Preâmbulo
Nós, representantes do povo paranaense, reunidos em Assembléia Constituinte para instituir o ordenamento básico do Estado, em consonância com os fundamentos, objetivos e princípios expressos na Constituição Federativa do Brasil, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição do Estado do Paraná.
Título I - Da Organização do Estado e dos Municípios
Capítulo I - Da Organização do Estado
Seção I - Disposições Preliminares
Artigo 1º
O Estado do Paraná, integrado de forma indissolúvel à República Federativa do Brasil, proclama e assegura o Estado democrático, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais, do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político e tem por princípios e objetivos:
I - o respeito à unidade da Federação, a esta Constituição, à Constituição Federal e à inviolabilidade dos direitos e garantias fundamentais por ela estabelecidos;
II - a defesa dos direitos humanos;
III - a defesa, a igualdade e o conseqüente combate a qualquer forma de discriminação;
IV - a garantia da aplicação da justiça, devendo prover diretamente o custeio da gratuidade processual aos reconhecidamente pobres, nos termos da lei;
V - a busca permanente do desenvolvimento e da justiça social;
VI - a prestação eficiente dos serviços públicos, garantida a modicidade das tarifas;
VII - o respeito incondicional à moralidade e à probidade administrativas;
VIII - a colaboração e a cooperação com os demais entes que integram a Federação;
IX - a defesa do meio ambiente e da qualidade de vida.
Artigo 2º
A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, nos termos desta Constituição e da lei, e mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
Artigo 3º
É mantida a integridade territorial do Estado, que só poderá ser alterada mediante aprovação de sua população, por meio de plebiscito, e por lei complementar federal.
Artigo 4º
A organização político-administrativa do Estado compreende os Municípios, regidos por leis orgânicas próprias, observados os princípios da Constituição Federal e desta.
Artigo 5º
A cidade de Curitiba é a Capital do Estado e nela os Poderes têm sua sede.
Parágrafo único. A Capital somente poderá ser mudada mediante lei complementar e após consulta plebiscitaria.
Artigo 6º
O Estado adota como símbolos, além dos nacionais, a Bandeira, o Hino, o Brasão de Armas e o Sinete.
Artigo 7º
São Poderes do Estado, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Parágrafo único. Salvo as exceções previstas nesta Constituição, é vedado a qualquer dos poderes delegar atribuições, sendo que quem for investido na função de um deles não poderá exercer a de outro.
Artigo 8º
Incluem-se entre os bens do Estado:
I - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem em seu domínio, excluídas aquelas sob o domínio da União, dos Municípios ou de terceiros;
II - as ilhas fluviais e lacustres e as terras devolutas situadas em seu território, não pertencentes à União;
III - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósitos, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
IV - os rendimentos decorrentes das atividades e serviços de sua competência e da exploração dos bens móveis e imóveis de seu domínio.
Artigo 9º
Cabe ao Estado explorar, diretamente ou mediante concessão, a ser outorgada após licitação pública, os serviços locais de gás canalizado, na forma da Lei.
Artigo 10
Os bens imóveis do Estado não podem ser objeto de doação ou de utilização gratuita, salvo, e mediante lei, se o beneficiário for pessoa jurídica de direito público interno, órgão ou fundação de sua administração indireta ou entidade de assistência social sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública, ou para fins de assentamentos de caráter social.
Parágrafo único. A alienação, a título oneroso, de bens imóveis do Estado dependerá de autorização prévia da Assembléia Legislativa e será precedida de concorrência pública, a qual será dispensada quando o adquirente for uma das pessoas jurídicas de direito público interno, referidas neste artigo, ou para fins de assentamentos de caráter social.
Seção II - Da Competência do Estado
Artigo 11
O Estado exerce em seu território toda a competência que não lhe seja vedada pela Constituição Federal.
Artigo 12
É competência do Estado, em comum com a União e os Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público;
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seu território;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.
Parágrafo único. A cooperação entre o Estado, a União e os Municípios será definida em lei complementar e visará ao equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar no âmbito estadual e municipal.
Artigo 13
Compete ao Estado, concorrentemente com a União, legislar sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
II - orçamento;
III - juntas comerciais;
IV - custas dos serviços forenses;
V - produção e consumo;
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção ao meio ambiente e controle de poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor e a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino e desportos;
X - criação, competência, composição e funcionamento dos juizados especiais de que trata o art. 109 desta Constituição, observado o disposto no art. 98, I, da Constituição Federal;
XI - procedimentos em matéria processual;
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;
XV - proteção à infância e à juventude;
XVI - organização, garantias, direitos e deveres da Polícia Civil.
Parágrafo 1° O Estado, no exercício de sua competência suplementar, observará as normas gerais estabelecidas pela União.
Parágrafo 2° Inexistindo lei federal sobre as normas gerais, o Estado poderá exercer competência legislativa plena para atender às suas peculiaridades.
Parágrafo 3° A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrária.
Artigo 14
O Estado do Paraná poderá celebrar convênios com entidades de direito público ou privado, para a realização de obras ou serviços.
Capítulo II - Da Organização Municipal
Seção I - Das Disposições Preliminares
Artigo 15
Os Municípios gozam de autonomia, nos termos previstos pela Constituição Federal e por esta Constituição.
Artigo 16
O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição Federal, nesta Constituição e os seguintes preceitos:
I - eleição do Prefeito e Vice-Prefeito, entre eleitores inscritos maiores de vinte e um anos, e dos Vereadores, entre maiores de dezoito anos, para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo, em todo o País;
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro Domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77 da Constituição Federal no caso de municípios com mais de duzentos mil eleitores;
III- os Prefeitos ou quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente;
IV - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1° de janeiro do ano subseqüente ao da eleição;
V - número de Vereadores proporcional à população do Município, obedecidos os seguintes limites:
a) - até quinze mil habitantes, nove Vereadores;
b) - de quinze mil e um a trinta mil habitantes, onze Vereadores;
c) - de trinta mil e um a cinqüenta mil habitantes, treze Vereadores;
d) - de cinqüenta mil e um a setenta mil habitantes, quinze Vereadores;
e) - de setenta mil e um a noventa mil habitantes, dezessete Vereadores;
f) - de noventa mil e um a cento e vinte mil habitantes, dezenove Vereadores;
g) - de cento e vinte mil e um a um milhão de habitantes, vinte e um Vereadores;
h) - de um milhão e um a um milhão e quinhentos mil habitantes, trinta e cinco Vereadores;
i) - de um milhão e quinhentos mil e um a dois milhões de habitantes, trinta e sete Vereadores;
j) - de dois milhões e um a dois milhões e quinhentos mil habitantes, trinta e nove Vereadores;
l) - de dois milhões e quinhentos mil e um a cinco milhões de habitantes, quarenta e um Vereadores;
m) - mínimo de quarenta e dois e máximo de cinqüenta e cinco nos municípios de mais de cinco milhões de habitantes.
VI - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, Parágrafo4º, 150, II, 153, III e 153, Parágrafo2º, I, da Constituição Federal;
VII - subsídio dos Vereadores fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal, na razão de 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Estaduais, observado o que dispõem os arts. 39, Parágrafo 4º, 57, Parágrafo 7º, 150, II, 153, III, e 153, Parágrafo 2º, I, da Constituição Federal;
VIII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de 5% (cinco por cento) da receita do município;
IX - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município;
X - proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto na Constituição Federal, para os membros do Congresso Nacional, e nesta Constituição, para os membros da Assembléia Legislativa;
XI - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
XII - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal;
XIII - cooperação das associações representativas no planejamento municipal;
XIV - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestações de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado;
XV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, Parágrafo 1º da Constituição Federal.
Artigo 17
Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a lei estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação pré-escolar, de educação especial e de ensino fundamental;
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual;
X - garantir a defesa do meio ambiente e da qualidade de vida;
XI - instituir guardas municipais incumbidas da proteção de seus bens, serviços e instituições, na forma da lei.
Artigo 18
A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
Parágrafo 1° O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado, competindo-lhe, no que couber, o disposto no art. 75 desta Constituição.
Parágrafo 2° O parecer prévio, emitido pelo órgão competente, sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços da Câmara Municipal.
Parágrafo 3° As contas dos Municípios ficarão, a cada ano, durante sessenta dias, nas Câmaras Municipais, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.
Parágrafo 4° É vedada a criação de tribunais, conselhos ou órgãos de contas municipais.
Parágrafo 5º As Câmaras Municipais elegerão o órgão oficial do Município para a publicação das leis.
Seção II - Da Criação, Incorporação, Fusão e Desmembramento de Municípios
Artigo 19
Lei complementar estadual disporá sobre a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios.
Parágrafo 1° Os seguintes requisitos serão observados na criação de Município:
I - efetivação por lei estadual;
II - a criação, incorporação, fusão e o desmembramento de município far-se-ão por lei Estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos, após divulgação dos estudos de viabilidade municipal, apresentados e publicados na forma da lei;
III - preservação da continuidade e da unidade histórico-cultural do ambiente urbano;
IV - não-constituição de área encravada no Município de origem.
Parágrafo 2° O procedimento de criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios terá início mediante representação dirigida à Assembléia Legislativa, subscrita por 100 eleitores das áreas interessadas, devidamente identificados.
Parágrafo 3° O projeto de criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios apresentará a área da unidade proposta em divisas claras, precisas e contínuas.
Parágrafo 4° A aprovação do eleitorado, prevista no Parágrafo 1°, II, deste artigo, dar-se-á pelo voto da maioria simples, exigindo-se o comparecimento da maioria absoluta do eleitorado.
Parágrafo 5° Se o comparecimento do eleitorado não tiver sido suficiente ou o resultado do plebiscito for desfavorável à proposição, esta não poderá ser renovada na mesma sessão legislativa.
Seção III - Da Intervenção do Estado nos Municípios
Artigo 20
O Estado não intervirá nos Municípios, exceto quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;
II - não forem prestadas as contas devidas, na forma da lei;
III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino;
IV - o Tribunal de Justiça der provimento à representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição do Estado, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
Parágrafo 1° A intervenção será decretada pelo Governador, de ofício, ou mediante solicitação da Câmara Municipal, aprovada pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, ou do Tribunal de Contas do Estado, dependendo sua execução de prévia apreciação e aprovação da Assembléia Legislativa, no prazo de vinte quatro horas.
Parágrafo 2° Aprovada a intervenção, o Governador nomeará o interventor, que assumirá seus encargos perante a Mesa Executiva da Câmara Municipal ou, se for o caso, perante a autoridade judiciária competente, mediante a prestação do compromisso de cumprir as Constituições Federal e Estadual, observar as leis e os limites do decreto interventivo, para bem e lealmente desempenhar as funções de seu encargo extraordinário.
Parágrafo 3° Se a Assembléia Legislativa estiver em recesso, a mesma será convocada extraordinariamente, em vinte e quatro horas.
Parágrafo 4° O interventor prestará contas de sua administração à Câmara Municipal e ao Tribunal de Contas, nas mesmas condições estabelecidas para o Prefeito Municipal.
Parágrafo 5° No caso do inciso IV deste artigo, dispensada a apreciação pela Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
Parágrafo 6°. Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a esses retornarão, salvo impedimento legal.
Capítulo III - Das Regiões Metropolitanas, Aglomerações Urbanas e Microrregiões
Artigo 21
O Estado instituirá, mediante lei complementar, regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de Municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, assegurando-se a participação dos Municípios envolvidos e da sociedade civil organizada na gestão regional.
Artigo 22
O planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões deverá adequar-se às diretrizes de desenvolvimento do Estado.
Artigo 23
É facultada a criação, mediante lei, de órgãos ou entidades de apoio técnico de âmbito regional, para organizar, planejar e executar as funções públicas de interesse comum.
Artigo 24
Para a organização, planejamento e execução das funções públicas de interesse comum, no âmbito das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, serão destinados recursos financeiros do Estado e dos Municípios integrantes, previstos nos respectivos orçamentos anuais.
Artigo 25
Poderão os Municípios, com anuência e fiscalização das respectivas Câmaras Municipais, tendo em vista interesses mútuos, associar-se e conceder serviço público, para utilização conjunta, a qualquer entidade com personalidade jurídica própria, direção autônoma e finalidade específica.
Artigo 26
Serão instituídos, por lei complementar, mecanismos de compensação financeira para os Municípios que sofrerem diminuição ou perda de receita, por atribuições e funções decorrentes do planejamento regional.
Título II - Da Administração Pública
Capítulo I - Disposições Gerais
Artigo 27
A administração pública direta, indireta e fundacional, de qualquer dos Poderes do Estado e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, razoabilidade, eficiência, motivação, economicidade e, também o seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, respeitada a ordem de classificação, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão;
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável, uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo previsto no edital de convocação, respeitado o disposto no item anterior, os aprovados em concurso público de provas ou de provas e títulos serão convocados, com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego;
V - as funções de confiança exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;
VI - é garantido ao servidor público civil, estadual e municipal, o direito à livre
associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
IX - lei complementar estabelecerá os casos de contratação, por tempo determinado, para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, atendidos os seguintes princípios:
a) - realização de teste seletivo, ressalvados os casos de calamidade pública;
b) – contrato com prazo máximo de 2 (dois) anos;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o Parágrafo 4º do art. 39 da Constituição Federal, somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices;
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes dos Estado e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outras espécies remuneratórias, percebidos cumulativamente ou não, incluídas
as vantagens pessoais de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal;
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratória para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados, para fins de concessão de acréscimos ulteriores;
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvados o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts 39 Parágrafo 4°, 150, II, 153, III e 153, Parágrafo 2°,
I da Constituição Federal;
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto quando houver compatibilidade de horários, observados em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) - a de dois cargos de professor;
b) - a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) - a de dois cargos privativos de médico;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações e empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo Poder Público;
XVIII - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
XIX - depende de autorização legislativa a transformação, fusão, cisão, incorporação, extinção e privatização e, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;
XX - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam as obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, a qual permitirá somente as exigências de qualificação técnico -econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações;
XXI - além dos requisitos mencionados no inciso anterior, o órgão licitante deverá, nos processos licitatórios, estabelecer preço máximo de obras, serviços, compras e alienações a serem contratados;
XXII - as obras, serviços, compras e alienações contratados de forma parcelada, com o fim de burlar a obrigatoriedade do processo de licitação pública, serão considerados atos fraudulentos, passíveis de anulação, por eles respondendo os autores, civil, administrativa e criminalmente, na forma da lei;
XXIII - a admissão nas empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações e autarquias da administração indireta estadual depende da aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos.
Parágrafo 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
Parágrafo 2º Semestralmente, a administração direta, indireta e fundacional, publicará, no Diário Oficial, relatório das despesas realizadas com a propaganda e a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas, especificando os nomes dos veículos publicitários.
Parágrafo 3º A não observância do disposto nos incisos II, III, IV, VIII, IX, e XXII deste artigo implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei.
Parágrafo 4° A lei disciplinará as formas de participação do usuário na Administração Pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas a prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de Governo observado o disposto no art. 5°, X e XXXIII da Constituição Federal;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.
Parágrafo 5° Os atos de improbidade administrativa importarão na suspensão dos direitos políticos, na perda da função pública, na indisponibilidade de bens e no ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei federal, sem prejuízo da ação penal cabível.
Parágrafo 6° As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Parágrafo 7° Os vencimentos dos servidores estaduais devem ser pagos até o último dia do mês vencido, corrigindo-se os seus valores, se tal prazo for ultrapassado.
Parágrafo 8° A sonegação e o fornecimento incompleto ou incorreto ou a demora na prestação de informações públicas importam em responsabilidade, punível na forma da lei.
Parágrafo 9° As contas da administração pública direta, fundações, autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, ficarão, durante sessenta dias, anualmente, em local próprio da Assembléia Legislativa, à disposição, para exame e apreciação, de qualquer contribuinte, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.
Parágrafo 10. O servidor aposentado, no exercício de mandato eletivo, de cargo em comissão ou quando contratado para prestação de serviços públicos, poderá perceber a remuneração dessas atividades cumulada com os proventos da aposentadoria, observado o disposto no art. 35, Parágrafo11, desta Constituição.
Parágrafo 11. Nos concursos públicos promovidos pela Administração Pública, não haverá prova oral de caráter eliminatório, ressalvada a prova didática para os cargos do Magistério.
Parágrafo 12. A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da Administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas.
Parágrafo 13. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato de gestão, a ser firmado entre seus administradores e o Poder Público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração de contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidades dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
Parágrafo 14. O disposto no inciso XI deste artigo aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista e suas subsidiárias que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral.
Parágrafo 15. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 da Constituição Federal com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargo eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.
Parágrafo 16. O direito de regresso deverá ser exercido após o trânsito em julgado da sentença condenatória, caso não tenha sido promovida a denunciação à lide.
Artigo 28
Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal ou estadual, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador e havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - para efeito de benefícios previdenciários, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício estivesse.
Artigo 29
Nenhum servidor poderá ser diretor ou integrar conselho de empresa fornecedora, ou que realize qualquer modalidade de contrato com o Estado, sob pena de demissão do serviço público.
Artigo 30
As empresas, sob controle do Estado, as autarquias e as fundações por ele constituídas terão, no mínimo, um representante dos seus servidores na diretoria, na forma que a lei estabelecer.
Artigo 31
Ao Estado é vedado celebrar contrato com empresas que comprovadamente desrespeitarem normas de segurança, de medicina do trabalho e de preservação do meio ambiente.
Artigo 32
A lei instituirá o registro obrigatório de bens e valores pertencentes ao patrimônio das pessoas que assumirem cargo, função ou emprego na administração direta, indireta e fundacional.
Capítulo II - Dos Servidores Públicos Civis
Artigo 33
O Estado e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
Parágrafo 1° A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos;
IV - sistema de méritos objetivamente apurados para ingresso no serviço e desenvolvimento na carreira;
V - remuneração adequada à complexidade e responsabilidade das tarefas e à capacitação profissional
VI - tratamento uniforme aos servidores públicos, no que se refere à concessão de índices de reajuste ou outros tratamentos remuneratórios ou desenvolvimento nas carreiras.
Parágrafo 2° O Estado manterá escola de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados.
Parágrafo 3° Aplica-se aos servidores ocupantes de cargos públicos o disposto no art. 7°, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, da Constituição Federal, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
Parágrafo 4° O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 27, X e XI desta Constituição.
Parágrafo 5° A lei poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 27, XI, desta Constituição.
Parágrafo 6° Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos.
Parágrafo 7° Leis estadual e municipal disciplinarão a aplicação de recursos orçamentários provenientes de economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundações, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade.
Parágrafo 8° A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos
do Parágrafo 4° deste artigo.
Parágrafo 9º Lei complementar estabelecerá a organização, as atribuições e o estatuto das carreiras exclusivas do Estado.
Artigo 33-OBS
Titulo com redação dada pela Emenda Constitucional n° 18, de /05/02/1998
Regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais: Lei n° 8,112, de 11/12/1990.
A Lei n° 8,027, de 12/04/1990, dispõe sobre normas de conduta dos servidores públicos civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas.
A Lei n° 8,026, de 12/04/1990, dispõe sobre aplicações de pena de demissão a funcionário público.
