subsidiado pelo Governo. Paga menos IPI que uma caneta esferográfica. E qual o sentido de subsidiar um vício que faz mal à saúde, só para beneficiar monopólios multinacionais?
Foi...
O assessor que recebeu o dossiê disse uma coisa, o assessor que enviou o dossiê disse outra. Um dos dois mentiu à CPI. Seria simples colocá-los frente a frente, numa acareação. Mas a CPI deixou pra lá. Um jornal importante, a Folha de S. Paulo, disse que quem formatou o dossiê foi Marisol, apelido da chefe de Gabinete de Erenice Guerra, Maria de la Soledad Castrillo. Marisol deveria ser convocada pela CPI, mas o jornal divulgou a notícia numa sexta, véspera de sábado, antevéspera de domingo, e o relator da CPI já está com o relatório bem avançado. Então, deixa pra lá. Marisol é a principal auxiliar de Erenice Guerra, que por sua vez é a principal auxiliar de Dilma Rousseff, a principal ministra do Governo Lula. Mas os faxineiros que se cuidem: vem chumbo neles!
...mas não foi
Vamos combinar assim: o dossiê foi feito na Casa Civil, digitado nos computadores da Casa Civil, montado por gente importante da Casa Civil, enviado por alto funcionário da Casa Civil. Mas a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, não sabem de nada, OK?
Hermanérrimos
Acaba de ser criada, em Brasília, a União de Nações Latino-Americanas - Unasul, que junta os países do Pacto Andino e do Mercosul. No total, são 12 países. Parece que se trata de uma iniciativa muito importante, tanto que os presidentes se reunirão uma vez por ano e os chanceleres, duas. Haverá também um importante Parlamento Sul-Americano, com sede em Cochabamba, na Bolívia.
O miado do leão
O ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc, assumiu com tudo: garantiu que, com ele, “sim é sim e não é não”, pediu R$ 1 bilhão para começar, quis trocar o ministro Mangabeira Unger pelo senador Tião Viana na gestão do Plano Amazônia Sustentável, pediu a ação das Forças Armadas na preservação da Amazônia e encerrou sua série de frases com um “tremei, poluidores, tremei!” Alguns dias depois da posse, ele desistiu das Forças Armadas (agora quer uma Guarda Nacional), negaram-lhe o bilhãozinho, soube que Mangabeira Unger continua mandando e deve informar, em poucos dias, que o desmatamento cresceu. Mas dizem que, quando lhe oferecem cafezinho e ele aceita, o “sim” é “sim”, e pronto.
Dois bicudos...
Na Grande Guerra Tucana, o ex-governador Geraldo Alckmin tem tanta certeza de que será o candidato do PSDB à Prefeitura paulistana que procura aliar-se a partidos nanicos que aumentem seu tempo de TV. Mas deveria olhar um pouco mais para seu próprio partido: um forte grupo tucano, liderado pelo secretário Walter Feldman (ligadíssimo ao governador José Serra), pretende concorrer com ele na convenção, votando pela aliança com o DEM e o apoio à reeleição do prefeito Gilberto Kassab. O resultado é imprevisível. E este colunista não apostaria uma gravação de discurso do senador Suplicy na vitória de Alckmin.
...não se beijam
Caso os estrategistas de Serra concluam que Alckmin ganhará a convenção tucana, poderão apresentar moção vetando alianças com partidos que apóiem Lula. Com isso, Alckmin não poderia juntar-se ao PTB, e perderia seu único aliado.
A Caixa do banco
A venda da Nossa Caixa, banco estadual paulista, só será feita para o Banco do Brasil. Dificuldades políticas na Assembléia tornariam inviável qualquer tentativa de negociá-la com um banco privado. E para um banco estatal a Nossa Caixa vale mais do que para um banco privado.
Depois de amanhã, os deputados devem encontrar-se com os líderes governistas no Senado, para ter a certeza de que, se a Câmara aprovar, os senadores não derrubarão o novo imposto (nem ficarão com as glórias de evitar o novo assalto).
