Militância em Direitos Humanos: Desafios e Contradições!
Optar pela militância em direitos humanos pressupõe constante busca de inspiração no Evangelho para encontrar o verdadeiro sentido da cruz. Pressupõe, também, indagarmos a todo instante: o que nos move? O que nos impulsiona? Por que estamos aqui? Temos que ter humildade, desprendimento e, acima de tudo, sensibilidade para lidar com nossos semelhantes mais necessitados. Numa época em que o individualismo possessivo e as tendências egoísticas insistem em reinar absolutos, ter compaixão e solidariedade para com o próximo torna-se algo cada vez mais distante.
Em nossa atuação diária, enfrentamos muitas adversidades e contratempos, eis que pessoas com posições antagônicas sempre surgem para arrefecer nosso entusiasmo e, não raras vezes, tentam desestabilizar nossas atividades. Ademais, sofremos preconceito diariamente e ficamos estigmatizados com a pecha de defender bandidos. Infelizmente, aos olhos da sociedade capitalista, globalizada e neoliberal em que estamos inseridos, lidar com pobres, prostitutas, presidiários, população de rua, menores abandonados, dentre outros, pode significar até mesmo fracasso profissional. Na equivocada interpretação das pessoas, se não se aufere bônus, dividendos com o labor, não faz sentido trabalhar. Na sociedade de consumo, cada qual vale pelo que tem.
Quanto maior o acúmulo de bens materiais, maior a valorização da pessoa no corpo social. Tendo em vista a falibilidade do ser humano, se não nos abeberamos da mística, não conseguimos levar adiante nosso projeto. Gostar de quem é bom e é compatível com os ditames sociais é muito fácil.
Difícil é se posicionar ao lado dos excluídos, dos párias da sociedade. A nossa tarefa é deveras trabalhosa, árdua, pedregosa e espinhenta, contudo, nossos mártires nos dão força e alento nos momentos mais cruciais e tenebrosos, em que nos vemos sozinhos, abandonados. Sempre me vejo a questionar o real sentido da vida. De que vale a vida se ela não for doação? Nossa vida não nos pertence. Temos uma missão maior a cumprir, mesmo sendo apedrejados, alijados e expostos à execração pública.
Na verdade, temos que seguir a conduta exemplar Daquele que foi ceifado para nos salvar. Caso contrário, estamos fadados a ter uma existência vazia, oca. Lamentavelmente, este não é um pensamento universal. Almejamos mudanças, ainda que sejam a longo prazo!
