Desrespeito ao Mandato Político
Todos os ministros (parlamentares), que deixaram os seus cargos no governo
para se dedicarem à campanha eleitoral são uns tremendos oportunistas
políticos, que desrespeitam brasileiros. Eles não querem jamais perder o
status ou a boquinha rica das benesses públicas. Vivem pulando de galho em
galho na ribalta política do poder. São os "profissionais" da política, ou
seja, aqueles que vão defender os seus interesses pessoais ou de grupos,
mascarados de servidores públicos.
São uns estelionatários políticos descarados. Passam cheques sem fundos ao
eleitor dizendo que vão exercer os seus mandatos, mas depois de eleitos
dão uma banana ao povo e vão desempenhar outros cargos na administração
pública para os quais não foram eleitos. São autênticos traidores de
eleitores com práticas políticas de interesses inconfessáveis. São os
legítimos abutres vorazes pelas glórias do poder. Não têm decência
política. Não têm ética e moralidade pública. E conhecem bem a arte da
esperteza política.
Enganam o povo com a destreza de um mágico, só que este exerce a sua arte
com profissionalismo e seriedade. São gananciosos pelo poder. E em nome
dele são capazes das maiores proezas. Utilizam de todos os artifícios para
estarem sempre na vitrine política do poder. Não têm vergonha de se olhar
no espelho, mesmo que a imagem reflita o seu caráter distorcido. São
falsos democratas que se valem da leniência constitucional, instituída em
1988 e sem a participação expressiva da sociedade, para mandar, desmandar
e anarquizar o exercício regular do mandato político.
Soa incompreensível a qualquer cidadão de mediana cultura saber que um
parlamentar eleito pode deixar de exercer o seu mandato para prestar
serviço em outra área da administração pública. Isso não é um grande
desrespeito ao povo? É constitucional, mas muito imoral. E por que não
corrigem? Porque os nossos políticos estão acostumados a conviver em um
sistema político viciado, em que a famigerada Lei de Gerson, de só tirar
vantagem, já se incorporou de tal forma no DNA da política brasileira, que
só está faltando ser incorporada na Constituição Federal.
Eleitores, não reelejam ninguém. Política não é profissão. O Parlamento
precisa sempre de oxigênio novo. O continuísmo e a mesmice representam uma
praga nociva na vida política brasileira e precisa ser combatida. Ninguém
é insubstituível.
O Autor é Bacharel em Direito e servidor federal aposentado, domiciliado em Balneário Camboriú-SC