Toda essa manobra para levar o seu dinheiro, caro leitor, é feita sob um lindo disfarce: mais verbas para a Saúde (aliás, a CPMF também tinha esse objetivo, e a Saúde não viu um tostão a mais). Mas será preciso criar um novo imposto? Não: segundo o deputado Henrique Fontana, do PT, líder do Governo na Câmara, uma taxa suplementar de R$ 0,50 por maço de cigarros é suficiente para arrecadar R$ 2,7 bilhões, um terço do necessário para reforçar a saúde. Ou seja, se houver a cobrança de R$ 1,50 por maço, haverá dinheiro suficiente, sem novos impostos. E seria ótimo se houvesse também imposto sobre bebidas alcoólicas.
Não haveria problema em cobrar mais pelos cigarros. Primeiro, o cigarro brasileiro é um dos mais baratos do mundo (e deveria custar caro, como recomenda a Organização Mundial da Saúde); segundo, é subsidiado pelo Governo. Paga menos IPI que uma caneta esferográfica. E qual o sentido de subsidiar um vício que faz mal à saúde, só para beneficiar monopólios multinacionais?
Foi...
O assessor que recebeu o dossiê disse uma coisa, o assessor que enviou o dossiê disse outra. Um dos dois mentiu à CPI. Seria simples colocá-los frente a frente, numa acareação. Mas a CPI deixou pra lá. Um jornal importante, a Folha de S. Paulo, disse que quem formatou o dossiê foi Marisol, apelido da chefe de Gabinete de Erenice Guerra, Maria de la Soledad Castrillo. Marisol deveria ser convocada pela CPI, mas o jornal divulgou a notícia numa sexta, véspera de sábado, antevéspera de domingo, e o relator da CPI já está com o relatório bem avançado. Então, deixa pra lá. Marisol é a principal auxiliar de Erenice Guerra, que por sua vez é a principal auxiliar de Dilma Rousseff, a principal ministra do Governo Lula. Mas os faxineiros que se cuidem: vem chumbo neles!
...mas não foi
Vamos combinar assim: o dossiê foi feito na Casa Civil, digitado nos computadores da Casa Civil, montado por gente importante da Casa Civil, enviado por alto funcionário da Casa Civil. Mas a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, não sabem de nada, OK?
Hermanérrimos
Acaba de ser criada, em Brasília, a União de Nações Latino-Americanas - Unasul, que junta os países do Pacto Andino e do Mercosul. No total, são 12 países. Parece que se trata de uma iniciativa muito importante, tanto que os presidentes se reunirão uma vez por ano e os chanceleres, duas. Haverá também um importante Parlamento Sul-Americano, com sede em Cochabamba, na Bolívia.
O miado do leão
O ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc, assumiu com tudo: garantiu que, com ele, “sim é sim e não é não”, pediu R$ 1 bilhão para começar, quis trocar o ministro Mangabeira Unger pelo senador Tião Viana na gestão do Plano Amazônia Sustentável, pediu a ação das Forças Armadas na preservação da Amazônia e encerrou sua série de frases com um “tremei, poluidores, tremei!” Alguns dias depois da posse, ele desistiu das Forças Armadas (agora quer uma Guarda Nacional), negaram-lhe o bilhãozinho, soube que Mangabeira Unger continua mandando e deve informar, em poucos dias, que o desmatamento cresceu. Mas dizem que, quando lhe oferecem cafezinho e ele aceita, o “sim” é “sim”, e pronto.
Dois bicudos...
Na Grande Guerra Tucana, o ex-governador Geraldo Alckmin tem tanta certeza de que será o candidato do PSDB à Prefeitura paulistana que procura aliar-se a partidos nanicos que aumentem seu tempo de TV. Mas deveria olhar um pouco mais para seu próprio partido: um forte grupo tucano, liderado pelo secretário Walter Feldman (ligadíssimo ao governador José Serra), pretende concorrer com ele na convenção, votando pela aliança com o DEM e o apoio à reeleição do prefeito Gilberto Kassab. O resultado é imprevisível. E este colunista não apostaria uma gravação de discurso do senador Suplicy na vitória de Alckmin.
...não se beijam
Caso os estrategistas de Serra concluam que Alckmin ganhará a convenção tucana, poderão apresentar moção vetando alianças com partidos que apóiem Lula. Com isso, Alckmin não poderia juntar-se ao PTB, e perderia seu único aliado.
A Caixa do banco
A venda da Nossa Caixa, banco estadual paulista, só será feita para o Banco do Brasil. Dificuldades políticas na Assembléia tornariam inviável qualquer tentativa de negociá-la com um banco privado. E para um banco estatal a Nossa Caixa vale mais do que para um banco privado.
Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
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