Artigo 34
São direitos dos servidores públicos, entre outros:
I - vencimentos ou proventos não inferiores ao salário mínimo;
II - irredutibilidade do subsídio e dos vencimentos dos ocupantes de cargo e emprego público, ressalvado o que dispõe o artigo 37, XV, da Constituição Federal;
III - garantia de vencimento nunca inferior ao salário mínimo para os que percebem remuneração variável;
IV - décimo terceiro vencimento com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
V - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
VI - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;
VII - duração da jornada normal de trabalho não superior a oito horas diárias e quarenta horas semanais, facultada a compensação de horário e redução de jornada, nos termos da lei;
VIII - repouso semanal remunerado;
IX - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal;
X - gozo de férias anuais remuneradas com pelo menos, um terço a mais do que a remuneração normal, vedada a transformação do período de férias em tempo de serviço;
XI - licença à gestante, sem prejuízo do cargo ou emprego e dos vencimentos ou subsídios, com a duração de cento e vinte dias;
XII - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XIII - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XIV - redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XV - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XVI - proibição de diferença de vencimentos, de exercício de funções e de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
XVII - adicionais por tempo de serviço, na forma que a lei estabelecer;
XVIII - assistência e previdência sociais, extensivas aos dependentes e ao cônjuge;
XIX - gratificação pelo exercício da função de chefia e assessoramento;
XX - promoção, observando-se rigorosamente os critérios de antigüidade e merecimento.
Artigo 35
Aos servidores titulares de cargos efetivos do Estado e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
Parágrafo 1° Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do Parágrafo 3° deste artigo:
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificada em lei;
II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição;
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
a) - sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher;
b) – sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
Parágrafo 2° Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão.
Parágrafo 3° Os proventos de aposentadoria, por ocasião da concessão, serão calculados com base na remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria e, na forma da lei, corresponderão à totalidade da remuneração.
Parágrafo 4° É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados os casos de atividades exercidas exclusivamente sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física definidos em lei complementar.
Parágrafo 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no Parágrafo 1º, III, “a”, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.
Parágrafo 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência de que trata este artigo.
Parágrafo 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício da pensão por morte, que será igual ao valor dos proventos do servidor falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu falecimento, observado o disposto no Parágrafo 3º deste artigo.
Parágrafo 8º Observado o disposto no art. 27, XI, desta Constituição, os proventos de aposentadoria e as pensões serão revistos na mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei.
Parágrafo 9º O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade.
Parágrafo 10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição fictício.
Parágrafo 11. Aplica-se o limite fixado no art. 27, XI desta Constituição à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
Parágrafo 12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.
Parágrafo 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
Parágrafo 14. O Estado e os Municípios, desde que instituam regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 da Constituição Federal.
Parágrafo 15. Observado o disposto no art. 202 da Constituição Federal, lei complementar disporá sobre as normas gerais para instituição de regime de previdência complementar pelo Estado e Município, para atender aos seus respectivos servidores titulares de cargos efetivos.
Parágrafo 16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos ParágrafoParágrafo14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente regime de previdência complementar.
Artigo 36
São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.
Parágrafo 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar federal, assegurada ampla defesa.
Parágrafo 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.
Parágrafo 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
Parágrafo 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
Artigo 37
Ao servidor público eleito para cargo de direção sindical são assegurados todos os direitos inerentes ao cargo, a partir do registro da candidatura e até um ano após o término do mandato, ainda que na condição de suplente, salvo se ocorrer exoneração nos termos da lei.
Parágrafo 1° São assegurados os mesmos direitos, até um ano após a eleição, aos candidatos não eleitos.
Parágrafo 2° É facultado ao servidor público, eleito para a direção de sindicato ou associação de classe, o afastamento do seu cargo, sem prejuízo dos vencimentos, vantagens e ascensão funcional, na forma que a lei estabelecer.
Artigo 38
Ao servidor será assegurada remoção para o domicílio da família, se o cônjuge também for servidor público, ou se a natureza do seu emprego assim o exigir, na forma da lei.
Artigo 39
É vedada a contratação de serviços de terceiros para a realização de atividades que possam ser regularmente exercidas por servidores públicos, bem como para cobrança de débitos tributários do Estado e dos Municípios.
Artigo 40
Aos terceiros de boa-fé serão indenizados todos os prejuízos materiais, inclusive perda ou cessação de renda, advindos de ato de exceção ocorrido no período revolucionário, desde que também haja resultados em benefício direto ou indireto ao Estado do Paraná.”
Parágrafo único. A verificação do direito e do valor dos prejuízos deverão se realizados em pleito administrativo, mediante requerimento do interessado, podendo o Poder Executivo pagar o débito através de compensação com os seus créditos fiscais, inscritos ou não em dívida ativa.
Artigo 41
É vedada a participação de servidores públicos no produto da arrecadação de tributos e multas, inclusive da dívida ativa.
Artigo 42
É assegurada, nos termos da lei, a participação paritária de servidores públicos na gerência de fundos e entidades para as quais contribuem.
Artigo 43
O Estado promoverá o bem-estar social e o aperfeiçoamento físico e intelectual dos servidores públicos e de suas famílias.
Parágrafo 1° O Estado manterá instituição destinada a concessão e manutenção de benefícios previdenciários e de atendimento à saúde dos servidores titulares de cargos efetivos, incluídos os membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de contas, os serventuários da justiça e os militares estaduais.
Parágrafo 2° Toda prestação de serviços de assistência e a concessão de benefícios de previdência, destinada aos servidores do Estado e a seus dependentes só poderá ser concedida, majorada ou estendida mediante efetiva contribuição.
Parágrafo 3º O cônjuge ou companheiro de servidora, ou o cônjuge ou a companheira de servidor segurados são considerados seus dependentes e terão direito à pensão previdenciária, na forma da lei.
Parágrafo 4° A inscrição ao órgão de previdência e assistência dos servidores de que trata o Parágrafo1º é obrigatória, sendo a contribuição social do Estado e de seus servidores devidas na forma e percentual fixados em lei, separando-se as contribuições para a previdência e para a assistência.
Artigo 44
É vedada a cessão de servidores públicos da administração direta ou indireta do Estado à empresas ou entidades privadas.
Capítulo III - Dos Militares Estaduais
Artigo 45
São militares estaduais os integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar.
Parágrafo 1º O militar estadual da ativa que aceitar cargo ou emprego público civil permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei.
Parágrafo 2º O militar estadual da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antigüidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo depois de 2 (dois) anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva remunerada, nos
termos da lei.
Parágrafo 3° São vedadas ao militar estadual a sindicalização, a greve e, enquanto em efetivo serviço, a filiação a partido político.
Parágrafo 4° O oficial da Polícia Militar só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão do tribunal competente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra.
Parágrafo 5° O oficial da Polícia Militar condenado na justiça comum ou militar à pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no parágrafo anterior.
Parágrafo 6º A lei disporá sobre os direitos, os deveres, as garantias e as vantagens dos militares estaduais, bem como sobre as normas de ingresso, acesso à carreira, estabilidade, limites de idade, condições de transferência para a inatividade e outras situações peculiares.
Parágrafo 7° Aplica-se aos militares estaduais a que se refere este artigo e seus pensionistas o disposto no art. 35, Parágrafo Parágrafo 2°, 3° e 4°, desta Constituição.
Parágrafo 8º Aplica-se aos militares estaduais o disposto nos art. 27, XI, XIII, XIV e XV e 34, II, IV, VI, X, XI, XII, XVII, XVIII e XX desta Constituição.
Parágrafo 9º Aplica-se aos militares estaduais, além do que vier a ser fixado em lei, as disposições dos artigos 14, Parágrafo 8º, 40, Parágrafo 9º, 142, ParágrafoParágrafo 2º e 3º da Constituição Federal, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do artigo 142, Parágrafo3º, X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelo Governador do Estado.
Parágrafo 10. Aos militares estaduais e a seus pensionistas aplica-se o disposto no art. 40, ParágrafoParágrafo 7º e 8º da Constituição Federal.
Parágrafo 11. A lei disporá sobre a remuneração do trabalho em locais especiais e de risco de vida e saúde.
Parágrafo 12. São direitos do militar estadual:
I - foro competente de primeira e segunda instâncias para o julgamento de crimes militares definidos em lei;
II - soldo da classe inicial de soldado nunca inferior ao salário mínimo fixado em lei, assegurando-se a diferenciação decorrente do escalonamento hierárquico.
Parágrafo 13. Aplica-se ao militar estadual a legislação penal militar.
Parágrafo 14. Aplica-se aos militares estaduais, além do disposto em lei, as disposições dos artigos 33, Parágrafo 2º, 38, 39, 40, 41 e 42, ParágrafoParágrafo 2º e 3º desta Constituição.
Capítulo IV - Da Segurança Pública
Artigo 46
A Segurança Pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida, para a preservação da ordem pública e incolumidade das pessoas e do patrimônio, pelos seguintes órgãos:
I - Polícia Civil;
II - Polícia Militar;
III - Polícia Científica.
Parágrafo único: O Corpo de Bombeiros é integrante da Polícia Militar.
Artigo 47
A Polícia Civil, dirigida por delegado de polícia, preferencialmente da classe mais elevada da carreira, é instituição permanente e essencial à função da Segurança Pública, com incumbência de exercer as funções de polícia judiciária e as apurações das infrações penais, exceto as militares.
Parágrafo 1°. A função policial civil fundamenta-se na hierarquia e disciplina.
Parágrafo 2º O Conselho da Polícia Civil é órgão consultivo, normativo e deliberativo, para fins de controle do ingresso, ascensão funcional, hierarquia e regime disciplinar das carreiras policiais civis.
Parágrafo 3° Os cargos policiais civis serão providos mediante concurso público de provas e títulos, observado o disposto na legislação específica.
Artigo 48
À Polícia Militar, força estadual, instituição permanente e regular, organizada com base na hierarquia e disciplina militares, cabe a polícia ostensiva, a preservação da ordem pública, a execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndio, buscas, salvamentos e socorros públicos, o policiamento de trânsito urbano e rodoviário, o policiamento ferroviário, de florestas e de mananciais, além de outras formas e funções definidas em lei.
Parágrafo único. As patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são asseguradas em toda sua plenitude aos oficiais da ativa, reserva ou reformados da Polícia Militar, sendo-lhes privativos os títulos, uniformes militares e postos até o coronel.
Artigo 49
A Polícia Militar, comandada por oficial da ativa do último posto do Quadro de Oficiais Policiais Militares, força auxiliar e reserva do Exército, e a Polícia Civil subordinam-se ao Governador do Estado e serão regidas por legislação especial, que definirá suas estruturas, competências, bem como direitos, garantias, deveres e prerrogativas de seus integrantes, de maneira a assegurar a eficiência de suas atividades.
Artigo 50
A Polícia Científica com estrutura própria, incumbida das perícias de criminalística e médico-legal e de outras atividades técnicas congêneres, será dirigida por perito oficial de carreira da classe mais elevada, na forma da lei.
Parágrafo 1º A função policial científica fundamenta-se na hierarquia e disciplina.
Parágrafo 2º O Conselho da Polícia Científica é órgão consultivo, normativo e deliberativo, para fins de controle do ingresso, ascensão funcional, hierarquica e regime disciplinar das carreiras policiais científicas.
Parágrafo 3º Os cargos da Polícia Científica serão providos mediante concurso público de provas e títulos, observando o disposto na legislação especifica.
Artigo 51
A prevenção de eventos desastrosos, o socorro e a assistência aos atingidos por tais eventos e a recuperação dos danos causados serão coordenados pela Defesa Civil, que disporá de:
I - organização sistêmica, dela fazendo parte os órgãos públicos estaduais, podendo integrar suas ações os municipais e federais, os classistas, entidades assistenciais, clubes de serviço, a imprensa, autoridades eclesiásticas e a comunidade em geral;
II - coordenadoria estadual vinculada ao gabinete do Governador do Estado.
Título III - Da Organização Dos Poderes
Capítulo I - Do Poder Legislativo
Seção I - Da Assembléia Legislativa
Artigo 52
O Poder Legislativo é exercido pela Assembléia Legislativa, constituída de representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional, por voto direto e secreto, observadas as seguintes condições de elegibilidade:
I - nacionalidade brasileira;
II - pleno exercício dos direitos políticos;
III - alistamento eleitoral;
IV - domicílio eleitoral na circunscrição do Estado;
V - filiação partidária;
VI - idade mínima de vinte e um anos.
Parágrafo único. Cada legislatura terá duração de quatro anos.
Seção II - Das Atribuições da Assembléia Legislativa
Artigo 53
Cabe à Assembléia Legislativa, com a sanção do Governador do Estado, a qual não é exigida, no entanto, para o especificado no art. 54, dispor sobre todas as matérias de competência do Estado, especificamente:
I - plano plurianual e orçamentos anuais;
II - diretrizes orçamentárias;
III - tributos, arrecadação e distribuição de rendas;
IV - dívida pública, abertura e operações de crédito;
V - planos e programas estaduais, regionais e setoriais de desenvolvimento;
VI - normas suplementares de direito urbanístico, bem como de planejamento e execução de políticas urbanas;
VII - fixação e modificação dos efetivos da Polícia Militar;
VIII - criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas na administração direta, autárquica e fundacional e fixação de remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
IX - servidores públicos da administração direta, autárquica e fundacional, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria de civis, reforma e transferência de militares estaduais para a inatividade;
X - criação, estruturação e definição de atribuições das Secretarias de Estado;
XI - organização do Ministério Público, da Procuradoria-Geral do Estado, da Defensoria Pública, do Tribunal de Contas, da Polícia Militar, da Polícia Civil e demais órgãos da administração pública;
XII - organização e divisão judiciárias;
XIII - bens do domínio público;
XIV - aquisição onerosa e alienação de bens imóveis do Estado;
XV - transferência temporária da sede do Governo Estadual;
XVI - matéria decorrente da competência comum prevista no art. 23 da Constituição Federal;
XVII - matéria da legislação concorrente da Constituição Federal;
Artigo 54
Compete, privativamente, à Assembléia Legislativa:
I - eleger a Mesa e constituir as Comissões;
II - elaborar o Regimento Interno;
III - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
IV - aprovar créditos suplementares à sua Secretaria, nos termos desta Constituição;
V - conceder licença para processar deputado;
VI - fixar, por meio de lei, o subsídio dos Deputados Estaduais, à razão de, no máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõe os artigos 37, XI, 39, Parágrafo4°, 57, Parágrafo7°, 150, II, 153, III e 153, Parágrafo2°, I, da Constituição Federal;
VII - fixar os subsídios do Governador e do Vice-Governador do Estado e dos Secretários de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, Parágrafo 4º, 150, II, 153, III, e 153, Parágrafo 2º, I, da Constituição Federal;
VIII - dar posse ao Governador e ao Vice-Governador;
IX - conhecer da renúncia do Governador e do Vice-Governador;
X - conceder licença, bem como autorizar o Governador e o Vice-Governador a se ausentarem do País, por qualquer tempo, e do Estado, quando a ausência exceder a quinze dias;
XI - processar e julgar o Governador e o Vice-Governador, nos crimes de responsabilidade, e os Secretários de Estado, nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;
XII - processar e julgar o Procurador-Geral de Justiça, o Procurador-Geral do Estado e o Defensor-Geral da Defensoria Pública nos crimes de responsabilidade;
XIII - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração de ofício, do Procurador-Geral de Justiça, antes do término de seu mandato, na forma da lei complementar respectiva;
XIV - destituir do cargo o Governador e o Vice-Governador, após condenação irrecorrível por crime comum cometido dolosamente, ou de responsabilidade;
XV - proceder à tomada de contas do Governador do Estado, quando não apresentadas dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
XVI - julgar, anualmente, as contas prestadas pelo Governador do Estado e apreciar os relatórios, sobre a execução dos planos de governo;
XVII - escolher cinco dos conselheiros, auditores e controladores do Tribunal de Contas do Estado;
XVIII - apreciar, anualmente, as contas do Tribunal de Contas;
XIX - aprovar, previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha:
a) - de conselheiros, auditores e controladores do Tribunal de Contas do Estado, indicados pelo Governador;
b) - de interventor em Município;
c) - dos titulares de cargos, que a lei determinar;
XX - apreciar a legalidade dos convênios a serem celebrados pelo Governo do Estado;
XXI - autorizar plebiscito e referendo, na forma da lei;
XXII - aprovar convênios intermunicipais para a modificação de limites;
XXIII - solicitar intervenção federal;
XXIV - aprovar ou suspender intervenção em Município;
XXV - suspender, no todo ou em parte, a execução de lei ou ato normativo estadual declarado inconstitucional por decisão irrecorrível do Tribunal competente;
XXVI - sustar os atos normativos do Poder Executivo e do Poder Judiciário que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
XXVII - fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;
XXVIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantias do Estado em operações de crédito;
XXIX - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa de outros Poderes;
XXX - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas, com área superior a cem hectares, ressalvado o disposto no art. 49, XVII, da Constituição Federal;
XXXI - mudar temporariamente sua sede;
XXXII-manifestar-se, mediante resolução aprovada pela maioria de seus membros, perante o Congresso Nacional, na hipótese de incorporação, subdivisão ou desmembramento de área do território do Estado, nos termos do art. 48, VI, da Constituição Federal;
XXXIII - convocar, por si ou qualquer de suas comissões, Secretários de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados ao Governo do Estado para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando em crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada;
XXXIV - autorizar operações de natureza financeira externa ou interna;
XXXV - sustar as despesas não autorizadas na forma do art. 76 desta Constituição.
Parágrafo único. Nos casos previstos no inciso XII, funcionará, como Presidente, o do Tribunal de Justiça, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos da Assembléia Legislativa, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.
Artigo 55
A mesa da Assembléia Legislativa poderá encaminhar pedidos escritos de informações aos Secretários de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no inciso XXXIV do art. 54 desta Constituição , importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o não atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas.
Artigo 56
Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações da Assembléia Legislativa e de suas comissões serão tomadas por maioria de votos, presente a maioria absoluta de seus membros.
Seção III - Dos Deputados
Artigo 57
Os Deputados são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos.
Parágrafo 1° Desde a expedição do diploma, os Deputados não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente, sem prévia licença da Assembléia Legislativa.
Parágrafo 2° O indeferimento do pedido de licença ou a ausência da deliberação suspende a prescrição enquanto durar o mandato.
Parágrafo 3° No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos serão remetidos, dentro de vinte e quatro horas, à Assembléia Legislativa, para que a mesma, pelo voto secreto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão e autorize, ou não, a formação de culpa.
Parágrafo 4° Os Deputados serão submetidos a julgamento perante o Tribunal de Justiça do Estado.
Parágrafo 5° Os Deputados não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações.
Parágrafo 6°. A incorporação às Forças Armadas de Deputados, embora militares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Assembléia Legislativa.
Parágrafo 7° As imunidades de Deputados subsistirão durante estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Assembléia Legislativa, nos casos de atos praticados fora do seu recinto que sejam incompatíveis com a execução da medida, e só quando assim o forem as dos Deputados Federais e Senadores, conforme fixa a Constituição Federal.
Artigo 58
Os Deputados não poderão:
I - desde a expedição do diploma:
a) - firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;
b) - aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;
II - desde a posse:
a) - ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;
b) - ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso I, alínea "a";
c) - patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, alínea "a";
d) - ser titular de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
Artigo 59
Perderá o mandato o Deputado:
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias, salvo se em licença ou missão autorizadas pela Assembléia;
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição Federal;
VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.
Parágrafo 1° Além de outros casos definidos no Regimento Interno, considerar-se-á incompatível com o decoro parlamentar o abuso das prerrogativas asseguradas ao Deputado, ou a percepção, no exercício do cargo, de vantagens indevidas.
Parágrafo 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda de mandato será decidida pela Assembléia Legislativa, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da Mesa ou de partido político representado na Assembléia, assegurada ampla defesa.
