Colunas Jorge Fernando dos Santos
07/06/2012
A falta que a leitura nos faz
![]() Por lamentável tradição, o Brasil está longe se ser campeão de leitura (Foto: Divulgação) |
Em tempos de globalização, nota-se em muitos lugares do planeta a retomada de valores regionais. Isso talvez se explique devido à necessidade natural que o homem tem de manter suas referências culturais e linguísticas ou suas raízes fincadas no chão.
Diante do massacre de informações da grande mídia e da avalanche de valores impostos pela cultura de massas, o instinto de sobrevivência faz com que a humanidade reveja e reafirme valores em busca de identidade própria.
No entanto, devido à necessidade de dominar outras línguas para se sair melhor no mercado de trabalho e ter acesso rápido às informações, o que muita gente descobre é que sequer domina o próprio idioma. Sem isso, fica difícil cruzar fronteiras em busca de novas oportunidades.
Por lamentável tradição, o Brasil está longe se ser campeão de leitura. Estamos atrás dos Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Japão, Argentina e Cuba – para citar apenas alguns países – no consumo de livros. Isso significa que o povo brasileiro não domina plenamente a língua pátria e, por isso mesmo, deixa a desejar também no que se refere à cultura geral.
Vulgarização do idioma
Em vez de ajudar, a mídia muitas vezes piora as coisas com a introdução de barbarismos e a vulgarização do idioma nacional. Assim, a cada nova geração, decai a qualidade da língua escrita e falada no país.
Além de dominar um repertório de poucas palavras, o brasileiro médio, mesmo quando sabe as regras gramaticais, encontra dificuldades para se expressar por meio da escrita. Já houve tempo em que boa parte das pessoas letradas cultivava o hábito de trocar correspondência. Nas linhas manuscritas liam-se declarações de amor e amizade, tratava-se de negócios e percebia-se nas entrelinhas o nível de instrução do remetente.
Com o avanço da telefonia no país, a tradição missivista foi sendo esquecida e muita gente chegou a alimentar a ilusão de que nunca mais precisaria escrever sequer um bilhete.
Talvez por isso o próprio sistema de ensino tenha deixado de lado o rigor com a redação e os antigos exercícios de composição. Como a escola primária muitas vezes mal ensina o bê-a-bá, ficou para o curso secundário a função de instrumentalizar os jovens no manuseio da palavra.
Limitações do sistema
Devido às próprias limitações do sistema e aos novos atrativos para a adolescência – como a música popular, cinema, televisão, internet, brinquedos eletrônicos etc. –, ensinar a escrever deixou de ser prioridade também no curso secundário.
A responsabilidade foi de certa forma empurrada para a universidade, onde se estuda de tudo com alguma profundidade, menos a palavra escrita. O resultado disso está nos jornais e também se reflete nas provas de vestibulares e outros concursos realizados de Norte a Sul do país.
Apesar do exposto, muita gente alimenta o sonho de se tornar jornalista, escritor ou mesmo advogado sem saber sequer redigir um bilhete. Para complicar as coisas, aqueles que trocaram o hábito de escrever cartas pelo uso do telefone foram surpreendidos pelo advento da internet.
O e-mail, as redes sociais e salas de bate-papo virtual trouxeram de volta a necessidade da escrita simples, limpa e objetiva na vida cotidiana. Por essas e outras, passa da hora de escolas públicas e privadas levarem a sério o ensino de Português e literatura, atividade que exige acima de tudo a prática de leitura e de redação nas salas de aula.
Diante do massacre de informações da grande mídia e da avalanche de valores impostos pela cultura de massas, o instinto de sobrevivência faz com que a humanidade reveja e reafirme valores em busca de identidade própria.
No entanto, devido à necessidade de dominar outras línguas para se sair melhor no mercado de trabalho e ter acesso rápido às informações, o que muita gente descobre é que sequer domina o próprio idioma. Sem isso, fica difícil cruzar fronteiras em busca de novas oportunidades.
Por lamentável tradição, o Brasil está longe se ser campeão de leitura. Estamos atrás dos Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Japão, Argentina e Cuba – para citar apenas alguns países – no consumo de livros. Isso significa que o povo brasileiro não domina plenamente a língua pátria e, por isso mesmo, deixa a desejar também no que se refere à cultura geral.
Vulgarização do idioma
Em vez de ajudar, a mídia muitas vezes piora as coisas com a introdução de barbarismos e a vulgarização do idioma nacional. Assim, a cada nova geração, decai a qualidade da língua escrita e falada no país.
Além de dominar um repertório de poucas palavras, o brasileiro médio, mesmo quando sabe as regras gramaticais, encontra dificuldades para se expressar por meio da escrita. Já houve tempo em que boa parte das pessoas letradas cultivava o hábito de trocar correspondência. Nas linhas manuscritas liam-se declarações de amor e amizade, tratava-se de negócios e percebia-se nas entrelinhas o nível de instrução do remetente.
Com o avanço da telefonia no país, a tradição missivista foi sendo esquecida e muita gente chegou a alimentar a ilusão de que nunca mais precisaria escrever sequer um bilhete.
Talvez por isso o próprio sistema de ensino tenha deixado de lado o rigor com a redação e os antigos exercícios de composição. Como a escola primária muitas vezes mal ensina o bê-a-bá, ficou para o curso secundário a função de instrumentalizar os jovens no manuseio da palavra.
Limitações do sistema
Devido às próprias limitações do sistema e aos novos atrativos para a adolescência – como a música popular, cinema, televisão, internet, brinquedos eletrônicos etc. –, ensinar a escrever deixou de ser prioridade também no curso secundário.
A responsabilidade foi de certa forma empurrada para a universidade, onde se estuda de tudo com alguma profundidade, menos a palavra escrita. O resultado disso está nos jornais e também se reflete nas provas de vestibulares e outros concursos realizados de Norte a Sul do país.
Apesar do exposto, muita gente alimenta o sonho de se tornar jornalista, escritor ou mesmo advogado sem saber sequer redigir um bilhete. Para complicar as coisas, aqueles que trocaram o hábito de escrever cartas pelo uso do telefone foram surpreendidos pelo advento da internet.
O e-mail, as redes sociais e salas de bate-papo virtual trouxeram de volta a necessidade da escrita simples, limpa e objetiva na vida cotidiana. Por essas e outras, passa da hora de escolas públicas e privadas levarem a sério o ensino de Português e literatura, atividade que exige acima de tudo a prática de leitura e de redação nas salas de aula.
Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor e compositor, tem 40 livros publicados,
entre eles as novelas Palmeira Seca, Sumidouro das Almas e
'Primavera dos Mortos', todos pela Atual Editora
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Comentários
Concordo com vc, Jorge. O que me amedronta é o fato de alguns alunos, além da dificuldade para redigir um parágrafo, errarem o próprio nome.Observo isso várias vezes, quando autografo livros em escolas.
A hora já passou, Agora é correr atrás do prejuízo. Concordo com você totalmente, mas os pais também precisam incentivar nas crianças a curiosidade pela leitura desde pequeninos. Mas aí vem um problemas, os pais sabem ler?
Triste realidade! Confesso que enfrento problemas ao interpretar questões tanto de concurso como das provas da faculdade. Tudo devido a falta de leitura.
Gustavo Firmino Dos Santos, nunca é tarde pra começar. Leia de tudo que cair em suas mãos. Vai ver que é fácil e produtivo. Abs.