Data: 20/06/2008
A Destruição Criadora na Sociedade Atual
Autor: Profª Stella de Moura Kleinrath
Disciplina: Economia Política - 6º Período

A contribuição de Joseph Schumpeter para as teorias de desenvolvimento é ampla. Bastante controverso, este economista teve participações na vida política, empresarial e acadêmica na primeira metade do século XX, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

Na vida política Schumpeter foi ministro da economia da Áustria sem contudo fazer história. Foi também presidente de um banco que faliu em 1924 sob a sua gestão. Como professor em Harvard, não era o que podemos chamar de “popular” nem entre colegas nem entre os alunos. Liberal, curiosamente ele trabalhou vários conceitos do marxismo. Presidiu a Sociedade de Econometria de Cleveland/EUA na década de 40, mas ao invés de dados matemáticos, ele acrescentou uma série de elementos de sociologia em seus trabalhos. Foi crítico tanto do keynesianismo como das teorias neoclássicas pela sua forma estática de entender a economia. Na realidade, o centro de seu interesse estava no empresário capitalista. É por isto que ele hoje é mais citado nos textos relacionados a estudos gerenciais do que em textos dedicados às ciências econômicas.

A grande contribuição schumpeteriana é encontrada nas teorias sobre o empreendimento. Neste campo de análise ele foi pioneiro, trabalhando o conceito de Unternehmergeist (espírito empreendedor) e chegando à conclusão que o empresário é o alavancador das inovações. A sua análise segue explicando a diferença entre o capitalista empresário do início do capitalismo e o papel das grandes corporações no capitalismo atual.

Schumpeter define inovação como sendo a introdução de novo produto ou de novo processo, além da abertura de novo mercado ou da conquista de novos recursos naturais. Em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia, ele popularizou uma expressão já usada antes pelos filósofos Mikhail Bakunin e Friedrich Nietzche e pelo sociólogo Werner Sombart: a Destruição Criadora. A novidade aportada por Schumpeter foi a interpretação dos ciclos econômicos longos de Kontradiev pela ótica da destruição criadora. O modelo básico da destruição criadora é que toda inovação implica em uma destruição do velho. Não se trata de processo indolor, pois durante a afirmação do novo ocorre concomitantemente, a destruição de várias empresas e famílias que representavam o “velho” e não participaram do processo do “novo”. Este processo deu lugar a várias crises capitalistas gerando falências e desemprego.

A atualidade da contribuição schumpeteriana pode ser verificada pela sua participação direta na Agenda de Lisboa, dando diretrizes ao audacioso plano da União Européia de, até 2010, tornar a sua economia a mais dinâmica e competitiva mundialmente, empregando a inovação como motor da transformação econômica.

Na minha opinião, ao optar por relacionar somente com as ciências gerenciais os temas concernentes à inovação, os acadêmicos estão perdendo boa oportunidade de questionar formas particulares de organização econômica em curso na sociedade moderna. A Destruição Criadora está cada vez mais veloz. É responsável pelo aumento de consumo e de uso de matérias primas. Tirou da sociedade a capacidade de se espantar com novidades antes impensáveis. Acaba por espelhar a força do mercado. É um rolo compressor que passa por cima de culturas e costumes. É fator de integração pela padronização de usos ou de fragmentação pelo aumento da desigualdade social?

Ao discorrer sobre a evolução das ciências, Boaventura de Sousa Santos abre uma discussão sobre as transformações por que passa a sociedade. Somos protagonistas e produtos destas transformações e antes de tudo somos testemunhas delas. Entretanto

... instalou-se em nós uma sensação de perda irreparável tanto mais estranha quanto não sabemos ao certo o que estamos em vias de perder; admitimos mesmo, noutros momentos, que essa sensação de perda seja apenas a cortina de medo atrás da qual se escondem as novas abundâncias da nossa vida individual e colectiva. Mas mesmo aí volta a perplexidade de não sabermos o que abundará em nós nessa abundância .

Convido-os a pensar sobre ganhos e perdas, sobre progresso e evolução.

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1. Seguindo os trabalhos de Kontradiev, a maioria dos teóricos de ciclos econômicos, reconhece as seguintes ondas de inovação e anos de início:
- a revolução industrial – carvão e ferro - 1771
- a era da máquina a vapor – 1829
- a era do aço, da eletricidade e da maquinaria pesada – 1875
- a era do diesel, do automóvel e da produção em massa – 1908
- a era da informática e das telecomunicações - 1971
Para Peter Drucker, reconhecido autor de administração e estratégia, a era atual seria a era do conhecimento.

2. Boaventura de Sousa Santos, Um Discurso sobre as Ciências. Porto, Afrontamento, 2003, p. 20.