Parágrafo 3° Nos casos dos incisos III, IV e V, a perda será declarada pela Mesa, de ofício ou mediante a provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado na Assembléia Legislativa, assegurada ampla defesa.
Artigo 60
Não perderá o mandato o Deputado;
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, Secretário de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária;
II - licenciado pela Assembléia Legislativa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa.
Parágrafo 1° O Suplente será convocado nos casos de vaga decorrente da investidura em funções previstas neste artigo ou de licença superior a cento e vinte dias.
Parágrafo 2° Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la, se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato.
Parágrafo 3° Na hipótese do inciso I, o Deputado poderá optar pela remuneração do mandato.
Seção IV - Das Reuniões
Artigo 61
A Assembléia Legislativa reunir-se-á, anualmente, na Capital do Estado, independente de convocação, de 15 de fevereiro a 30 de junho e de 1° de agosto a 15 de dezembro.
Parágrafo 1° As reuniões marcadas para essas datas serão transferidas para o primeiro dia útil subseqüente, quando recaírem em sábados ou feriados.
Parágrafo 2° A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias.
Parágrafo 3°. A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná reunir-se-á, em sessão preparatória, a partir de 1° de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição da Mesa, para mandato de dois anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente.
Parágrafo 4° A convocação extraordinária da Assembléia Legislativa poderá ser feita:
I - pelo seu Presidente, para o compromisso e a posse do Governador e Vice-Governador do Estado, bem como em caso de intervenção;
II - pelo seu Presidente, ou a requerimento da maioria de seus membros, ou pelo Governador do Estado, em caso de urgência ou de interesse público relevante.
Parágrafo 5° Na sessão legislativa extraordinária, a Assembléia Legislativa somente deliberará sobre a matéria para a qual foi convocada, vedado o pagamento de parcela indenizatória em valor superior ao do subsídio mensal.
Seção V - Das Comissões
Artigo 62
A Assembléia Legislativa terá comissões permanentes e temporárias constituídas na forma e com as atribuições previstas nesta Constituição, no Regimento Interno, ou no ato de que resultar a sua criação.
Parágrafo 1° Na constituição da Mesa e de cada comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos, ou dos blocos parlamentares que participam da Assembléia Legislativa.
Parágrafo 2° Às comissões, em razão da matéria e sua competência, cabe:
I - discutir e votar o projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Assembléia Legislativa;
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III - convocar Secretários de Estado para prestarem informações sobre os assuntos inerentes a suas atribuições;
IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas;
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;
VI- apreciar programas de obras, planos estaduais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer.
Parágrafo 3° As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos no Regimento Interno da Assembléia Legislativa, serão criadas mediante requerimento de um terço dos Deputados, para apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público para que promova a responsabilização civil e criminal dos infratores.
Parágrafo 4° Durante o recesso, haverá uma comissão representativa da Assembléia Legislativa, eleita na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas regimentalmente e cuja composição reproduzirá, tanto quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária.
Seção VI - Do Processo Legislativo
Subseção I - Disposição Geral
Artigo 63
O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - decretos legislativos;
V - resoluções;
VI - leis delegadas.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
Subseção II - Da Emenda à Constituição
Artigo 64
A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Assembléia Legislativa;
II - do Governador do Estado;
III - de um terço das Câmaras Municipais do Estado, manifestando-se cada uma delas pela maioria relativa de seus membros.
Parágrafo 1° A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal no Estado, estado de defesa ou estado de sítio.
Parágrafo 2° A proposta será discutida e votada em dois turnos, considerando-se a mesma aprovada quando obtiver, em ambas as votações, o voto favorável de três quintos dos membros da Assembléia Legislativa.
Parágrafo 3° A emenda à Constituição será promulgada pela Mesa da Assembléia Legislativa, com o respectivo número de ordem.
Parágrafo 4° A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
Parágrafo 5° Será nominal a votação de emenda à Constituição.
Subseção III - Das Leis
Artigo 65
A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou comissão da Assembléia Legislativa, ao Governador do Estado, ao Presidente do Tribunal de Justiça, ao Procurador-Geral de Justiça e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
Artigo 66
Ressalvado o disposto nesta Constituição, são de iniciativa privativa do Governador do Estado as leis que disponham sobre:
I - a criação de cargos, função ou empregos públicos na administração direta e autárquica do Poder Executivo ou aumento de sua remuneração;
II - servidores públicos do Poder Executivo, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria, reforma e transferência de policiais para a reserva;
III - organização da Defensoria Pública do Estado e das Polícias Civil e Militar;
IV - criação, estruturação e atribuição das Secretarias de Estado e órgãos da administração pública.
Parágrafo 1° O Governador do Estado pode solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
Parágrafo 2° No caso do Parágrafo 1°, se a Assembléia Legislativa não se manifestar em até quarenta e cinco dias sobre a proposição, será esta incluída na ordem do dia suspendendo-se a deliberação quanto aos demais assuntos, para que se ultime a votação.
Parágrafo 3° O prazo do parágrafo anterior não flui no período de recesso da Assembléia Legislativa, nem se aplica aos projetos de código, leis orgânicas e estatutos.
Artigo 67
A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Assembléia Legislativa do projeto de lei, subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado estadual, distribuído em pelo menos cinqüenta municípios, com um por cento de eleitores inscritos em cada um deles.
Artigo 68
Não é admitido aumento de despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Governador do Estado, ressalvadas as emendas ao projeto de lei do orçamento anual, quando compatíveis com a lei de diretrizes orçamentárias e com o plano plurianual;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Assembléia Legislativa, dos Tribunais Estaduais e do Ministério Público.
Artigo 69
As leis complementares são aprovadas por maioria absoluta dos integrantes da Assembléia Legislativa.
Artigo 70
A matéria constante do projeto de lei rejeitado somente pode constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa mediante proposta da maioria dos Deputados.
Artigo 71
Concluída a votação, a Assembléia Legislativa enviará o projeto de lei ao Governador do Estado, que, aquiescendo, o sancionará.
Parágrafo 1° Se o Governador julgar o projeto, em todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, dentro de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente da Assembléia Legislativa os motivos do veto.
Parágrafo 2° O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
Parágrafo 3° Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Governador importará em sanção.
Parágrafo 4° O veto será apreciado em sessão única, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados, em escrutínio secreto.
Parágrafo 5° Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Governador do Estado.
Parágrafo 6° Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no Parágrafo 4°, que não flui durante o recesso parlamentar, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, suspendendo-se as demais proposições, até a sua votação final.
Parágrafo 7° Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Governador do Estado, nos casos dos ParágrafoParágrafo 3° e 5°, o Presidente da Assembléia Legislativa a promulgará; e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente fazê-lo.
Artigo 72
As leis delegadas serão elaboradas pelo Governador do Estado, que deverá solicitar delegação à Assembléia Legislativa.
Parágrafo 1° Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva da Assembléia Legislativa, a matéria reservada à lei complementar e a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e garantia de seus membros;
II - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos;
III - direitos individuais.
Parágrafo 2° A delegação ao Governador do Estado terá forma de resolução da Assembléia Legislativa, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.
Parágrafo 3° Se a resolução determinar a apreciação do projeto pela Assembléia Legislativa, esta a fará em votação única, vedada qualquer emenda.
Artigo 73
As resoluções e decretos legislativos far-se-ão na forma do Regimento Interno.
Subseção IV - Da Fiscalização Contábil, Financeira e Orçamentária
Artigo 74
A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pela Assembléia Legislativa, mediante controle externo e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais o Estado responda, ou que, em nome deste, assuma obrigações de natureza pecuniária.
Artigo 75
O controle externo, a cargo da Assembléia Legislativa, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Governador do Estado, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público Estadual, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta ou indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Assembléia Legislativa, de comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e demais entidades referidas no inciso II;
V - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pelo Estado e Municípios mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres;
VI - homologar os cálculos das quotas do ICMS devidas aos Municípios, dando ciência à Assembléia Legislativa;
VII - prestar as informações solicitadas pela Assembléia Legislativa, por qualquer das respectivas comissões, sobre a fiscalização contábil e financeira, orçamentária e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesas ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo de até trinta dias, prorrogável por idêntico período, para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada a ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Assembléia Legislativa;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
Parágrafo 1° No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pela Assembléia Legislativa, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
Parágrafo 2° Se a Assembléia Legislativa ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
Parágrafo 3° As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
Parágrafo 4° O Tribunal encaminhará à Assembléia Legislativa, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades, e desse todos os parlamentares terão conhecimento.
Parágrafo 5° No caso de aposentadoria, o ato referido no inciso III deste artigo somente produzirá efeito após seu registro pelo Tribunal de Contas, que o apreciará no prazo máximo de sessenta dias.
Artigo 76
A comissão permanente de fiscalização da Assembléia Legislativa, diante de indícios de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.
Parágrafo 1° Não prestados os esclarecimentos, ou considerados esses insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.
Parágrafo 2° Entendendo o Tribunal que a despesa é irregular, a Comissão, se julgar que o gasto pode causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá à Assembléia sua sustação, se ainda não realizado, ou reembolso, se já feito.
Artigo 77
O Tribunal de Contas, integrado por sete conselheiros, tem sede na Capital de Estado, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território estadual, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 101 desta Constituição.
Parágrafo 1° Os conselheiros, auditores e controladores do Tribunal de Contas do Estado serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, econômicos, financeiros, contábeis ou de administração pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados nos incisos anteriores.
Parágrafo 2° Os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado serão escolhidos:
I - dois pelo Governador do Estado, com a aprovação da Assembléia Legislativa, alternadamente, entre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal , indicados em lista tríplice pelo mesmo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento.
II - cinco pela Assembléia Legislativa.
Parágrafo 3°.Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos desembargadores do Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes no art. 35 desta Constituição.
Parágrafo 4° Os auditores do Tribunal de Contas, em número de sete, quando em substituição aos conselheiros, terão as mesmas garantias e impedimentos dos titulares.
Parágrafo 5° Os controladores do Tribunal de Contas do Estado, em número de sete, terão suas atribuições definidas em lei de iniciativa da Assembléia Legislativa do Paraná, com as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos auditores.
Parágrafo 6° O Tribunal de Contas, quando do encerramento do exercício financeiro, prestará contas da execução orçamentária anual à Assembléia Legislativa.
Artigo 78
Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos do Estado;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração estadual, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres do Estado;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
Parágrafo 1° Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas do Estado, sob pena de responsabilidade solidária.
Parágrafo 2° Qualquer cidadão, partido político, associação ou entidade sindical é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas do Estado.
Parágrafo 3° As decisões fazendárias de última instância, contrárias ao erário, serão apreciadas pelo Tribunal de Contas em grau de recurso.
Capítulo II - Do Poder Executivo
Seção I - Do Governador e do Vice-Governador do Estado
Artigo 79
O Poder Executivo é exercido pelo Governador do Estado, com o auxílio dos Secretários de Estado.
Artigo 80
A eleição do Governador e do Vice - Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro de ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 da Constituição Federal.
Parágrafo único. A eleição do Governador do Estado implicará a do candidato a Vice-Governador com ele registrado.
Artigo 81
Será considerado eleito Governador o candidato que, registrado por partido político, obtiver maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
Parágrafo 1° Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta em primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
Parágrafo 2° Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
Parágrafo 3° Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Artigo 82
O Governador e o Vice-Governador de Estado exercerão o cargo por quatro anos, podendo ser reeleitos para um único período subseqüente.
Parágrafo único. O disposto no caput aplica-se aos que os houver sucedido ou substituído no curso do mandato.
Artigo 83
O Governador e o Vice-Governador do Estado tomarão posse em sessão solene perante a Assembléia Legislativa, especialmente convocada prestando compromisso de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e a do Estado, observar as leis e promover o bem-estar geral do povo paranaense.
Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Governador ou o Vice-Governador, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago.
Artigo 84
O Vice-Governador do Estado, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Governador, sempre que por ele convocado para missões especiais.
Artigo 85
Substituirá o Governador, em caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Governador do Estado.
Parágrafo 1° Em caso de impedimento do Vice-Governador, ou vacância do seu cargo, serão sucessivamente chamados ao exercício da Governadoria o Presidente da Assembléia Legislativa e o Presidente do Tribunal de Justiça.
Parágrafo 2° Vagando os cargos de Governador e Vice-Governador do Estado, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.
Parágrafo 3° Ocorrendo vacância nos últimos dois anos do período governamental, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pela Assembléia Legislativa, na forma da Lei.
Parágrafo 4° Em qualquer dos casos os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.
Parágrafo 5° Cessada a investidura no cargo de Governador do Estado, quem o tiver exercido em caráter permanente fará jus, a título de representação, desde que não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos, a um subsídio mensal e vitalício, igual ao percebido pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Estado.
Artigo 86
O Governador e o Vice-Governador não poderão, sem licença da Assembléia Legislativa, ausentar-se do País, por qualquer tempo, e do Estado, quando a ausência exceder a quinze dias, sob pena de perda do cargo.
Parágrafo único. Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV, e V, da Constituição Federal.
Seção II - Das Atribuições do Governador
Artigo 87
Compete privativamente ao Governador:
I - representar o Estado nas suas relações jurídicas, políticas e administrativas;
II - nomear e exonerar os Secretários de Estado;
III - exercer, com o auxílio dos Secretários de Estado, a direção superior da administração estadual;
IV - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;
V - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis e expedir decretos e regulamentos para a sua fiel execução;
VI - dispor sobre a organização e o funcionamento da administração estadual, na forma da lei;
VII - vetar projeto de lei, total ou parcialmente;
VIII - solicitar a intervenção federal no Estado, nos termos da Constituição Federal;
IX - decretar e fazer executar a intervenção estadual nos Municípios, na forma desta Constituição;
X - remeter mensagem e plano de governo à Assembléia Legislativa, por ocasião da abertura da sessão Legislativa, expondo a situação do Estado;
XI - prestar contas anualmente à Assembléia Legislativa, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, relativamente ao ano anterior;
XII - prestar informações solicitadas pelos Poderes Legislativo e Judiciário, nos casos e prazos fixados em lei;
XIII - nomear agentes públicos, nos termos estabelecidos nesta Constituição;
XIV - enviar à Assembléia Legislativa o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;
XV - indicar dois dos Conselheiros, auditores e controladores do Tribunal de Contas do Estado;
XVI - prover e extinguir os cargos públicos estaduais, na forma da lei e com as restrições previstas nesta Constituição;
XVII - nomear os conselheiros, auditores e controladores do Tribunal de Contas do Estado, sendo cinco após aprovação da Assembléia Legislativa, obedecido o disposto no art. 77, Parágrafo 1º;
XVIII - celebrar ou autorizar convênios ou acordos com entidades públicas ou particulares, na forma desta Constituição;
XIX - realizar as operações de crédito previamente autorizadas pela Assembléia;
XX - mediante autorização da Assembléia Legislativa, subscrever ou adquirir ações, realizar ou aumentar capital, desde que haja recursos hábeis, de sociedade de economia mista ou de empresas pública, bem como dispor, a qualquer título, no todo ou em parte, de ações ou capital que tenha subscrito, adquirido, realizado ou aumentado.
Parágrafo único. O Governador do Estado poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI e XVI, primeira parte, aos Secretários de Estado, ao Procurador-Geral de Justiça e ao Procurador-Geral do Estado, que deverão observar os limites traçados nas respectivas delegações.
Seção III - Da Responsabilidade do Governador
Artigo 88
São crimes de responsabilidade os atos do Governador que atentarem contra a Constituição Federal, a Constituição do Estado e, especialmente:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos poderes constitucionais;
III- o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a lei orçamentária;
V - a segurança interna do País;
VI - a probidade na administração;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes de responsabilidade serão definidos em lei federal.
Artigo 89
Admitida a acusação contra o Governador do Estado, por dois terços dos membros da Assembléia Legislativa, será ele submetido a julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça, nas infrações penais comuns, ou perante a própria Assembléia Legislativa, nos crimes de responsabilidade.
Parágrafo 1° O Governador ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Superior Tribunal de Justiça;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração de processo pela Assembléia Legislativa.
Parágrafo 2° Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Governador, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.
Seção IV - Dos Secretários de Estado
Artigo 90
Os Secretários de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos, no exercício de seus direitos políticos.
Parágrafo único. Compete ao Secretário de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:
I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração estadual, na área de suas atribuições, e referendar os atos e decretos assinados pelo Governador;
II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III - apresentar ao Governador do Estado e à Assembléia Legislativa relatório anual de sua gestão na Secretaria, o qual deverá ser obrigatoriamente publicado no Diário Oficial;
IV - praticar atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Governador do Estado;
V - encaminhar à Assembléia Legislativa informações por escrito, quando solicitado pela Mesa, podendo ser responsabilizado, na forma da lei, em caso de recusa ou não-atendimento no prazo de trinta dias, bem como de fornecimento de informações falsas.
Artigo 91
Os Secretários de Estado poderão comparecer à Assembléia Legislativa, por sua iniciativa e mediante entendimento com a Mesa Executiva, para expor assunto de relevância de sua Secretaria.
Artigo 92
Os Secretários de Estado, nos crimes comuns e nos de responsabilidade, serão processados e julgados pelo Tribunal de Justiça e, nos crimes conexos com os do Governador do Estado, pelos órgãos competentes para o processo e julgamento deste.
Capítulo III - Do Poder Judiciário
Seção I - Das Disposições Gerais
Artigo 93
São órgãos do Poder Judiciário no Estado:
I - o Tribunal de Justiça;
II - o Tribunal de Alçada;
III - os Tribunais do Júri;
IV - os Juízes de Direito;
V - os Juízes Substitutos;
VI - os Juizados Especiais;
VII - os Juízes de Paz.
Artigo 94
Os tribunais e juízes são independentes e estão sujeitos somente à Lei.
Parágrafo único. No Tribunal de Justiça haverá um órgão especial, integrado pela cúpula diretiva e vinte e dois membros de maior antigüidade, respeitada a representação do quinto constitucional, para o exercício de atribuições administrativas e jurisdicionais da competência do Tribunal Pleno, exceto as pertinentes às eleições de seus órgãos dirigentes e à organização de lista para provimento de cargos de desembargador.
Artigo 95
Um quinto dos lugares dos Tribunais de Justiça e de Alçada será composto de membros do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Paraná, de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional.
Parágrafo1º No caso do Tribunal de Alçada, os integrantes do quinto constitucional serão indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.
Parágrafo 2º Recebidas as indicações, o Tribunal de Justiça formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo que, nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.
Artigo 96
Lei de Organização e Divisão Judiciárias, de iniciativa do Tribunal de Justiça, disporá sobre a estrutura e funcionamento de Poder Judiciário do Estado e a carreira de magistratura, observados os seguintes princípios:
I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, através de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação;
II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antigüidade e merecimento, atendidas as seguintes normas:
a) - é obrigatória a promoção do juiz que figurar por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento;
b) - a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a primeira quinta parte na lista de antigüidade desta, salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago;
c) - aferição de merecimento pelos critérios de presteza e segurança no exercício da jurisdição, através de mecanismos definidos em lei, e pela freqüência e aproveitamento em curso reconhecidos de aperfeiçoamento;
d) - a lista de promoção por merecimento será formada pelos três juízes mais votados pelo órgão especial, cabendo ao Presidente do Tribunal de Justiça o respectivo provimento;
e) - havendo mais de uma vaga a ser preenchida pelo critério de merecimento, a lista será formada por tantos Juízes, quantas vagas houver, mais dois;
f) - na apuração de antigüidade, o Tribunal de Justiça poderá recusar, motivadamente, o juiz mais antigo pelo voto de dois terços de seus membros, repetindo-se a votação até se fixar a indicação;
g) - a aplicação alternada dos critérios de promoção atenderá à ordem numérica dos atos de vacância dos cargos a serem preenchidos;
III - à promoção, e ao provimento inicial, precede a remoção, alternadamente, por antigüidade e merecimento;
IV - publicação de edital de remoção ou promoção no prazo de dez dias contados da data de vacância do cargo a ser preenchido;
V - o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por antigüidade e merecimento, alternadamente, apurados na última entrância ou nos Tribunais de Alçada, quando se tratar de promoção para o Tribunal de Justiça, de acordo com o inciso II e respeitada a norma do art. 95 desta Constituição;
VI - previsão de cursos oficiais de preparação e aperfeiçoamento de magistrados como requisitos para ingresso e promoção na carreira;
VII - subsídios fixados por lei, não podendo a diferença entre uma e outra categoria ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI e 39, Parágrafo4º da Constituição Federal;
VIII - a aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus dependentes observarão o disposto no artigo 35 desta Constituição;
IX - o juiz titular residirá na respectiva comarca;
X - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, no interesse público, fundar-se-á em decisão por voto de dois terços do Tribunal de Justiça, assegurada ampla defesa;
XI - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir, limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e seus advogados, ou somente a estes;
XII - as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros.
