Missão da Igreja na política
O termo política sofreu diversas variações de significado. Em sentido muito amplo, refere-se à realidade global ou a uma concepção geral da vida social. Nesse caso, toda ação que afete as relações sociais é política e ideológica Estamos em pleno ano eleitoral. Os jornais alardeiam o fato de sacerdotes candidatarem-se à revelia das orientações oficiais da Igreja católica. Na verdade, desde longuíssima data, a Igreja se vê às margens com a problemática da sua relação com a política. O poder político surgiu na remotíssima antiguidade, quando as comunidades se organizaram em sociedade de trabalho sob um comando geral. E na Grécia antiga nasceu a política, como teoria do Estado. E a Igreja, ao deixar as catacumbas e ao passar de uma fase carismática pentecostal para uma organizativa, se delineia mais claramente como instituição. Defronta-se então com o Estado, com a política.
O termo política sofreu diversas variações de significado. Em sentido muito amplo, refere-se à realidade global ou a uma concepção geral da vida social. Nesse caso, toda ação que afete as relações sociais é política e ideológica. Em sentido restrito, o termo política se reserva para ações que, embora não partidárias, se relacionam diretamente com o mundo do poder. Temos o caso das greves. Entretanto, freqüentemente o termo político designa as ações que diretamente visam à obtenção e à conservação do poder, sobretudo através dos partidos, do Estado, do governo.
A Igreja, ao longo de sua história, experimentou momentos diferentes nessa relação com a política. Durante muito tempo, ela tutelou o Estado, ao exercer assim poder político direto e estrito, de modo especial na Idade Média. O complexo movimento político-cultural da modernidade levou-a a reconhecer que as sociedades gozam de leis e valores próprios, a serem conhecidos, usados e ordenados gradativamente pelo homem e que a missão própria confiada por Cristo à sua Igreja não pertence à ordem política, econômica ou social.
Entretanto, o movimento liberal quis ir mais longe, ao reduzir o papel da Igreja unicamente à esfera espiritual pessoal, intimista, de modo que qualquer manifestação pública da Igreja no mundo se constituía uma exorbitação de seus direitos. A Igreja reconheceu e reconhece a legítima autonomia do mundo político, mas julga justo que ela, sempre e em toda parte, pregue, com verdadeira liberdade, a fé, ensine a sua doutrina social, exerça livremente a sua função entre os homens e profira o juízo moral sobre realidades que se relacionam com a ordem política, quando o exigirem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas.
Tal pretensão da Igreja não exorbita de sua esfera nem fere a razão humana. Como corpo social, ela constrói a sociedade dos homens, influencia o mundo das pessoas, faz história. Procura discernir e decidir sobre a qualidade e natureza de sua ação pública e política, nunca contentando-se exclusivamente com a pura esfera do privado. Pois se se abstivesse de interferir na vida pública, se tornaria conivente com o status quo dos regimes instaurados na modernidade e com todas as enormes injustiças sociais que eles produziram. Hoje, com muito mais clarividência, a Igreja sabe medir sua presença na história e na sociedade, relacionando-se com os outros corpos sociais, com o poder, com o Estado. Toca-lhe apurar os critérios evangélicos para nortear-lhe as ações.
O fato da presença da Igreja no mundo da política é inelutável, mas a sua qualidade e natureza dependem de sua consciência evangélica e do momento histórico. Portanto, é a vocação evangélica e histórica que lhe dita o modo de proceder na política. Sua evangelicidade tem marcas permanentes e definitivas, que, porém, devem ser pensadas em cada momento histórico. Nesse sentido, cabe refletir de novo sobre tal problemática, já que os eventos históricos nascem da novidade da liberdade humana no entrechoque com as diferentes situações.
