Data: 10/09/2002
A Crise em Honduras

 

A crise em Honduras desencadeou uma dúvida internacional: o Brasil tem capacidade de intermediar este conflito? A ascensão brasileira o torna capaz de se fazer ouvir perante este conflito?

Talvez sim, dependendo da forma que o governo brasileiro encaminhará o conflito. Até agora tem recebido várias críticas, pois apesar de estar hospedando o presidente hondurenho deposto, não sabe qual será o próximo passo. O Brasil não consegue mais resolver a questão, depende das potências ou de uma postura mais efetiva da Organização das Nações Unidas.

O Brasil tem capacidade de resolver esse conflito? Nem mesmo os Estados Unidos, ainda a grande potência, e com grande influência na região, quis se manifestar de maneira incisiva.

A Organização dos Estados Americanos se demonstrou totalmente incapaz de intermediar o conflito. O presidente Micheletti ordenava o fechamento dos aeroportos quando o Secretário Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) anunciava a chegada ao país. Desta forma, melhor que a organização se retire das negociações, pois já não tem mais autoridade para decisões. Talvez o fracasso da OEA deve-se ao fato de não dispor de força militar.

As organizações internacionais não funcionam quando seus líderes a utilizam como instrumento em benefício próprio, e não para cumprir suas funções. A ONU deveria ter se manifestado mais incisivamente, pois não pode tolerar violações à ordem democrática, ainda mais em outro país latino americano.

Apesar de ter sido provocado pelo Brasil, o Conselho de Segurança da ONU se limitou a analisar a questão do cerco à embaixada brasileira.

O Presidente Lula alega que o Brasil não sabia dos planos do Zelaya. Mas é estranha essa chegada do líder deposto à embaixada brasileira. Pela sua atitude, estava certo que seu pedido de refúgio seria concedido.

O Presidente deposto afirmou perante a imprensa que conseguiu chegar até a capital hondurenha com a ajuda do Hugo Chávez. Parece que o governo brasileiro fez papel de bobo, pois a estratégia de procurar a embaixada brasileira foi detalhadamente planejada pelo governo venezuelano. O Brasil foi o escolhido por ter certa influência no continente, e pelo fato dos Estados Unidos não estarem dispostos a participar mais ativamente do problema.

A postura brasileira gerou dúvidas. Qual a pretensão do Brasil ao conceder abrigo através da embaixada? Uma decisão desta tem consequências diretas à imagem do país. O Presidente Lula e o Ministro das Relações Exteriores não pensaram nas consequências?

Lula afirma que o Brasil agiu conforme um Estado Democrático, e que a única alternativa era conceder o abrigo. Contudo, está claro que o objetivo de Zelaya era ingressar em Honduras para gerar uma instabilidade no governo interino. E está conseguindo. Contudo, é um absurdo o governo brasileiro permitir que a embaixada brasileira seja usada como um QG político. O Brasil deveria oferecer a seguinte opção para Zelaya: ou aceita o asilo político brasileiro, quando ele teria que deixar Honduras e vir para o território brasileiro, ou que saia imediatamente da embaixada brasileira.

A resposta para a omissão mundial em relação à questão, é que as potências não querem Zelaya novamente no poder, pois este demonstrou querer permanecer no poder indefinidamente, através de uma reforma legislativa, ideia que assusta os Estados Unidos e a ONU. Mas os entes internacionais também não podem apoiar a permanência de Micheletti, pois este violou explicitamente a ordem democrática.

O mundo se omite diante do conflito, e o Brasil assume uma postura participativa, novamente perdido em sua política internacional.

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