Artigo 97
Os Juízes gozam das seguintes garantias:
I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do Tribunal de Justiça; e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado, assegurado, em qualquer hipótese, o direito a ampla defesa;
II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma estabelecida na Constituição Federal;
III - irredutibilidade de subsídios, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, Parágrafo 4º, 150, II, 153, III e 153, Parágrafo 2º, I, da Constituição Federal.
Parágrafo único. Aos magistrados é vedado:
I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
III - dedicar-se à atividade político-partidária.
Artigo 98
Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.
Parágrafo 1° O Tribunal de Justiça elaborará a proposta orçamentária do Poder Judiciário, dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.
Parágrafo 2° Os pagamentos devidos pela fazenda estadual ou municipal, em virtude de condenação judicial, serão feitos exclusivamente na ordem cronológica da apresentação dos precatórios e à conta dos respectivos créditos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais, abertos para este fim, à exceção dos de natureza alimentar.
Parágrafo 3° O disposto no parágrafo anterior, relativamente à expedição de precatórios, não se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em lei como de pequeno valor que a Fazenda Estadual ou Municipal deva fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado.
Parágrafo 4° As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados ao Poder Judiciário, recolhendo-se as importâncias respectivas à repartição competente, cabendo ao Presidente do Tribunal de Justiça determinar o pagamento, segundo as possibilidades do depósito, e autorizar, a requerimento dos credores, exclusivamente para o caso de preterimento do seu direito de precedência, o seqüestro da quantia necessária à satisfação do débito.
Parágrafo 5°.É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de dotação necessária ao pagamento dos seus débitos constantes de precatórios judiciais apresentados até 1° de julho, data em que seus valores serão atualizados, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte.
Artigo 99
Compete privativamente aos tribunais de segundo grau:
I - eleger seus órgãos diretivos dentre os integrantes do órgão especial, vedada a reeleição;
II - elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos;
III - organizar suas secretarias e serviços auxiliares;
IV - prover, por concursos públicos de provas, ou de provas e títulos, vedado concurso interno, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança, assim definidos em lei, que poderão ser providos sem concurso;
V -conceder férias, licença e outros afastamentos a seus membros e aos servidores que lhes forem imediatamente subordinados.
Seção II - Do Tribunal de Justiça
Artigo 100
O Tribunal de Justiça, com sede na Capital e jurisdição em todo o território do Estado, compõe-se de, no mínimo, vinte e sete desembargadores, nomeados dentre os juízes do Tribunal de Alçada, observado o disposto nos arts. 95 e 96, V, desta Constituição.
Artigo 101
Compete privativamente ao Tribunal de Justiça, através de seus órgãos:
I - propor à Assembléia Legislativa, observado o disposto no art. 169 da Constituição Federal:
a) - a alteração do número de seus membros e os do Tribunal de Alçada;
b) - a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhe forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, observado o que dispõem os arts. 39, Parágrafo 4º, 150, II, 153, III e 153, Parágrafo 2º, I da Constituição Federal;
c) - a criação, extinção ou alteração do número de membros dos tribunais inferiores;
d) - a alteração da organização e da divisão judiciárias;
e) - a criação e extinção de comarcas, varas ou distritos judiciários;
II - prover, na forma prevista na Constituição Federal e nesta, os cargos de magistratura estadual, de primeiro e segundo graus, incluídos os de desembargador, ressalvada a competência pertinente aos cargos do quinto constitucional do Tribunal de Alçada;
III - aposentar os magistrados e os servidores da Justiça;
IV - conceder licença, férias e outros afastamentos aos magistrados que lhe forem vinculados;
V - encaminhar a proposta orçamentária do Poder Judiciário;
VI - solicitar, quando cabível, a intervenção federal no Estado;
VII - processar e julgar, originariamente:
a) - nos crimes comuns e de responsabilidade, os Deputados Estaduais, os juízes dos Tribunais de Alçada e os juízes de direito e juízes substitutos, os Secretários de Estado, os membros do Ministério Público e os Prefeitos Municipais, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral, e, nos crimes comuns, o Vice-Governador do Estado;
b) - os mandados de segurança contra atos do Governador do Estado, da Mesa e da Presidência da Assembléia Legislativa, do próprio Tribunal ou de algum de seus órgãos, de Secretário de Estado, do Presidente do Tribunal de Contas, do Procurador-Geral de Justiça, do Procurador-Geral do Estado e do Defensor-Geral da Defensoria Pública;
c) - os mandados de injunção e os "habeas-data";
d) - os "habeas-corpus" nos processos cujos os recursos forem de sua competência, ou quando o coator ou paciente for autoridade diretamente sujeita à sua jurisdição;
e) - as ações rescisórias de seus julgados e as revisões criminais nos processos de sua competência;
f) - as ações diretas de inconstitucio-nalidade e de constitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais e municipais contestados em face desta Constituição e a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional;
g) - a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais;
h) - a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
i) - as causas e os conflitos entre o Estado e os Municípios, inclusive entre as respectivas entidades da administração indireta;
j) - os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias do Estado, ou entre estas e as administrativas municipais;
VIII - julgar, em grau de recurso, as causas não atribuídas por esta Constituição expressamente à competência do Tribunal de Alçada, ou, por lei, aos órgãos recursais dos juizados especiais;
IX - velar pelo exercício da atividade correcional respectiva;
X - exercer as demais funções que lhe forem atribuídas por lei.
Parágrafo 1° Aos órgãos do Poder Judiciário do Estado compete a administração, conservação e o uso dos imóveis e instalações forenses, podendo ser autorizada a sua utilização por órgãos diversos, no interesse da justiça, como dispuser o Tribunal de Justiça.
Parágrafo 2° Os agentes do Ministério Público e da Defensoria Pública terão, no conjunto arquitetônico dos fóruns, instalações próprias ao exercício de suas funções, com condições assemelhadas às dos juízes de direito junto aos quais funcionem.
Seção III - Do Tribunal de Alçada
Artigo 102
Haverá um Tribunal de Alçada, com sede em Curitiba, com jurisdição territorial em todo Estado do Paraná, composto por um mínimo de vinte e cinco Juízes.
Artigo 103
Compete ao Tribunal de Alçada:
I - propor ao Tribunal de Justiça, para encaminhamento à Assembléia Legislativa, a criação e extinção de cargos de suas secretarias e a fixação dos respectivos vencimentos;
II - processar e julgar, originariamente:
a) - as ações rescisórias de seus julgados e das sentenças proferidas nos processos de sua competência recursal;
b) - as revisões criminais e os "habeas-corpus", nos processos que forem de sua competência recursal;
c) - os mandados de segurança contra atos de juiz de primeiro grau, praticados nos feitos de sua competência;
d) - a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais a juízes de primeiro grau;
e) - a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
f) - os mandados de segurança contra atos do próprio Tribunal ou de algum de seus órgãos;
III - julgar em grau de recurso:
a) - as ações relativas à locação;
b) - as ações possessórias;
c) - as ações de usucapião;
d) - as ações relativas à matéria fiscal de competência dos Municípios;
e) - as ações de acidentes do trabalho;
f) - as ações de procedimento sumário;
g) - as execuções por título extrajudicial e ações que lhe forem conexas, exceto as relativas à matéria fiscal de competência do Estado, à falência e à concordata;
h) - as ações originárias de contrato de alienação fiduciária;
i) - as ações provenientes de contrato de seguro de qualquer natureza;
j) - as ações decorrentes de contrato de corretagem;
l) as ações decorrentes de dissolução e liquidação de sociedade civil ou comercial;
m) - as ações revocatórias, exceto em matéria falimentar;
n) - os crimes ou contravenções relativos a tóxicos ou entorpecentes;
o) - os crimes contra o patrimônio, independentemente da natureza da pena cominada;
p) - os crimes contra a pessoa, excetuados os crimes dolosos contra a vida;
q) - os crimes contra a propriedade imaterial;
r) - os crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos;
s) - os crimes contra os costumes;
t) - os crimes contra a incolumidade pública;
u) - os crimes contra a paz pública;
v) - os crimes de corrupção de menores;
x) - as demais infrações a que não seja cominada pena de reclusão, isolada, cumulativa ou alternativamente, exceto as falimentares;
IV - exercer as demais funções que lhe forem atribuídas por lei.
Artigo 104
Nos casos de conexão ou continência entre ações cíveis de competência do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Alçada, prorrogar-se-á a do primeiro, o mesmo ocorrendo quando, em matéria criminal, houver desclassificação para crime de competência do último, não havendo a acusação interposto recurso.
Seção IV - Dos Juízes de Direito e Juízes Substitutos
Artigo 105
Em primeiro grau de jurisdição, a carreira da magistratura compreende as entrâncias, definidas na Lei de Organização e Divisão Judiciárias.
Artigo 106
São requisitos de inscrição no concurso de ingresso na carreira, além de outros enumerados em lei, ser bacharel em Direito, com inscrição definitiva na Ordem dos Advogados do Brasil, salvo nos casos de impedimento legal à sua obtenção.
Artigo 107
Para conhecer e julgar conflitos fundiários, o Tribunal de Justiça, por ato de seu Presidente, designará Juízes de entrância especial, atribuindo-lhes competência exclusiva para questões agrárias.
Parágrafo 1° Para o efeito previsto neste artigo, considera-se especial a entrância mais alta de primeiro grau.
Parágrafo 2° Sempre que entender necessário à eficiente prestação da tutela jurisdicional, o juiz irá ao local do litígio.
Seção V - Da Justiça Militar
Artigo 108
A Justiça Militar é constituída, em primeiro grau, pelos Conselhos de Justiça e, em segundo, pelo Tribunal de Justiça ou por Tribunal de Justiça Militar.
Parágrafo 1° A lei poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, o Tribunal de Justiça Militar, quando cumprido o requisito previsto no Art. 125, Parágrafo 3°, da Constituição Federal.
Parágrafo 2° Compete à Justiça Militar Estadual processar e julgar os policiais militares nos crimes militares definidos em lei, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação dos praças.
Seção VI - Dos Juizados Especiais e dos Juízes de Paz
Artigo 109
A competência, a composição e o funcionamento dos juizados especiais, de causas cíveis de menor complexidade e de infrações penais de menor potencial ofensivo serão determinados na Lei de Organização e Divisão Judiciárias, observado o disposto no art. 98, I, da Constituição Federal.
Parágrafo único. Como órgão recursal das decisões proferidas pelos juizados especiais, funcionarão turmas de Juízes de primeiro grau, sem prejuízo das demais atribuições.
Artigo 110
A Justiça de Paz, remunerada, será composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência para celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o processo de habilitação, exercer atribuições conciliatórias e outras, sem caráter jurisdicional, conforme dispuser a Lei de Organização e Divisão Judiciárias,
Seção VII - Do Controle da Constitucionalidade
Artigo 111
São partes legítimas para propor a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou municipal, em face desta Constituição:
I - o Governador do Estado e a Mesa da Assembléia Legislativa;
II - o Procurador-Geral de Justiça e o Procurador Geral do Estado;
III - o Prefeito e a Mesa da Câmara do respectivo Município, quando se tratar de lei ou ato normativo local ou estadual que afete a autonomia local;
IV - o Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil;
V - os partidos políticos com representação na Assembléia Legislativa;
VI - as federações sindicais e as entidades de classe de âmbito estadual;
VII - o Deputado Estadual.
Artigo 112
Somente pelo voto da maioria absoluta dos seus membros ou dos membros do órgão especial, poderá o Tribunal de Justiça declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
Parágrafo Único. O Procurador-Geral de Justiça será sempre ouvido nas ações de inconstitucionalidade.
Artigo 113
Declarada a inconstitucionalidade, a decisão será comunicada à Assembléia Legislativa ou à Câmara Municipal para suspensão da execução da lei ou ato impugnado.
Parágrafo 1° Reconhecida a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma desta Constituição, a decisão será comunicada ao poder competente para adoção das providências necessárias à pratica do ato ou início do processo legislativo, e, em se tratando de órgão administrativo, para emiti-lo em trinta dias, sob pena de responsabilidade.
Parágrafo 2° Na ação direta de inconstitucionalidade incumbirá à Procuradoria Geral do Estado atuar na curadoria de presunção de legitimidade do ato impugnado.
Capítulo IV - Das Funções Essenciais à Justiça
Seção I - Do Ministério Público
Artigo 114
O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
Parágrafo 1° São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional.
Parágrafo 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, observado o disposto no art. 169 da Constituição Federal, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira.
Artigo 115
O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites da lei de diretrizes orçamentárias.
Artigo 116
O Ministério Público tem por chefe o Procurador-Geral de Justiça, nomeado pelo Governador do Estado, após a aprovação da Assembléia Legislativa, dentre os integrantes da carreira, indicados em lista tríplice elaborada, na forma da lei, por todos os seus membros, para mandato de dois anos, permitida uma recondução, em que se observará o mesmo processo.
Parágrafo 1° O Procurador-Geral de Justiça poderá ser destituído por deliberação da maioria absoluta da Assembléia Legislativa, na forma da lei complementar respectiva.
Parágrafo 2° Enquanto estiver exercendo o cargo, e até seis meses depois de havê-lo deixado, é vedado ao Procurador-Geral da Justiça concorrer às vagas de que trata o art. 95 desta Constituição.
Artigo 117
O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, observada, nas nomeações, a ordem de classificação.
Artigo 118
Lei complementar, cuja iniciativa é facultada ao Procurador-Geral de Justiça, estabelecerá a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público, observadas, quanto a seus membros:
I - as seguintes garantias:
a) - vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado;
b) - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, por voto de dois terços de seus membros, assegurada ampla defesa;
c) - irredutibilidade de subsídios, observado o que dispõe os arts. 27, XI, 33, Parágrafo 4º, desta Constituição e os arts. 150, II, 153, III e 153, Parágrafo 2°, I, da Constituição Federal;
d) - revisão de subsídio e vantagens, em igual percentual, sempre que revistos os da magistratura;
e) - promoção voluntária, por antigüidade e merecimento, alternadamente, de uma para outra entrância e da entrância mais elevada para o cargo de Procurador de Justiça, aplicando-se, por assemelhação, o disposto no art. 93, II, da Constituição Federal;
f) - subsídios fixados com diferença de cinco por cento de uma para outra entrância,
g) - aposentadoria nos termos do artigo 35 desta Constituição.
II - as seguintes vedações:
a) - receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais, sendo a verba honorária decorrente da sucumbência recolhida ao Estado, como renda eventual, à conta da Procuradoria-Geral de Justiça, para seu aperfeiçoamento, o de seus integrantes e o de seus equipamentos;
b) - exercer a advocacia;
c) - participar de sociedades comerciais, na forma da lei;
d) - exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério;
e) - exercer atividade político-partidária, salvo exceções previstas em lei.
Artigo 119
As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação.
Artigo 120
São funções institucionais do Ministério Público:
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II - zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição e na da República, promovendo as medidas necessárias à sua garantia;
III - promover o inquérito civil e ação civil pública, para proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção do Estado no Município, nos casos previstos nesta Constituição e na Federal;
V - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos, para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VI - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no inciso anterior;
VII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
VIII - exercer fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que abriguem menores, idosos, incapazes ou pessoas portadoras de deficiência, supervisionando sua assistência;
IX - fiscalizar, concorrentemente, a aplicação das dotações públicas destinadas às instituições assistenciais;
X - participar em organismos estatais de defesa do meio ambiente, do trabalhador, do consumidor, de menores, de política penal e penitenciária e outros afetos a sua área de atuação;
XI - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa por desrespeito aos direitos assegurados na Constituição Federal e nesta, promovendo as medidas necessárias à sua garantia;
XII - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com as suas finalidades, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.
Parágrafo único. A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto na Constituição Federal e na lei.
Artigo 121
Aos membros do Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas, aplicam-se as disposições desta seção, no que se refere a direitos, vedações e formas de investidura.
Artigo 122
O Ministério Público de superior instância terá composição mínima correspondente a dois terços do número de membros de igual instância do Poder Judiciário.
Seção II - Da Procuradoria-Geral do Estado
Artigo 123
A advocacia do Estado, como função institucionalizada e organizada por lei complementar, terá como órgão único de execução a Procuradoria-Geral do Estado, diretamente vinculada ao Governador e integrante de seu gabinete.
Artigo 124
Compete à Procuradoria-Geral do Estado, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei:
I - a representação judicial e extrajudicial do Estado e a consultoria jurídica do Poder Executivo;
II - a unificação da jurisprudência administrativa do Estado;
III - a cobrança judicial da dívida ativa do Estado;
IV - a realização dos processos administrativo-disciplinares, nos casos previstos em lei;
V - a orientação jurídica aos Municípios, em caráter complementar ou supletivo.
Artigo 125
O exercício das atribuições da Procuradoria-Geral do Estado é privativo dos procuradores integrantes da carreira, que será organizada e regida por estatuto próprio, definido em lei complementar, com observância dos arts. 39 e 132 da Constituição Federal.
Parágrafo 1° O ingresso na carreira de procurador far-se-á na classe inicial, mediante concurso público específico de provas e títulos, organizado e realizado pela Procuradoria-Geral do Estado, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, obedecida, na nomeação, a ordem de classificação.
Parágrafo 2° É assegurado aos procuradores do Estado:
I - irredutibilidade de subsídios e proventos;
II - inamovibilidade, na forma da lei;
III - estabilidade após três anos de efetivo exercício, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios, após relatório circunstanciado da Corregedoria;
IV - promoção voluntária por antigüidade e merecimento, alternadamente, observados os requisitos previstos em lei;
V - subsídios fixados com a diferença de cinco por cento de uma para outra classe, observado o disposto no art. 27, XI, desta Constituição.
Parágrafo 3° É vedado aos procuradores do Estado:
I - exercer advocacia fora das funções institucionais;
II - o exercício de qualquer outra função pública, salvo o magistério.
Artigo 126
O Procurador-Geral do Estado, chefe da instituição, é de livre nomeação do Governador, preferencialmente dentre os integrantes da carreira e gozará de tratamento e prerrogativas de Secretário de Estado.
Seção III - Da Defensoria Pública
Artigo 127
A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica integral e gratuita, a postulação e a defesa, em todas as instâncias, judicial e extrajudicial, dos direitos e dos interesses individuais e coletivos dos necessitados, na forma da lei.
Parágrafo único. São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a impessoalidade e a independência na função.
Artigo 128
Lei complementar, observada a legislação federal, disporá sobre a organização, estrutura e funcionamento da Defensoria Pública, bem como sobre os direitos, deveres, prerrogativas, atribuições e carreiras de seus membros.
Título IV - Dos Tributos e dos Orçamentos
Capítulo I - Da Tributação
Artigo 129
Compete ao Estado instituir:
I - impostos previstos na Constituição Federal;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas;
IV - contribuição social, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, de sistemas de previdência e assistência social.
Artigo 130
Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica estadual ou municipal que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, Parágrafo 2º , XII, da Constituição Federal.
Artigo 131
Estado poderá celebrar convênio com a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, para dispor sobre matérias tributárias.
Capítulo II - Da Repartição das Receitas Tributárias
Artigo 132
A repartição das receitas tributárias do Estado obedece ao que, a respeito, determina a Constituição Federal.
Parágrafo Único. O Estado assegurará, na forma da lei, aos Municípios que tenham parte de seu território integrando unidades de conservação ambiental, ou que sejam diretamente influenciados por elas, ou àqueles com mananciais de abastecimento público, tratamento especial quanto ao crédito da receita referida no art. 158, parágrafo único, II, da Constituição Federal.
Capítulo III - Dos Orçamentos
Artigo 133
Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias anuais;
III - os orçamentos anuais.
Parágrafo 1° A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá de forma regionalizada as diretrizes, objetivos e metas da administração pública estadual direta e indireta, abrangendo os programas de manutenção e expansão das ações de governo.
Parágrafo 2° Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize sua inclusão, sob pena de crime de responsabilidade.
Parágrafo 3° A lei de diretrizes orçamentárias, de caráter anual, compreenderá:
I - as metas e prioridades da administração pública estadual direta e indireta;
II - as projeções das receitas e despesas para o exercício financeiro subseqüente;
III - os critérios para a distribuição setorial e regional dos recursos para os órgãos dos poderes do Estado;
IV - as diretrizes relativas à política de pessoal do Estado;
V - as orientações para a elaboração da lei orçamentária anual;
VI - os ajustamentos do plano plurianual decorrentes de uma reavaliação da realidade econômica e social do Estado;
VII - as disposições sobre as alterações na legislação tributária;
VIII - as políticas de aplicação dos agentes financeiros oficiais de fomento, apresentando o plano de prioridades das aplicações financeiras e destacando os projetos de maior relevância;
IX - os demonstrativos dos efeitos sobre as receitas e despesas públicas decorrentes da concessão de quaisquer benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia pela administração pública estadual.
Parágrafo 4° Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário publicarão, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatórios resumidos da execução orçamentária.
Parágrafo 5° Os planos de programas estaduais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual apreciado pela Assembléia Legislativa.
Parágrafo 6°. A lei orçamentária anual compreenderá:
I - o orçamento fiscal, fixando as despesas referentes aos poderes estaduais, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, estimando as receitas do Estado, efetivas e potenciais aqui incluídas as renúncias fiscais a qualquer título;
II - o orçamento próprio da administração indireta, compreendendo as receitas próprias e as receitas de transferências do Estado e suas aplicações relativas às autarquias e às fundações;
III - o orçamento de investimento das empresas públicas e daquelas em que o Estado, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto.
Parágrafo 7°. Os orçamentos previstos no Parágrafo 6°, I, II e III deste artigo, em que constarão, detalhada e individualizadamente, as obras previstas e seus respectivos custos, deverão ser elaborados em consonância com as políticas de desenvolvimento urbano, rural e regional integrantes de plano plurianual.
Parágrafo 8°. O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativos dos efeitos sobre as receitas e despesas públicas decorrentes da concessão de quaisquer benefícios da natureza financeira, tributária e creditícia, pela administração pública estadual, detalhados de forma regionalizada e identificando os objetivos de tais concessões.
Parágrafo 9°. A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação de despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.
Parágrafo 10. Ao Poder Legislativo é assegurada autonomia financeira e administrativa e a sua proposta orçamentária será elaborada dentro do limite percentual das receitas correspondentes aos demais Poderes, a ser fixada na lei de Diretrizes Orçamentárias.
Parágrafo 11.Os recursos, a que se referem o art. 136, serão repassados. Com base na receita, em duodécimos e ser-lhe-á entregue até o dia 20 de cada mês, corrigidas as parcelas na mesma proporção do excesso de arrecadação.
Artigo 134
Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pela Assembléia Legislativa.
Parágrafo 1° Caberá às comissões técnicas competentes da Assembléia Legislativa:
I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo Governador do Estado;
II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas estaduais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária.
Parágrafo 2° As emendas serão apresentadas à comissão competente, que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas em plenário, na forma regimental.
Parágrafo 3° As emendas ao projeto de lei do orçamento anual e aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre:
a) - dotações para pessoal e seus encargos;
b) - serviço da dívida;
c) - transferências tributárias constitucionais para os Municípios;
III - sejam relacionadas:
a) - com a correção de erros ou omissões;
b) - com os dispositivos do texto do projeto de lei.
Parágrafo 4° As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual.
Parágrafo 5° O Governador do Estado poderá enviar mensagem à Assembléia Legislativa para propor modificação nos projetos a que se refere este artigo, enquanto não tiver sido iniciada a votação, em plenário, da parte cuja alteração é proposta.
Parágrafo 6° Aplicam-se aos projetos mencionados neste artigo, no que não contrariem o disposto nesta seção, as demais normas relativas ao processo legislativo.
Parágrafo 7° Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.
Parágrafo 8° Sempre que solicitado pela Assembléia Legislativa, o Tribunal de Contas emitirá, no prazo por ela consignado, parecer prévio sobre a proposta orçamentária.
Artigo 135
o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais;
III - a realização de operações de crédito que excedam o montante das despesas de capital, exceto as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;
IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os artigos 158 e 159, a destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino, como determinado pelo artigo 212, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no artigo 165, Parágrafo 8º, bem assim como o disposto no Parágrafo 4º do art. 167, todos da Constituição Federal;
V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes;
VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;
VII - a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos do orçamento fiscal, para suprir necessidades ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos;
IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa;
X - a subvenção ou auxílio do Poder Público às entidades de previdência privada com fins lucrativos.
Parágrafo 1° Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses do exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente.
Parágrafo 2° A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública.
Artigo 136
Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos suplementares e especiais destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público, serão entregues até o dia vinte de cada mês, na forma da legislação pertinente.
Artigo 137
A despesa com pessoal ativo e inativo do Estado e dos Municípios não poderá exercer os limites estabelecidos em lei complementar federal.
Parágrafo 1º A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público, só poderão ser feitas:
I - se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes;
II - se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de economia mista.
Parágrafo 2º Decorrido o prazo estabelecido na lei complementar referida neste artigo para a adaptação aos parâmetros ali previstos, serão imediatamente suspensos todos os repasses de verbas estaduais aos Municípios que não observarem os referidos limites.
Parágrafo 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, o Estado e os Municípios adotarão as seguintes providências:
I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança;
II - exoneração dos servidores não estáveis.
Parágrafo 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o cargo, desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal.
Parágrafo 5º O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior fará jus a indenização correspondente a um mês de remuneração por ano de serviço.
Parágrafo 6º O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores será considerado extinto, vedada a criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro anos.
Parágrafo 7º Lei federal disporá sobre as normas gerais a serem obedecidas na efetivação do disposto no Parágrafo 4º deste artigo.
Artigo 138
A Assembléia Legislativa elaborará a proposta orçamentária do Poder Legislativo.
Título V - Da Ordem Econômica
Capítulo I - Dos Princípios Gerais da Ordem Econômica
Artigo 139
A organização da atividade econômica, fundada na valorização do trabalho, na livre iniciativa e na proteção do meio ambiente, tem por objetivo assegurar existência digna a todos, conforme os mandamentos da justiça social e com base nos princípios estabelecidos na Constituição Federal.
Artigo 140
Como agente normativo e regulador das atividades econômicas, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de orientação, fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
Artigo 141
A lei definirá o sistema, as diretrizes e bases do planejamento e desenvolvimento estadual equilibrado, integrando-o ao planejamento nacional e a ele se incorporando e compatibilizando os planos regionais e municipais, atendendo:
I - ao desenvolvimento social e econômico;
II - ao desenvolvimento urbano e rural;
III - à ordenação territorial;
IV - à articulação, integração e descentralização dos diferentes níveis de governo e das respectivas entidades da administração indireta com atuação nas regiões, distribuindo-se adequadamente recursos financeiros;
V - à definição de prioridades regionais.
Parágrafo único. A lei regulamentará as relações da empresa pública com o Estado e a sociedade.
Artigo 142
As parcelas de recursos asseguradas, nos termos da lei federal, ao Estado, como participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais, no seu território, ou como compensação financeira por essa exploração, serão aplicadas e distribuídas na forma, nos prazos e nos critérios definidos na lei complementar estadual.
Parágrafo único. A política de aplicação dos recursos a que alude este artigo será definida por comissão composta paritariamente de representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, das classes produtoras e trabalhadoras.
Artigo 143
As microempresas e as empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, receberão do Estado tratamento jurídico diferenciado, visando ao incentivo de sua criação, preservação e desenvolvimento, através da eliminação, redução ou simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias e creditícias, por meio da Lei.
Parágrafo único. O Poder Público estimulará a atividade artesanal.
Artigo 144
O Estado e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico.
Artigo 145
O Estado, por lei e ação integrada com a União, Municípios e a sociedade, promoverá a defesa dos direitos sociais do consumidor, através de sua conscientização, da prevenção e responsabilização por danos a ele causados, democratizando a fruição de bens e serviços essenciais.
Artigo 146
Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Parágrafo 1º Lei complementar disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato, de sua renovação e prorrogação, bem como sobre as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - a política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.
Parágrafo 2º Nas delegações de novas linhas de transporte coletivo de passageiros, a serem implantadas no Estado, bem como nas renovações e prorrogações das mesmas, é vedada a cláusula de exclusividade.
Artigo 147
A empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades estatais que explorem atividade econômica sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias.
Parágrafo único. As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não-extensivos às do setor privado.
Artigo 148
O Estado apoiará e estimulará o cooperativismo.
Parágrafo único. É assegurada a participação do cooperativismo, através do seu órgão de representação, nos colegiados de âmbito estadual dos quais a iniciativa privada faça parte e que tratem de assuntos relacionados com as atividades desenvolvidas pelas cooperativas.
Artigo 149
O sistema financeiro estadual, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do Estado e a servir aos interesses da coletividade, será regulado em lei complementar, obedecendo, em sua organização, funcionamento e atribuições, às normas emanadas da legislação federal.
Capítulo II - Da Política Urbana
Artigo 150
A política de desenvolvimento urbano será executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tendo por objetivo ordenar o desenvolvimento das funções da cidade e garantir o bem-estar dos seus habitantes.
Artigo 151
A política de desenvolvimento urbano visa a assegurar, dentre outros objetivos:
I - a urbanização e a regularização de loteamentos de áreas urbanas;
II - a cooperação das associações representativas no planejamento urbano municipal;
III - a preservação de áreas periféricas de produção agrícola e pecuária;
IV - a garantia à preservação, à proteção e à recuperação do meio ambiente e da cultura;
V - a criação e manutenção de parques de especial interesse urbanístico, social, ambiental, turístico e de utilização pública;
VI - a utilização racional do território e dos recursos naturais, mediante controle da implantação e do funcionamento de atividades industriais, comerciais, residenciais e viárias.
Artigo 152
O plano diretor, instrumento básico da política de desenvolvimento econômico e social e de expansão urbana, aprovado pela Câmara Municipal, é obrigatório para as cidades com mais de vinte mil habitantes, expressando as exigências de ordenação da cidade e explicitando os critérios para que se cumpra a função social da propriedade urbana.
Parágrafo 1° O plano diretor disporá sobre:
I - normas relativas ao desenvolvimento urbano;
II - políticas de orientação da formulação de planos setoriais;
III - critérios de parcelamento, uso e ocupação do solo e zoneamento, prevendo áreas destinadas a moradias populares, com garantias de acesso aos locais de trabalho, serviço e lazer;
IV - proteção ambiental;
V - ordenação de usos, atividades e funções de interesse zonal.
Parágrafo 2° O Poder Público municipal poderá exigir, nos termos do art. 182, Parágrafo 4°, da Constituição Federal, o adequado aproveitamento do solo urbano não-edificado, subutilizado ou não-utilizado.
Artigo 153
As cidades com população inferior a vinte mil habitantes receberão assistência de órgão estadual de desenvolvimento urbano na elaboração das normas gerais de ocupação do território, que garantam a função social do solo urbano.
Capítulo III - Das Políticas Agrícola e Agrária
Artigo 154
A política agrícola estadual será planejada e executada, na forma da lei, com a participação paritária e efetiva dos produtores e trabalhadores rurais, objetivando o desenvolvimento rural nos seus aspectos econômicos e sociais com racionalização de uso e preservação dos recursos naturais e ambientais, cabendo ao Estado:
I - a orientação, assistência técnica e extensão rural;
II - a geração contínua e evolutiva de tecnologia de produção;
III - a inspeção e fiscalização da produção, comercialização e utilização de insumos agropecuários;
IV - o estabelecimento de mecanismos de apoio:
a) - a programas que atendam às áreas da agropecuária do Estado;
b) - a sistemas de seguro agrícola;
c) - à complementação dos serviços voltados para a comercialização agrícola, armazenagem, transporte e abastecimento;
d) - à organização dos produtores em cooperativas, associações de classe e demais formas associativas;
e) - à agroindustrialização de forma regionalizada e, preferencialmente, no meio rural ou em pequenas comunidades;
f) - ao setor pesqueiro;
V - a instituição de um sistema de planejamento agrícola integrado;
VI - o investimento em benefícios sociais para rurícolas e comunidades rurais;
VII - a irrigação, drenagem, eletrificação e telefonia rural;
VIII - as ações de conhecimento da realidade e o encaminhamento de soluções ao trabalhador rural, especialmente ao volante;
IX - a manutenção de controle estatístico de produção com estimativas de safras.
Parágrafo 1° A lei agrícola dará tratamento diferenciado e privilegiado ao micro e pequeno produtor.
Parágrafo 2. O Estado implantará em todo o território o sistema estadual de cadastro técnico rural, com vistas ao planejamento e desenvolvimento das políticas agrícola, agrária, de regularização fundiária, utilização e preservação dos recursos naturais e de apoio às políticas urbanas municipais.
Artigo 155
Observada a lei federal, o Estado promoverá todos os esforços no sentido de implantar a reforma agrária.
Artigo 156
A regularização de ocupações e a destinação de terras públicas e devolutas serão compatibilizadas com as políticas agrícola, agrária e de preservação ambiental, através de títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos, segundo forma e critério definidos em lei complementar estadual.
Parágrafo 1°. Os órgãos do Estado devem ser colocados, em caráter complementar, a serviço dos assentamentos, no sentido de torná-los produtivos.
Parágrafo 2° A política de assentamento rural, desenvolvida pelo Estado, estimulará o cooperativismo e demais formas associativas.
Parágrafo 3° O Estado assegurará aos detentores de posse de terras devolutas por eles tornadas produtivas, com o seu trabalho e com o da sua família, preferência a receber título de domínio ou de concessão de uso, com os gravames previstos neste artigo, desde que:
I - não sejam proprietários de área superior a um módulo rural mínimo;
II - tenham, na agricultura, sua atividade principal;
III - residam no imóvel.
Parágrafo 4° Fica assegurada aos beneficiários e suas organizações representativas a participação no planejamento e execução dos assentamentos.
Parágrafo 5° A concessão de título de domínio ou de uso de terras públicas e devolutas deverá considerar a manutenção das reservas florestais públicas e as restrições de uso do solo, nos termos da lei.
Parágrafo 6° Os lotes destinados a assentamentos nunca serão inferiores ao módulo rural mínimo definido por lei, ficando vedada a concessão de título de domínio ou de uso de mais de um lote ao mesmo conjunto familiar.
Parágrafo 7° O título de domínio e a concessão de uso de imóveis rurais serão concedidos ao homem ou à mulher ou a ambos, independentemente de estado civil, nos termos da Constituição Federal.
Parágrafo 8° As terras devolutas do Estado, observado o disposto no art. 208 desta Constituição, terão prioridade para assentamento de trabalhadores rurais.
Artigo 157
A concessão do uso de terras públicas far-se-á por meio de contrato, onde constarão, obrigatoriamente, além de outras que forem estabelecidas pelas partes, cláusulas definidoras:
I - da exploração de terra, direta, pessoal, familiar, associativa ou cooperativa para cultivo ou qualquer outro tipo de exploração que atenda aos objetivos da política agrária, sob pena de reversão ao outorgante;
II - da residência permanente dos beneficiários na área objeto de contrato;
III - da indivisibilidade e intransferibilidade das terras, por parte dos outorgados e seus herdeiros, a qualquer título, sem autorização expressa e prévia do outorgante.
Artigo 158
Caberá ao Estado, em benefício dos projetos de assentamento:
I - estabelecer programas especiais de crédito, assistência técnica e extensão rural;
II - executar obras de infra-estrutura física e social;
III - estabelecer programas de fornecimento de insumos básicos e de serviços de mecanização agrícola;
IV - criar mecanismos de apoio à comercialização da produção;
V - estabelecer programas de pesquisas que subsidiem o diagnóstico e acompanhamento sócio-econômico dos assentamentos bem como seus levantamentos físicos.
Artigo 159
O Estado, adotando as medidas cabíveis:
I - disciplinará, por lei, tudo que se referir a produtos destinados a uso agrícola que ofereçam risco à vida, à flora, à fauna, e ao meio ambiente;
II - inspecionará, classificará e estabelecerá padrões de qualidade e sanidade, para comercialização de produtos agropecuários e subprodutos de origem animal e vegetal;
III - adotará medidas de defesa sanitária animal e vegetal e serviço de erradicação e prevenção de doenças e pragas que afetem o setor agrossilvopastoril;
IV - manterá serviço de assistência técnica e extensão rural, assegurando orientação prioritária ao micro e pequeno produtor sobre a produção agrossilvopastoril, sua organização, comercialização e preservação dos recursos naturais;
V - promoverá ações que visem à profissionalização no meio rural;
VI - criará, disciplinando-os em lei, fundos específicos para o desenvolvimento rural.
Artigo 160
No caso de aquisição, pelo Estado, de áreas destinadas à implantação de usinas hidrelétricas, é facultada ao proprietário a opção pelo pagamento em terras, compensando-se a qualidade pela quantidade.
Parágrafo único. O pagamento na forma prevista neste artigo dependerá de prévia autorização da Assembléia Legislativa.
Capítulo IV - Dos Recursos Naturais
Artigo 161
Compete ao Estado, na forma da lei, no âmbito de seu território, respeitada a política do meio ambiente:
I - instituir e manter sistema de gerenciamento dos recursos naturais;
II - o registro, o acompanhamento e a fiscalização do uso dos recursos naturais.
Artigo 162
As negociações sobre aproveitamento energético, de recursos hídricos, entre a União e o Estado e entre este e outras unidades da federação, devem ser acompanhadas por comissão parlamentar nomeada pela Assembléia Legislativa do Estado.
Artigo 163
O Estado fomentará a implantação, em seu território, de usinas hidrelétricas de pequeno porte, para o atendimento ao consumo local, respeitada a capacidade de suporte do meio ambiente.
Artigo 164
O Estado, na forma da lei, promoverá e incentivará a pesquisa do solo e subsolo e o aproveitamento adequado dos seus recursos naturais, sendo de sua competência:
I - organizar e manter os serviços de geologia e cartografia de âmbito estadual;
II - fornecer os documentos e mapeamentos geológico-geotécnicos necessários ao planejamento da ocupação do solo e subsolo, nas áreas urbana e rural, no âmbito regional e municipal.
Título VI - Da Ordem Social
Capítulo I - Da Seguridade Social
Seção I - Disposições Gerais
Artigo 165
O Estado, em ação conjunta e integrada com a União, Municípios e a sociedade, tem o dever de assegurar os direitos relativos à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à capacitação para o trabalho, à cultura e de cuidar da proteção especial da família, da mulher, da criança, do adolescente, do idoso e do índio.
Artigo 166
Cabe ao Estado garantir a coordenação e execução de uma política social que assegure:
I - a universalidade da cobertura e do atendimento;
II - a uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
III - a participação organizada da sociedade civil na definição e execução dos objetivos, permitindo que os segmentos interessados tenham participação nos programas sociais.
Seção II - Da Saúde
Artigo 167
A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à prevenção, redução e eliminação de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde para a sua promoção, proteção e recuperação.
Parágrafo único. Ao Estado, como integrante do sistema único de saúde, compete implementar ações destinadas a cumprir as atribuições referidas no art. 200 da Constituição Federal.
Artigo 168
As ações e serviços de saúde são de relevância pública, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita, preferencialmente, através de serviços oficiais e, supletivamente, através de serviços de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.
Artigo 169
As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema estadual de saúde, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - municipalização dos recursos, serviços e ações, com posterior regionalização dos mesmos, de forma a apoiar os Municípios;
II - integralidade na prestação das ações, preventivas e curativas, adequadas às realidades epidemiológicas;
III - integração da comunidade, através da constituição do Conselho Estadual de Saúde, com caráter deliberativo, garantida a participação dos usuários, prestadores de serviços e gestores, na forma da lei.
Artigo 170
O Estado dotará os serviços de saúde de meios adequados ao atendimento à saúde da mulher.
Artigo 171
A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
Parágrafo único. As instituições privadas poderão participar, de forma complementar, do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
Artigo 172
O Estado manterá o Fundo Estadual de Saúde, a ser criado na forma da lei, financiado com recursos dos orçamentos da seguridade social, da União, do Estado e dos Municípios, além de outras fontes.
Parágrafo 1° O volume dos recursos a esse fim destinados pelo Estado e Municípios será definido em suas respectivas leis orçamentárias.
Parágrafo 2° É vedada a destinação de recursos públicos para auxílio ou subvenções a instituições privadas com fins lucrativos.
Seção III - Da Assistência Social
Artigo 173
O Estado e os Municípios assegurarão, no âmbito de suas competências, a proteção e a assistência à família, especialmente à maternidade, à infância, à adolescência, e à velhice, bem como a educação do excepcional, na forma da Constituição Federal.
Artigo 174
As ações governamentais de assistência social, observada a competência da União, serão descentralizadas e integradas, cabendo ao Estado e Municípios a coordenação e execução, com participação das entidades beneficentes de assistência social e das comunidades.
Artigo 175
O Estado destinará, deduzidos os prêmios e as despesas operacionais, cinqüenta por cento do produto da arrecadação de concursos de prognósticos de números aos Municípios, para programas de assistência social e de apoio ao esporte amador.
Parágrafo Único. A lei estabelecerá critérios de proporcionalidade para a distribuição dos recursos referidos neste artigo.
Artigo 176
O Estado garantirá, na rede pública hospitalar, o atendimento para interrupção da gravidez, nos casos previstos em lei.
Capítulo II - Da Educação, da Cultura e do Desporto
Seção I - Da Educação
Artigo 177
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Artigo 178
O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condição para acesso e permanência na escola, vedada qualquer forma de discriminação e segregação;
II - gratuidade de ensino em estabelecimentos mantidos pelo Poder Público estadual, com isenção de taxas e contribuições de qualquer natureza;
III - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
IV - valorização dos profissionais do ensino, garantindo-se, na forma da lei, planos de carreira para todos os cargos do magistério público, piso salarial de acordo com o grau de formação profissional e ingresso, exclusivamente por concurso de provas e títulos, realizado periodicamente, sob o regime jurídico adotado pelo Estado;
V - garantia de padrão de qualidade em toda a rede e níveis de ensino a ser fixada em lei;
VI - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e religiosas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VII -asseguramento da pluralidade de oferta de ensino de língua estrangeira na rede pública estadual de educação.
Artigo 179
O dever do Poder Público, dentro das atribuições que lhe forem conferidas, será cumprido mediante a garantia de:
I - ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria;
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III - ensino público noturno, fundamental e médio, adequado às necessidades do educando, assegurado o mesmo padrão de qualidade do ensino público diurno;
IV - atendimento educacional especializado gratuito aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - organização do sistema estadual de ensino;
VII - assistência técnica e financeira aos Municípios para o desenvolvimento do ensino fundamental, pré-escolar e de educação especial;
VIII - atendimento ao educando, no ensino pré-escolar, fundamental, médio e de educação especial, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde;
IX - atendimento em creche e pré-escola às crianças de até seis anos de idade;
X - ampliação e manutenção da rede de estabelecimentos públicos de ensino fundamental e médio, independentemente da existência de escola mantida por entidade privada.
Parágrafo 1° O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
Parágrafo 2° O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilização da autoridade competente.
Parágrafo 3° Compete ao Poder Público estadual, com a colaboração dos Municípios, recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.
Parágrafo 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.
Parágrafo 5º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil.
Parágrafo 6º O Estado atuará prioritariamente no ensino fundamental e médio.
Parágrafo 7° Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. 179, inciso VIII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários, sem ônus para as verbas de educação previstas no art. 185 desta Constituição.
Parágrafo 8° Os programas suplementares de material didático-escolar e de transporte escolar poderão ingressar no cálculo previsto no art. 185 desta Constituição.
Artigo 180
As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa, extensão e ao da integração entre os níveis de ensino.
Parágrafo 1º As instituições de ensino superior atenderão, através de suas atividades de pesquisa e extensão, a finalidades sociais e tornarão públicos seus resultados.
Parágrafo 2º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei.
Parágrafo 3º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.
Artigo 181
As instituições de ensino superior do Estado terão recursos necessários à manutenção de pessoal, na lei orçamentária do exercício, em montante não inferior, em termos de valor real, ao do exercício anterior.
Artigo 182
O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições:
I - cumprimento das normas da educação nacional e estadual;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público competente.
Artigo 183
Compete ao Poder Público estadual normatizar e garantir a aplicação das normas e dos conteúdos mínimos para o ensino pré-escolar, fundamental, médio e de educação especial, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos universais, nacionais e regionais.
Parágrafo 1° O ensino religioso, de matrícula facultativa e de natureza interconfessional, assegurada a consulta aos credos interessados sobre o conteúdo programático, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
Parágrafo 2° O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
Artigo 184
O plano plurianual de educação estabelecido em lei objetivará a articulação e o desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, neles atendendo às necessidades apontadas em diagnósticos decorrentes de consultas a entidades envolvidas no processo pedagógico e à integração do Poder Público, visando à:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade de ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica.
Artigo 185
O Estado e os Municípios aplicarão anualmente vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino público.
Parágrafo único. A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União ao Estado e aos Municípios, ou pelo Estado aos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
Artigo 186
Os Municípios atuarão com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, nos programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental, em consonância com o sistema estadual de ensino.
Artigo 187
Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, objetivando atender a todas as necessidades exigidas pela universalização do ensino, sendo que, cumpridas tais exigências, poderão ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação;
II - ssegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades.
Parágrafo 1° Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsa de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares na rede pública, na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir, prioritariamente, na expansão de sua rede na localidade.
Parágrafo 2° A distribuição dos recursos assegurará prioritariamente o atendimento das necessidades do ensino obrigatório, nos termos do sistema estadual de educação.
Artigo 188
O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social de salário-educação, recolhida na forma da lei, pelas empresas, que dela poderão deduzir a aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes.
Artigo 189
O Poder Público estadual assegurará funções e cargos aos especialistas de educação do sistema estadual de ensino.
Seção II - Da Cultura
Artigo 190
A cultura, direito de todos e manifestação da espiritualidade humana, deve ser estimulada, valorizada, defendida e preservada pelos Poderes Públicos estadual e municipal, com a participação de todos os segmentos sociais, visando à realização dos valores essenciais da pessoa.
Parágrafo único. Fica assegurada pelo Estado a liberdade de expressão, criação e produção no campo artístico e cultural e garantidos, nos limites de sua competência, o acesso aos espaços de difusão e o direito à fruição dos bens culturais.
Artigo 191
Os bens materiais e imateriais referentes às características da cultura, no Paraná, constituem patrimônio comum que deverá ser preservado através do Estado, com a cooperação da comunidade.
Parágrafo único. Cabe ao Poder Público manter, a nível estadual e municipal, órgão ou serviço de gestão, preservação e pesquisa relativo ao patrimônio cultural paranaense, através da comunidade ou em seu nome.
Artigo 192
É dever do Estado assegurar ao trabalhador cultural a qualificação profissional inerente à especificidade de cada área em seu quadro funcional.
Parágrafo único. A lei estabelecerá normas de aprimoramento e valorização do trabalhador cultural, priorizando a mão-de-obra artística do Estado.
Artigo 193
Ao Estado incumbe manter seus órgãos e espaços culturais devidamente dotados de recursos humanos, materiais e financeiros, promovendo pesquisa, preservação, veiculação e ampliação de seus acervos, bem como proteger os espaços destinados às manifestações artístico-culturais.
Artigo 194
O Conselho Estadual de Cultura, organizado e regulamentado por lei, contará com a participação de categorias envolvidas com a produção cultural, com direito a voto.
Parágrafo único. A participação das categorias referidas neste artigo será observada também nos demais conselhos e comissões instituídos pelo Estado no âmbito cultural.
Artigo 195
O Poder Público garantirá e estimulará o intercâmbio entre os órgãos competentes, com o objetivo de:
I - assegurar, nos três níveis sistematizados de ensino, como forma de desenvolvimento e aprimoramento do potencial criativo do educando, um tratamento destacado às diversas áreas artístico-culturais;
II - assegurar tratamento especial à difusão da cultura paranaense.
Artigo 196
O orçamento estadual destinará recursos compatíveis com o desenvolvimento das atividades culturais e artísticas.
Seção III - Do Desporto
Artigo 197
É dever do Estado fomentar as atividades desportivas em todas as suas manifestações, como direito de cada um, assegurando:
I - autonomia das entidades desportivas e associações, quanto à organização e funcionamento;
II - destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do esporte educacional e amador;
III - incentivo a programas de capacitação de recursos humanos, à pesquisa e ao desenvolvimento científico aplicado à atividade esportiva;
IV - criação de medidas de apoio e valorização do talento desportivo;
V - estímulo à construção, manutenção e aproveitamento de instalações e equipamentos desportivos e destinação de área para atividades desportivas, nos projetos de urbanização pública, habitacionais e nas construções escolares;
VI - tratamento diferenciado para o desporto profissional e não profissional;
VII - equipamentos e instalações adequados à prática de atividades físicas e desportivas pelos portadores de deficiência.
Artigo 198
Caberá ao Estado estabelecer e desenvolver planos e programas de construções e instalações desportivas comunitárias para a prática do desporto popular.
Artigo 199
O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.
Capítulo III - Da Ciência e Tecnologia
Artigo 200
Cabe ao Poder Público, com a participação da sociedade, em especial as instituições de ensino e pesquisa, bem como as empresas públicas e privadas, promover o desenvolvimento científico e tecnológico e suas aplicações práticas, com vistas a garantir o desenvolvimento econômico e social paranaense.
Artigo 201
A pesquisa científica básica e a pesquisa tecnológica receberão, nessa ordem, tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso da ciência.
Artigo 202
A pesquisa, a capacitação e o desenvolvimento tecnológico voltar-se-ão, preponderantemente, para a elevação dos níveis de vida da população paranaense, através do fortalecimento e da constante modernização do sistema produtivo estadual.
Artigo 203
O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho.
Artigo 204
A lei apoiará e estimulará as empresas que propiciem:
I - investimentos em pesquisas e criação de tecnologia adequada ao sistema produtivo estadual;
II - investimentos em formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos;
III - participação dos empregados em seus lucros.
Artigo 205
O Estado destinará, anualmente, uma parcela de sua receita tributária, não inferior a dois por cento, para o fomento da pesquisa científica e tecnológica, que será destinada em duodécimos, mensalmente, e será gerida por órgão específico, com representação paritária do Poder Executivo e das comunidades científica, tecnológica, empresarial e trabalhadora, a ser definida em lei.
Capítulo IV - Da Comunicação Social
Artigo 206
O Estado, dando prioridade à cultura regional, estimulará a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, as quais não sofrerão restrição, observados os princípios da Constituição Federal.
Capítulo V - Do Meio Ambiente
Artigo 207
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Estado, aos Municípios e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações presente e futuras, garantindo-se a proteção dos ecossistemas e o uso racional dos recursos ambientais.
Parágrafo 1 ° Cabe ao Poder Público, na forma da lei, para assegurar a efetividade deste direito:
I - estabelecer, com a colaboração de representantes de entidades ecológicas, de trabalhadores, de empresários e das universidades, a política estadual do meio ambiente e instituir o sistema respectivo constituído pelos órgãos do Estado, dos Municípios e do Ministério Público;
II - atribuir, ao órgão responsável pela coordenação do sistema, a execução e fiscalização da política e a gerência do fundo estadual do meio ambiente;
III - determinar que o fundo estadual do meio ambiente receba, além dos recursos orçamentários próprios, o produto das multas por infrações às normas ambientais;
IV - instituir as áreas a serem abrangidas por zoneamento ecológico, prevendo as formas de utilização dos recursos naturais e a destinação de áreas de preservação ambiental e de proteção de ecossistemas essenciais;
V - exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental para a construção, instalação, reforma, recuperação, ampliação e operação de atividades ou obras potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente, do qual se dará publicidade;
VI - exigir a análise de risco para o desenvolvimento de pesquisas, difusão e implantação de tecnologia potencialmente perigosa;
VII - determinar àquele que explorar recursos minerais a obrigação de recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente;
VIII - regulamentar e controlar a produção, a comercialização, as técnicas e os métodos de manejo e utilização das substâncias que comportem risco para a vida e para o meio ambiente, em especial agrotóxicos, biocidas, anabolizantes, produtos nocivos em geral e resíduos nucleares;
IX - informar à população sobre os níveis de poluição e situações de risco e desequilíbrio ecológico;
X - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
XI - incentivar a solução de problemas comuns relativos ao meio ambiente, mediante celebração de acordos, convênios e consórcios, em especial para a reciclagem de resíduos;
XII - promover o controle, especialmente preventivo, das cheias, da erosão urbana, periurbana e rural e a orientação para o uso do solo;
XIII - autorizar a exploração dos remanescentes de florestas nativas do Estado somente através de técnicas de manejo, excetuadas as áreas de preservação permanente;
XIV - proteger a fauna, em especial as espécies raras e ameaçadas de extinção, vedadas as práticas que coloquem em risco a sua função ecológica ou submetam os animais à crueldade;
XV - proteger o patrimônio de reconhecido valor cultural, artístico, histórico, estético, faunístico, paisagístico, arqueológico, turístico, paleontológico, ecológico, espeleológico e científico paranaense, prevendo sua utilização em condições que assegurem a sua conservação;
XVI - monitorar atividades utilizadoras de tecnologia nuclear em quaisquer de suas formas, controlando o uso, armazenagem, transporte e destinação de resíduos, garantindo medidas de proteção às populações envolvidas;
XVII - estabelecer aos que, de qualquer forma utilizem economicamente matéria-prima florestal, a obrigatoriedade, direta ou indireta, de sua reposição;
XVIII - incentivar as atividades privadas de conservação ambiental;
XIX - declarar, como área de preservação permanente, o remanescente das matas ciliares dos mananciais de bacias hidrográficas que abasteçam os centros urbanos.
Parágrafo 2° As condutas e atividades poluidoras ou consideradas lesivas ao meio ambiente, na forma da lei, sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas:
I - a obrigação de, além de outras sanções cabíveis, reparar os danos causados;
II - a medidas definidas em relação aos resíduos por elas produzidos;
III - a cumprir diretrizes estabelecidas por órgão competente.
Parágrafo 3º As empresas que desenvolvam atividades potencialmente poluidoras, ou atividades que provoquem outras formas de degradação ao meio ambiente de impacto significativo, deverão por ocasião do registro de seus atos constitutivos na junta comercial, bem como, quando da criação de novas filiais ou novos empreendimentos, apresentar a licença ambiental emitida pelo órgão competente.
Parágrafo 4° A lei disporá especificamente sobre a reposição das matas ciliares.
Artigo 208
São indisponíveis as terras devolutas ou as arrecadadas pelo Estado, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
Artigo 209
Observada a legislação federal pertinente, a construção de centrais termoelétricas e hidrelétricas dependerá de projeto técnico de impacto ambiental e aprovação da Assembléia Legislativa; a de centrais termonucleares, desse projeto, dessa aprovação e de consulta plebiscitária.
Capítulo VI - Do Saneamento
Artigo 210
O Estado, juntamente com os Municípios, instituirá, com a participação popular, programa de saneamento urbano e rural, com o objetivo de promover a defesa preventiva da saúde pública, respeitada a capacidade de suporte do meio ambiente aos impactos causados.
Parágrafo único. O programa será regulamentado mediante lei e orientado no sentido de garantir à população:
I - abastecimento domiciliar prioritário de água tratada;
II - coleta, tratamento e disposição final de esgotos sanitários e resíduos sólidos;
III - drenagem e canalização de águas pluviais;
IV - proteção de mananciais potáveis;
Artigo 211
É de competência comum do Estado e dos Municípios implantar o programa de saneamento, cujas premissas básicas serão respeitadas quando da elaboração dos planos diretores municipais.
Capítulo VII - Da Habitação
Artigo 212
A política habitacional do Estado, integrada à da União e Municípios, objetivará a solução de carência habitacional de acordo com os seguintes princípios e critérios:
I - ofertas de lotes urbanizados;
II - estímulo e incentivo à formação de cooperativas populares de habitação;
III - atendimento prioritário à família carente;
IV - formação de programas habitacionais pelo sistema de mutirão e autoconstrução.
Artigo 213
As entidades da administração direta e indireta, responsáveis pelo setor habitacional, contarão com recursos orçamentários próprios e de outras fontes, com vistas à implantação da política habitacional do Estado.
Capítulo VIII - Da Família, da Mulher, da Criança, do Adolescente e do Idoso
Artigo 214
A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado, na forma da Constituição Federal.
Artigo 215
O Estado manterá programas destinados à assistência e promoção integral da família, incluindo:
I - assistência social às famílias de baixa renda;
II - serviços de prevenção e orientação, bem como recebimento e encaminhamento de denúncias referentes à violência no âmbito das relações familiares;
III - implantação de albergues destinados ao recolhimento provisório de pessoas vítimas de violência familiar;
IV - o planejamento familiar, nos termos da Constituição Federal.
Artigo 216
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao deficiente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Parágrafo único. A lei disporá sobre a criação, organização, composição e competência do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente.
Artigo 217
O Estado incentivará as entidades particulares sem fins lucrativos, atuantes na política do bem-estar da criança, do adolescente, da pessoa portadora de deficiência e do idoso, devidamente registradas nos órgãos competentes, subvencionando-as com auxílio financeiro e amparo técnico.
Artigo 218
O Estado subsidiará a família ou pessoa que acolher criança ou adolescente órfão ou abandonado, sob forma de guarda deferida e supervisionada pelo Poder Judiciário, com a intervenção do Ministério Público, nos termos da lei.
Artigo 219
O Conselho Estadual da Condição Feminina é órgão governamental de assessoramento, instituído por lei, com o objetivo de promover e zelar pelos direitos da mulher, propondo estudos, projetos, programas e iniciativas que visem a eliminar a discriminação contra a mulher em todos os aspectos, em integração com os demais órgãos do Governo.
Parágrafo 1° O Conselho Estadual da Condição Feminina terá estrutura administrativa e dotação orçamentária.
Parágrafo 2° O Conselho Estadual da Condição Feminina propugnará pela dignidade da mulher, compreendida como direito à educação, ao trabalho, à saúde, à cultura, à maternidade, à integridade física e moral, sem qualquer discriminação, promovendo-a como cidadã em todos os aspectos da vida econômica, social, política e cultural.
Artigo 220
O Estado, com a participação dos Municípios e da sociedade, promoverá programas de assistência integral à criança e ao adolescente, observadas, entre outras, as seguintes diretrizes:
I - aos portadores de deficiência, visando à sua integração comunitária:
a) - prevenção e atendimento especializado;
b) - educação e capacitação para o trabalho;
c) - acesso a bens e serviços coletivos com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos;
II - incentivo à prática de desportos e realização de eventos com participação financeira de empresas privadas e estatais;
III - prevenção e atendimento especializado à criança e ao adolescente dependentes de entorpecentes e drogas afins, com estrutura física, administrativa e de recursos humanos multidisciplinares;
IV - realização de cursos, palestras e outras atividades afins para a orientação programática e pedagógica, especialmente em campanhas antitóxicos.
Artigo 221
A lei criará, quando da elaboração do Código de Organização e Divisão Judiciárias, varas especializadas e exclusivas para o atendimento dos direitos dos menores nas comarcas de entrância final.
Artigo 222
A lei disporá sobre a construção de logradouros e de edifícios de uso público, adaptação de veículos de transporte coletivo e sonorização dos sinais luminosos de trânsito, adequando-se-os à utilização por pessoas portadoras de deficiência.
Parágrafo único. O Estado promoverá o apoio necessário aos idosos e deficientes para fins de recebimento do salário mínimo mensal, previsto no art. 203, V, da Constituição Federal.
Artigo 223
A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação e plena integração na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e propiciando-lhes fácil acesso aos bens e serviços coletivos.
Parágrafo único. Os programas de amparo aos idosos, visando à superação de qualquer tratamento discriminatório, serão executados preferencialmente em seus lares.
Artigo 224
É garantida a gratuidade nos transportes coletivos urbanos e das regiões metropolitanas aos maiores de sessenta e cinco anos e às pessoas portadoras de deficiência que comprovem carência de recursos financeiros.
Artigo 225
Ao adolescente carente, vinculado a programas sociais ou internado em estabelecimento oficial, que esteja freqüentando escola de primeiro ou segundo graus, ou de educação especial, será assegurado, na forma da lei, a título de iniciação ao trabalho, o direito a estágio remunerado em instituições públicas estaduais.
Capítulo IX - Do Índio
Artigo 226
As terras, as radições, usos e costumes dos grupos indígenas do Estado integram o seu patrimônio cultural e ambiental, e como tais serão protegidos.
Parágrafo único. Esta proteção estende-se ao controle das atividades econômicas que danifiquem o ecossistema ou ameacem a sobrevivência física e cultural dos indígenas.
Título VII - DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS
Artigo 227
O Conselho Permanente dos Direitos Humanos terá a sua organização,
composição e funcionamento regulados por lei, nele garantindo-se a participação de
representantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, do Ministério Público,
da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Paraná, e de associações representativas
da comunidade.
Artigo 228
O Conselho Estadual de Educação, órgão deliberativo, normativo e
consultivo, será regulamentado por lei, garantidos os princípios de autonomia e
representatividade na sua composição.
Artigo 229
A lei disporá sobre a organização, composição e competência do
Conselho Estadual do Meio Ambiente.
Artigo 230
A lei instituirá o Fundo Estadual de Cultura, formado com recursos
extra-orçamentários, gerido pelo Conselho Estadual de Cultura e destinado ao
atendimento de pesquisa, produção artístico-cultural e preservação do patrimônio.
Parágrafo único. O Estado estimulará, através dos meios de comunicação, a
captação dos recursos oriundos de incentivos fiscais e de outra ordem.
Artigo 231
O Estado implantará e manterá bibliotecas públicas e escolares em
número compatível com a densidade populacional e clientela escolar, respectivamente,
destinando às mesmas verbas suficientes para aquisição e reposição de acervos e
manutenção de recursos humanos especializados.
Artigo 232
O Estado implantará, de acordo com as diretrizes do sistema único
de saúde, em cada Município, serviço odontológico de atendimento à população escolar.
Artigo 233
Os servidores públicos civis estáveis, da administração direta,
autárquica e das fundações públicas estaduais, serão regidos pelo Estatuto dos
Funcionários Civis do Estado, a partir da promulgação desta Constituição.
Parágrafo único. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para o
cumprimento do disposto neste artigo, farão a devida adequação em seus quadros
funcionais.
Artigo 234
O Estado publicará anualmente, no mês de março, a relação completa
dos servidores lotados por órgão ou entidade, da administração pública direta, indireta
e fundacional, em cada um de seus Poderes, indicando o cargo ou função e o local de
seu exercício, para fins de recenseamento e controle.
Artigo 235
É assegurado aos servidores públicos e aos militares estaduais, na
forma da lei, a percepção do beneficio do vale-transporte.
Artigo 236
A administração do tráfego rodoviário estadual compete ao órgão
responsável, pelas estradas de rodagem e sua execução dar-se-á em harmonia com a
Polícia Militar, na forma da lei.
Artigo 237
O Estado do Paraná instalará, progressivamente, no âmbito da
segurança pública, delegacias de polícia nos Municípios, especializadas no trato de
assuntos referentes à integridade física e moral da mulher.
Parágrafo único. Até que se instale a delegacia especializada, será implantado
o serviço de atendimento à mulher junto às delegacias policiais nos Municípios.
Artigo 238
É vedada a alteração de nomes dos próprios públicos estaduais e
municipais que contenham nomes de pessoas, fatos históricos ou geográficos, salvo
para correção ou adequação aos termos da lei; é vedada também a inscrição de
símbolos ou nomes de autoridades ou administradores em placas indicadoras de obras
ou em veículo de propriedade ou a serviço da administração pública direta, indireta ou
fundacional do Estado, a partir da promulgação dessa Constituição, inclusive a atribuição
de nome de pessoa viva a bem público de qualquer natureza, pertencente ao Estado
ou ao Município.
Artigo 239
O Estado promoverá a assistência a homens e mulheres internos e
egressos do sistema penal, inclusive aos albergados, visando a sua reintegração à
sociedade.
Artigo 240
As disponibilidades de caixa do Estado, das entidades do Poder Público
e das empresas por ele controladas, serão depositadas em instituições financeiras
oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.
Parágrafo único. As transferências ou repasses de recursos públicos ao
Municípios deverão ser efetuados através das instituições referidas nesse artigo.
Artigo 241
É assegurado aos proprietários de um único imóvel rural, com área
inferior a quinze hectares, que tenham título definitivo expedido até 31 de dezembro
de 1988 o direito de, excluídas as matas ciliares, utilizarem, no máximo, oitenta por
cento da área para atividade agropecuária, desde que não averbada no registro de
imóveis como de preservação permanente.
Artigo 242
Os serviços notariais, de registro e as serventias judiciais cíveis,
comuns e especializadas, são exercidas em caráter privado, por delegação do Poder
Público.
§ 1° A lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal
dos notários, oficiais de registro e escrivães e de seus prepostos e definirá a fiscalização
de seus atos pelo Poder Judiciário.
§ 2° O ingresso na atividade notarial, de registro e judicial, depende de concurso
público de provas de títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem
abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses.
Artigo 243
A consultoria jurídica e a representação judicial, no que couber, do
Poder Legislativo, bem como a supervisão dos seus serviços de assessoramento jurídico
são exercidas pelos procuradores que integram a Procuradoria da Assembléia
Legislativa, vinculada à Mesa Executiva.
§ 1° Os procuradores da Assembléia Legislativa opinarão nos procedimentos
administrativos concernentes ao controle da legalidade dos atos internos e promoverão
a defesa dos interesses do Poder Legislativo, incluídos os de natureza financeiroorçamentária.
§ 2° A Procuradoria da Assembléia Legislativa será dirigida pelo Procurador-
Geral, nomeado pelo Presidente da Assembléia, dentre cidadãos de reputação ilibada,
maiores de trinta e cinco anos e de notório saber jurídico.
§ 3º Aos Procuradores da Assembléia Legislativa aplica-se, no que couber, o
regime de direitos, garantias e vencimentos dos integrantes da carreira disciplinada no
art. 125 desta Constituição.
Artigo 244
O Estado destinará recursos orçamentários às casas de estudantes.
Artigo 245
ADIN 584-7. O STF, por maioria, deferiu a medida cautelar, suspendendo
a eficácia deste artigo. Mérito aguardando julgamento.
Redação do artigo: “Art. 245. Toda importância recebida pelo Estado, da União
Federal, a título de indenização ou pagamento de débito, ficará retida à disposição do
Poder Judiciário, para pagamento, a terceiros, de condenações judiciais decorrentes da
mesma origem da indenização e ou do pagamento.”
Artigo 246
Fica concedida pensão mensal correspondente a 50% dos subsídios fixos
dos Deputados Estaduais aos Deputados Constituintes de 1947.
Parágrafo único. O benefício de que trata este artigo é de caráter pessoal e
intransferível.
Artigo 247
O Poder Público estadual reconhecerá os conselhos comunitários, legalmente
constituídos e representativos da sociedade civil, com a finalidade de acompanhar
e fiscalizar o cumprimento dos dispositivos constitucionais referentes ao ensino e à
educação no âmbito da competência estadual, na forma da lei.
Artigo 248
A contribuição social do salário-educação, de que trata o art. 188 desta
Constituição, deve ser transferida de imediato à Secretaria de Estado da Educação.
Artigo 249
O Estado estimulará e apoiará o desenvolvimento de programas voltados
ao esclarecimento sobre os malefícios das substâncias capazes de gerar dependência no
organismo humano.
Artigo 250
No caso da superveniência de alteração legislativa estadual que prejudique
direito previsto em lei, o Estado assumirá, desde logo, através do Poder competente,
todos os encargos necessários para assegurar a integral fruição do direito por quem,
oportunamente, o tenha adquirido.
Artigo 251
ADIN 115-9 – O STF por unanimidade declarou a inconstitucionalidade
deste artigo. Decisão proferida em 22/04/93.
Redação Anterior: “Art. 251. Os vencimentos dos auditores e procuradores do Tribunal de
Contas do Estado não serão inferiores a 95% (noventa e cinco por cento) dos vencimentos
dos Conselheiros.”
Artigo 252
A Casa do Expedicionário é monumento de valor histórico, com a proteção
do Estado, mantida sua administração pela Legião Paranaense do Expedicionário.
Parágrafo único. O Estado destinará recursos orçamentários para a
manutenção da instituição.
Artigo 253
O Estado promoverá ações discriminatórias sobre imóveis urbanos e rurais
irregulares.
Parágrafo único. Os imóveis arrecadados através dessas ações discriminatórias
serão destinados a projetos de recuperação ambiental, programas habitacionais e
assentamentos rurais.
Artigo 254
O Estado instituirá creches nos presídios femininos, assegurando-se às mães
internas o direito a permanecer com o filho, no período de aleitamento.
Artigo 255
Fica assegurado, pelo Estado, o sistema de previdência e assistência dos
membros e servidores do Poder Legislativo, sendo o seu funcionamento regulado na
forma da lei.
Artigo 256
O Estado e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios
públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão
associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos,
serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
Artigo 257
As leis previstas no inc. III do §1° do art. 41 e no §7° do art. 169 da
Constituição Federal estabelecerão critérios e garantias especiais para a perda do cargo
pelo servidor público estável que, em decorrência das atribuições de seu cargo efetivo,
desenvolva atividades exclusivas de Estado.
Parágrafo único. Na hipótese de insuficiência de desempenho, a perda do cargo
somente ocorrerá mediante processo administrativo em que lhe sejam assegurados o
contraditório e a ampla defesa.
Artigo 258
Os benefícios pagos, a qualquer título, pelo órgão responsável pelo regime
geral de previdência social, ainda que à conta do Tesouro do Estado, e os não sujeitos
ao limite máximo de valor fixado para os benefícios concedidos por esse regime
observarão os limites fixados no art. 37, XI, da Constituição Federal.
Artigo 259
Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento de proventos de
aposentadoria e pensões concedidas aos respectivos servidores e seus dependentes,
em adição aos recursos dos respectivos tesouros, o Estado e os Municípios poderão
constituir fundos integrados pelos recursos provenientes de contribuições e por bens,
direitos e ativos de qualquer natureza, mediante lei que disporá sobre a natureza e
administração desses fundos.
Título VIII - ATO DAS DISPOSIÇÕES COSTITUCIONAIS TRANSITORIAS
Artigo 1º
O Governador do Estado, o Presidente do Tribunal de Justiça e os Deputados
da Assembléia Constituinte Estadual, no ato e na data de sua promulgação, prestarão
o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição do Estado do Paraná.
Artigo 2º
A revisão constitucional será realizada pelo voto da maioria absoluta dos
membros da Assembléia Legislativa do Estado, logo após a revisão da Constituição
Federal, prevista no art. 3° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias daquela Carta.
Artigo 3º
Os mandatos do Governador e do Vice-Governador do Estado, eleitos em 15
de novembro de 1986, terminarão no dia 15 de março de 1991.
Artigo 4º
vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como
os proventos de aposentadorias que estejam sendo percebidos em desacordo com
a Constituição Federal e esta, serão imediatamente reduzidos aos limites delas
decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido, ou
percepção de excesso a qualquer título.
Artigo 5º
É assegurada a acumulação de 2 (dois) cargos ou empregos privativos de
médico, na Administração pública direta ou indireta, aos médicos militares no
exercício destes, na data da promulgação da Constituição Federal.
Parágrafo único. É assegurada a acumulação de 2 (dois) cargos ou empregos
privativos de profissionais de saúde, na Administração pública direta e indireta, àqueles
em exercício destes, na data da promulgação da Constituição Federal.
Artigo 6º
O Governador do Estado, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da
promulgação desta Constituição, encaminhará à Assembléia Legislativa, anteprojeto
de lei objetivando regulamentar a carreira da Defensoria Pública.
Parágrafo único. A Assembléia Legislativa regulamentará, no mesmo prazo, o
quadro de carreira de todos os seus servidores.
Artigo 7º
No prazo máximo de um ano, a contar da promulgação desta Constituição, a
Assembléia Legislativa, através de comissão especial que atuará com o auxílio do Tribunal
de Contas do Estado, promoverá auditoria da dívida externa do Estado do Paraná.
Parágrafo único. A comissão terá força legal e prerrogativas de comissão
parlamentar de inquérito, garantida tanto quanto possível a participação proporcional
dos partidos ou blocos parlamentares com representação na Assembléia Legislativa.
Artigo 8º
Os titulares das escrivanias judiciais cíveis, comuns e especializadas,
remunerados por custas processuais, não pertencerão ao quadro efetivo de servidores
públicos estaduais, preservado os direitos dos atuais titulares, ou mediante opção.
Parágrafo único. No caso das serventias judiciais privativas de família, as
mesmas obedecerão o caput do presente artigo, sendo que na medida em que ocorrerem
vacâncias as mesmas serão estatizadas, obedecido o critério de antigüidade, cabendo
a seus atuais titulares o direito de prioridade na designação, bem como no pedido de
efetivação ou remoção requerido pelos mesmos, para outro oficio vago da mesma ou de
outra natureza, somente na mesma Comarca e não remunerados pelos cofres públicos.
Artigo 9º
Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante
a Segunda Guerra Mundial, nos termos da Lei Federal n° 5.315, de 12 de setembro de
1967, serão assegurados todos os direitos que a Constituição Federal lhe outorga.
Artigo 10
O Estado, no prazo máximo de 2 (dois) anos a partir da data da promulgação
desta Constituição, adotará as medidas administrativas necessárias à identificação e
delimitação de seus imóveis, inclusive terras devolutas.
Parágrafo único. Do processo de identificação participará comissão técnica
da Assembléia Legislativa.
Artigo 11
A Imprensa Oficial do Estado promoverá edição popular do texto integral
desta Constituição, que será posta à disposição das escolas, dos cartórios, dos sindicatos,
dos quartéis, das igrejas, das bibliotecas e de outras instituições representativas da
comunidade, gratuitamente.
Artigo 12
A Assembléia Legislativa criará, dentro de 90 (noventa) dias da promulgação
desta Constituição, uma comissão para apresentar estudos sobre as implicações da
nova Constituição e anteprojetos de legislação complementar.
Parágrafo único. A comissão a que se refere este artigo ouvirá, em audiência
pública e desde que julgue necessário, cidadãos paranaenses de notórios conhecimentos
pertinentes às matérias objeto de seus estudos.
Artigo 13
No prazo de 180 (cento e oitenta) dias da promulgação desta Constituição,
a lei disporá sobre mecanismos de compensação financeira para os Municípios que
sofrerem diminuição ou perda de receita por atribuições e funções decorrentes do
planejamento estadual.
Artigo 14
O Estado articular-se-á com os municípios para promover, no prazo de 180
(cento e oitenta) dias da promulgação desta Constituição, o recenseamento escolar
prescrito pela Constituição Federal.
Artigo 15
O Estado fará, no prazo de um ano da promulgação desta Constituição,
a restauração dos caminhos históricos e de colonização existentes em seu território,
permitindo-se a sua utilização, em respeito às servidões de passagens estabelecidas
como instrumento de integração social, econômica e cultural, asseguradas a sua
permanente conservação e a proteção do meio ambiente.
Parágrafo único. O Estado, para viabilizar os objetivos deste artigo, instituirá
mecanismos para a organização, planejamento e execução de ações integradas com os
municípios e microrregiões envolvidas.
Artigo 16
A lei agrícola estadual será elaborada e promulgada no prazo de 6 (seis) meses,
após o início da vigência da lei agrícola federal.
Artigo 17
Até a promulgação da lei complementar referida no art. 169 da Constituição
Federal, o Estado e os Municípios não poderão despender, com pessoal, mais do que
65% do valor das respectivas receitas correntes.
Parágrafo único. O Estado e os Municípios, quando a respectiva despesa de
pessoal exceder o limite previsto neste artigo, deverão retornar àquele limite, reduzindo
o percentual excedente à razão de um quinto por ano.
Artigo 18
97
Nos 10 (dez) primeiros anos da promulgação desta Emenda os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios destinarão não menos de 60% dos recursos a que se
refere o caput do art. 212 da Constituição Federal, à manutenção e ao desenvolvimento
do ensino fundamental, com o objetivo de assegurar a universalização de seu
atendimento e a remuneração condigna do magistério.
§ 1º. A distribuição de responsabilidades e recursos entre os Estados e seus
Municípios a ser concretizada com parte dos recursos definidos neste artigo, na forma do
disposto no art. 211 da Constituição Federal, é assegurada mediante a criação, no âmbito
de cada Estado e do Distrito Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, de natureza contábil.
§ 2º. O Fundo referido no parágrafo anterior será constituído por, pelo menos,
15% dos recursos a que se referem os arts. 155, II; 158, IV; e 159, I, alíneas a e b; e
II, da Constituição Federal, e será distribuído entre cada Estado e seus Municípios,
proporcionalmente ao número de alunos nas respectivas redes de ensino fundamental.
§ 3º. A União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o § 1º
deste artigo, sempre que, em cada Estado e no Distrito Federal, seu valor por aluno
não alcançar o mínimo definido nacionalmente.
§ 4º. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ajustarão
progressivamente, em um prazo de 5 (cinco) anos, suas contribuições ao Fundo,
de forma a garantir um valor por aluno correspondente a um padrão mínimo de
qualidade de ensino, definido nacionalmente.
§ 5º. Uma proporção não inferior a 60% dos recursos de cada Fundo
referido no § 1º deste artigo, será destinada ao pagamento dos professores do ensino
fundamental em efetivo exercício no magistério.
98
§ 6º. A União aplicará na erradicação do analfabetismo e na manutenção e
no desenvolvimento do ensino fundamental, inclusive na complementação a que se
refere o § 3º deste artigo, nunca menos que o equivalente a 30% dos recursos a que se
refere o caput do art. 212 da Constituição Federal.
§ 7º. A lei disporá sobre a organização dos Fundos, a distribuição proporcional
de seus recursos, sua fiscalização e controle, bem como sobre a forma de cálculo do
valor mínimo nacional por aluno.
Artigo 19
No mesmo prazo do artigo anterior, o Estado dará apoio às universidades
públicas estaduais no sentido da descentralização de suas atividades, de modo a
estender suas unidades de ensino superior às cidades de maior densidade populacional
nas respectivas microrregiões.
Artigo 20
O Poder Executivo iniciará a implantação, no prazo máximo de 4 (quatro)
anos da promulgação desta Constituição, de uma estação ecológica em cada uma das
unidades fisiográficas características do Paraná e, pelo menos, de um parque estadual
em áreas representativas da Serra do Mar, dos Campos Gerais, da Floresta de Araucária
e das escarpas do segundo e terceiro planaltos.
Artigo 21
A Assembléia Legislativa, no prazo de 90 (noventa) dias da promulgação
desta Constituição, criará comissão especial suprapartidária para rever as doações,
vendas e concessões de imóveis públicos rurais e urbanos, concretizadas no período de
1° de janeiro de 1962 a 31 de dezembro de 1987.
§ 1°. No tocante às vendas, a revisão será feita com base exclusivamente no
critério de legalidade da operação.
§ 2°. No caso das concessões e doações, a revisão obedecerá aos critérios de
legalidade, de conveniência do interesse público e destinação legal.
§ 3°. Nas hipóteses previstas nos parágrafos anteriores, comprovada a
ilegalidade ou havendo interesse público, os imóveis reverterão ao patrimônio do
Estado ou dos Municípios.
Artigo 22
Até a entrada em vigor da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9°, I
e II, da Constituição Federal, serão obedecidas as seguintes normas:
I - o projeto do plano plurianual, para a vigência até o final do primeiro
exercício financeiro do mandato do Governador subseqüente, será encaminhado até 3
(três) meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro e devolvido para
sanção até o encerramento da sessão legislativa.
II - o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até 8
(oito) meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para
sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa.
III - o projeto de lei orçamentária do Estado será encaminhado até 3
(três) meses antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até
o encerramento de sessão legislativa.
Parágrafo único. Os prazos fixados neste artigo vigorarão a partir de 1° de
janeiro de 1990.
Artigo 23
A legislação que criar a Justiça de Paz manterá os atuais juízes de paz até a
posse dos novos titulares, assegurando-lhes os direitos e atribuições conferidas a estes,
e designará o dia para a eleição prevista no art. 98, II, da Constituição Federal.
Artigo 24
O Estado implantará emissora de televisão, de caráter educativo e cultural,
vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, devendo sua programação dar prioridade
à produção e à difusão dos valores culturais paranaenses.
Artigo 25
ADIN 483-2. O STF declarou inconstitucional este artigo em 25/04/2001.
Decisão publicada em 01/02/2002.
Redação Anterior: “Art. 25. O servidor público estadual estável que, na data da
promulgação desta Constituição, estiver à disposição de órgão diferente daquele de sua
lotação de origem, por tempo superior a um ano, poderá requerer, no prazo de noventa
dias, a permanência no órgão em que se encontra prestando serviços, sendo neste, ainda que
de outro Poder, definitivamente enquadrado em cargo de remuneração equivalente, desde
que haja interesse da administração pública, que decidirá no mesmo prazo.
Parágrafo único – O exercício da opção, desde que deferida, extingue o cargo
ou emprego público no órgão de origem.”
Artigo 26
O Estado relacionará, no prazo de 90 (noventa) dias, os presos em regime de
cumprimento de pena definitiva, a fim de se evitar a privação da liberdade por tempo
superior à condenação.
Parágrafo único. A relação será enviada, no prazo de 15 (quinze) dias, aos
juízes de execução penal.
Artigo 27
O Estado relacionará, no prazo de 90 (noventa) dias, os presos em regime de
cumprimento de pena definitiva, a fim de se evitar a privação da liberdade por tempo
superior à condenação.
Parágrafo único. A relação será enviada, no prazo de 15 (quinze) dias, aos
juízes de execução penal.
Artigo 28
O Poder Legislativo regulamentará, através de lei, no prazo de 180 (cento e
oitenta) dias da promulgação desta Constituição, o disposto no seu art. 27, inciso XI.
Artigo 29
Revogado pela Emenda Constitucional nº 16/2005.
Redação Anterior: “Fica mantida a atual competência dos Tribunais, até que sejam
instalados os Tribunais de Alçada criados por esta Constituição.”
Artigo 30
A phartir de 1990, todas as entidades que estejam recebendo recursos serão
submetidas a um reexame para a verificação de sua condição de utilidade pública
estadual ou benemerência, na forma da lei.
Artigo 31
Ficam revogados, a partir da promulgação desta Constituição, todos
os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgãos do Poder Executivo,
competência assinalada pela Constituição à Assembléia Legislativa.
Artigo 32
O Estado, em colaboração com o Município e a comunidade de Palmeira, e
sob a coordenação da Secretaria de Estado da Cultura, reconstituirá, dentro de 2 (dois)
anos da promulgação desta Constituição, parte da Colônia Cecília, fundada nesse
Município, no século XIX, para a preservação de seus caracteres histórico-culturais.
Artigo 33
O disposto no art. 125, § 3°, I, desta Constituição não se aplica aos atuais
procuradores do Estado.
Artigo 34
Em fevereiro de 1993, será criada uma comissão com representantes dos
Poderes Legislativo, Executivo, e Judiciário, sem prejuízo da colaboração da União
e dos Municípios interessados, para promover as comemorações do centenário da
Revolução Federalista, em 9 de fevereiro de 1994.
Artigo 35
Em fevereiro de 1993, será criada uma comissão com representantes dos
Poderes Legislativo, Executivo, e Judiciário, sem prejuízo da colaboração da União
e dos Municípios interessados, para promover as comemorações do centenário da
Revolução Federalista, em 9 de fevereiro de 1994.
Artigo 36
O Estado promoverá concorrência pública entre firmas nacionais,
internacionais ou grupos de empresas, para a construção de uma ponte sobre a baía de
Guaratuba, cujo pagamento será feito com a cobrança de pedágio pelo prazo máximo
de 15 (quinze) anos.
Parágrafo Único. O Poder Executivo regulamentará, no prazo de 120 (cento
e vinte) dias da promulgação desta Constituição, o disposto neste artigo.
Artigo 37
Os servidores públicos que não gozaram férias referentes aos exercícios anteriores
a 1989, inclusive, e nem por eles receberam qualquer compensação pecuniária, poderão
transformar o período correspondente em tempo de serviço em dobro.
Artigo 38
Os débitos do Estado relativos às contribuições previdenciárias junto ao
Instituto de Previdência do Estado - IPE, existentes até a data da promulgação desta
Constituição, serão liquidados, com correção monetária ou equivalente, em 180 (cento
e oitenta) prestações, dispensados os juros e multas sobre eles incidentes, divididos em
parcelas mensais de igual valor, na forma da lei.
Artigo 39
Aos prejudicados pelos atos institucionais que ainda não tiveram seus direitos
reconhecidos administrativa ou judicialmente fica assegurado, mediante requerimento
dirigido e aprovado pelo chefe do Poder, a que estavam vinculados, o restabelecimento
de todas as vantagens e direitos de que foram privados pela medida de exceção.
§ 1°. Não serão beneficiados os que tenham tido suas pretensões apreciadas
pelo Poder Judiciário e merecido sentença em contrário transitada em julgado.
§ 2°. Todos os processos que estabelecerem estes benefícios deverão ser
apreciados pelo Tribunal de Contas do Estado, que deverá se pronunciar no prazo de
30 (trinta) dias da data de seu recebimento.
§ 3°. Os servidores públicos civis estaduais e os empregados em todos os
níveis do Governo do Estado ou em suas fundações, empresas públicas ou empresas
mistas sob controle estatal, beneficiados pelo disposto no art. 8° do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, serão reintegrados nas suas
funções, no prazo máximo de 90 (noventa) dias.
§ 4°. Os benefícios estabelecidos neste artigo são assegurados aos habilitados
em concurso, não nomeados em virtude de antecedentes político-sociais.
Artigo 40
Ficam sem efeito, a partir da data da instalação da Assembléia Constituinte
Estadual até a data da promulgação desta Constituição, todos os atos, processos ou
iniciativas que tenham gerado qualquer tipo de punição aos servidores públicos da
Administração direta, indireta, fundacional, empresas públicas ou mistas sob controle
estatal, em virtude da interrupção das atividades profissionais, através da decisão de
seus trabalhadores, garantida a readmissão se for o caso.
Artigo 41
No prazo de 120 (cento e vinte) dias da promulgação desta Constituição, serão
instaladas as comissões das bacias do Iguaçu e do Tibagi, integradas por representantes
dos Poderes Legislativo e Executivo do Estado e dos Municípios nelas localizados e
das Federações da Agricultura, da Indústria, do Comércio e dos Trabalhadores do
Paraná, com a finalidade de propor medidas destinadas a promover a preservação, a
recuperação e o desenvolvimento de suas áreas geoeconômicas.
Parágrafo único. No mesmo prazo e com a mesma composição e finalidades
referidas neste artigo serão instaladas as comissões do Vale do Ribeira e do Litoral
Norte do Estado.
Artigo 42
O número de vereadores na atual legislatura será alterado, de acordo com o
disposto no art. 16, IV, desta Constituição, tendo em vista o total da população do
Município à época do pleito de 15 de novembro de 1988.
Parágrafo único. A Justiça Eleitoral procederá, no prazo de 30 (trinta) dias
da promulgação desta Constituição, aos novos cálculos do quociente eleitoral de
cada município, dando-se posse ou diplomando-se e dando-se posse, quando for o
caso, aos ainda não empossados, assegurando-se o número de vereadores em todos os
municípios que sofram redução na sua representação.
Artigo 43
O Poder Executivo, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da promulgação
desta Constituição, remeterá à Assembléia Legislativa projeto de lei previsto no art.
207, § 1°, desta Constituição, que estabelecerá também as normas gerais a serem
observadas na elaboração de plano estadual de preservação e restauração dos processos
ecológicos essenciais, manejo ecológico das espécies e ecossistemas estabelecendo as
diretrizes de ação do Estado na administração do uso dos recursos naturais.
Artigo 44
Revogado pela Emenda Constitucional nº 16/2005.
Redação Anterior: “Os Tribunais de Alçada de Londrina e Cascavel serão instalados, no
prazo de 180 e 360 dias, respectivamente, da promulgação desta Constituição.
Parágrafo único. Aos juízes do Tribunal de Alçada da Capital será facultada a
remoção para os tribunais criados, quando de sua instalação.
Artigo 45
O uso de veículos oficiais será regulamentado em lei, no prazo de 180 (cento
e oitenta) dias da promulgação desta Constituição.
Artigo 46
ADIN 175-2. O STF por unanimidade declarou a inconstitucionalidade
deste artigo. Decisão publicada em 23/03/93.
Redação Anterior: “Art. 46. Aos servidores do Banco Regional de Desenvolvimento do
Extremo Sul – BRDE, lotados no Estado do Paraná, aplica-se o disposto no art. 36 desta
Constituição.”
Artigo 47
Ficam mantidos no exercício de suas funções os atuais procuradores do
Estado junto ao Tribunal de Contas.
Artigo 48
Nos municípios recém-emancipados e que terão eleições para Prefeito, Vice-
Prefeito e Vereadores em 15 de novembro de 1989 caberá à Câmara Municipal, no
prazo de 6 (seis) meses, contados a partir da data da posse dos Vereadores, votar a lei
orgânica respectiva, em dois turnos de discussão e votação, respeitando o disposto na
Constituição Federal e nesta.
Artigo 49
Os municípios com litígios territoriais contarão com a assistência do
Estado para o cumprimento do disposto no art. 12, § 2°, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias da Constituição Federal.
Artigo 50
No prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias da promulgação desta
Constituição, o Estado deverá abrir vagas necessárias para que os professores detentores
de aulas extraordinárias e especialistas de educação detentores de um padrão possam
fazer a opção por 30 (trinta) ou 40 (quarenta) horas de trabalho, de acordo com o
regime diferenciado de trabalho.
Artigo 51
As leis a que se refere esta Constituição, sem prazo definido de elaboração,
devem ser votadas em no máximo 18 (dezoito) meses da promulgação desta.
Artigo 52
Ficam revogados, a partir da promulgação desta Constituição, todas as leis,
decretos ou atos administrativos que, de qualquer modo, interfiram na autonomia
municipal.
Artigo 53
2.208 – O STF por unanimidade declarou inconstitucional as
expressões “cinco, auditor e controlador”. Decisão publicada no DJ de 25/06/2004.
Liminar “ex-nunc” em 13/12/2001.
Redação Anterior: “Art. 53. As cinco primeiras vagas de conselheiro, auditor e controlador
do Tribunal de Contas do Estado, ocorridas a partir da promulgação desta Constituição,
serão preenchidas de conformidade com o disposto no art. 54, XVIII, desta Constituição.
Parágrafo único. Após o preenchimento de cinco vagas na forma prevista
neste artigo, será observada a proporcionalidade fixada pela Constituição.”
Artigo 54
ADIN 186-8. O STF julgou por unanimidade a inconstitucionalidade deste
artigo. Decisão publicada em 15/09/95.
Redação Anterior: “Art. 54. Os servidores públicos estáveis da Secretaria de Estado
da Fazenda poderão, no prazo de 30 (trinta) dias da promulgação desta Constituição,
optar pelo enquadramento no cargo da classe inicial da série AF-3, do Quadro Próprio da
Coordenação da Receita do Estado.
§ 1°. O enquadramento, de que trata este artigo, será processado observando-se
habilitação profissional exigida para o cargo e exclusivamente aos servidores da Secretaria
do Estado da Fazenda que ingressaram mediante teste seletivo para preenchimento de
vagas nos cargos de conferentes e prestarem serviços efetivos de fiscalização.
§ 2°. Para atender ao disposto neste artigo, o Poder Executivo transformará
os cargos em empregos públicos ocupados pelos servidores nele abrangidos em cargos
do Quadro Próprio da Coordenação da Receita do Estado.”
Artigo 55
ADIN 175-2. O STF por unanimidade declarou a inconstitucionalidade
deste artigo. Decisão publicada em 23/03/93.
Redação Anterior: “Art. 55. Fica assegurado aos advogados e assistentes jurídicos estáveis
do Quadro de Pessoal do Poder Executivo, em exercício, na data da instalação da Assembléia
Constituinte Estadual, na função de assistência judiciária no órgão referido pelo art.
22 do Regulamento aprovado pelo Dec 1.185, de 19/08/87, e nas funções jurídicas do
Departamento Penitenciário do Estado, o direito ao enquadramento no cargo inicial da
carreira de defensor público referida nos arts. 127 e 128 desta Constituição.”
Artigo 56
O assessoramento jurídico nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
e a representação judicial das autarquias e fundações públicas serão prestados pelos
atuais ocupantes de cargos e empregos públicos de advogados, assessores e assistentes
jurídicos estáveis que, nos respectivos Poderes, integrarão carreiras especiais.
§ 1°. O assessoramento jurídico, nos órgãos do Poder Executivo, será
coordenado pela Procuradoria-Geral do Estado, objetivando atuação uniforme.
§ 2°. As carreiras de que trata este artigo serão criadas e organizadas em classes
por lei de iniciativa dos chefes dos respectivos Poderes, no prazo de 90 (noventa) dias
da promulgação desta Constituição.
§ 3°. Aos integrantes dessas carreiras aplica-se, no que couber, o disposto no
art. 125, §§ 2° e 3°, desta Constituição.
Artigo 57
103
Fica instituída a Fundação Universidade Estadual de Centro Oeste -
104
UNICENTRO, com sede e foro na cidade de Guarapuava, reunidas e integradas,
sob a forma jurídica de fundação de direito público, a Fundação Faculdade Estadual
de Filosofia, Ciências e Letras de Guarapuava e a Fundação Faculdade de Educação,
Ciências e Letras de Irati.
§ 1°. O Poder Executivo, no prazo de até 2 (dois) anos da promulgação desta
Constituição, enviará à Assembléia Legislativa projeto de lei dispondo sobre a forma de
incorporação das Faculdades e dos mecanismos para a implantação e funcionamento
da Universidade a que se refere este artigo.
§ 2°. No mesmo prazo, o Poder Executivo remeterá à Assembléia Legislativa
projeto de lei para incorporar a Fundação Faculdade Municipal de Educação, Ciências
e Letras de Paranavaí à Fundação Universidade Estadual de Maringá, dispondo sobre
os mecanismos de integração e funcionamento.
Artigo 58
Os recursos de que trata o art. 142 desta Constituição serão geridos pelo
Fundo de Desenvolvimento Econômico - FDE, na forma da Lei Complementar.
Artigo 59
No prazo de 90 (noventa) dias da promulgação desta Constituição, o Tribunal
de Justiça remeterá projeto de lei à Assembléia Legislativa, propondo a nova Lei de
Organização e Divisão Judiciárias.
Considerações Finais
Palácio XIX de Dezembro, 5 de outubro de 1989.
Aníbal Khury, Presidente - José Afonso, 1.° Vice-Presidente - Orlando Pessuti,
2° Vice-Presidente - Tadeu Lúcio Machado, 1° Secretário - Werner Wanderer, 2°
Secretário - Pirajá Ferreira, 3º Secretário - Algaci Túlio, 4° Secretário - Caíto Quintana,
Relator - Acir Mezzari - Amélia de Almeida Hruschka - Antônio Costenaro - Antônio
Annibelli - Antônio Bárbara - Artagão de Mattos Leão - Basílio Zanusso - Cândido
Bastos - David Cheriegate - Dirceu Manfrinato - Djalma de Almeida César - Edmar
Luiz Costa - Eduardo Baggio Erondy Silvério - Ezequias Losso - Ferrari Júnior -
Gernote Kirinus - Haroldo Ferreira - Hermas Brandão - Homero Oguido - Irondi
Pugliesi - João Arruda - José Alves - José Rogério - José Felinto - Kiélse Crisóstomo
- Lauro Alcântara - Leônidas Chaves - Lindolfo Júnior- Luiz Alberto Martins de
Oliveira - Luiz Antônio Setti - Luiz Carlos Alborghetti - Namir Piacentini - Neivo
Beraldin - Nelson Vasconcellos - Nereu Massignan - Nilton Barbosa - Paulo Furiatti
- Paulino Delazeri - Pedro Tonelli - Rafael Greca - Raul Lopes - Renato Adur -
Sabino Campos - Valderi Vilela - Vera Agibert.