Data: 25/05/2009
Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos

Como coroamento de tantas experiências, têm-se planejado e conduzido Campanhas da Fraternidade de maneira ecumênica, como aconteceu em 2000 e se programa para 2010 com o tema de Economia e Vida. Resta-nos ainda uma longa via no referente a muitas práticas eclesiais, especialmente à participação numa mesma Eucaristia de modo visível e patente. O tema do ministério esconde muitas dificuldades.

Poucas realidades mostram a necessidade de conjugar oração e esforço persistente como o Ecumenismo. Entre Ascensão e Pentecostes, dedicamos uma semana de orações especiais pela unidade dos cristãos. Rezar e dialogar: eis a consigna. As celebrações ecumênicas concretizam-na. O processo ecumênico recente lança raízes no movimento do início do século passado. A faísca ecumênica acendeu no meio dos missionários evangélicos. Reuniram-se missionários de várias denominações evangélicas em 1910 em Edimburgo na Escócia e disseram-se uns aos outros. Estamos evangelizamos países não cristãos.

As pessoas olham para nós e perguntam: Como é que vocês, anunciando uma mesma religião cristã, estão tão divididos? Por que se combatem mutuamente? Como então a religião de vocês pode ser verdadeira? Esse espinho pungia-lhes o coração. Doía-lhes ser pedra de escândalo em vez de palavra de salvação. O ecumenismo nasce da dor de não poder testemunhar para os não cristãos aquela unidade dos inícios e que constituiu o objeto central da oração sacerdotal de Jesus no evangelho de João. A Igreja católica não esteve presente nesses começos.

Convencida de que o único ecumenismo possível seria o retorno das igrejas separadas a seu seio, negava sentar-se em torno de uma mesma mesa de igualdade. O Papa João XXIII dá passo decisivo criando o Secretariado para a União dos Cristãos e confiando-o à maravilhosa figura do Cardeal Bea. Veio o Concílio. O Decreto do Ecumenismo lançou bases sólidas para a caminhada. Paulo VI e João Paulo II não se envergonharam de pedir, várias vezes, perdão em nome da Igreja católica pela sua parcela de culpa na divisão das igrejas.

João Paulo II publicou a corajosa Encíclica Ut unum sint, em que se mostra absolutamente convencido de que o primeiro ato fundador do ecumenismo implica a conversão, começando pelo sucessor de Pedro. Nessa perspectiva, pode-se crescer muito no diálogo. Com efeito, há alguns pontos em que o ecumenismo se desenvolveu muito nos últimos anos. Líderes religiosos, pastores das igrejas católica e, sobretudo das oriundas da Reforma ou de outras do mesmo espírito aberto têm conseguido estabelecer pontos de encontro, além de uma relação humanocristã entre si.

Teólogos sérios e responsáveis têm avançado, descobrindo proximidades, semelhanças e até mesmo coincidências, onde antes reinava a polêmica. Sinal auspicioso foi a Declaração conjunta Católica Romana e Evangélica Luterana sobre a Doutrina da Justificação por Graça e Fé. Se lá nos idos de Trento, tal questão se tornara um pomo de discórdia, hoje há uma bela consciência de estar-se na mesma fé. E, entre nós no Brasil, a prática social tem sido campo de proximidade. Nas lutas das CEBs, católicos e evangélicos se unem na mesma causa. Os anos de repressão militar propiciaram essa proximidade que continua crescendo.

Como coroamento de tantas experiências, têm-se planejado e conduzido Campanhas da Fraternidade de maneira ecumênica, como aconteceu em 2000 e se programa para 2010 com o tema de Economia e Vida. Resta-nos ainda uma longa via no referente a muitas práticas eclesiais, especialmente à participação numa mesma Eucaristia de modo visível e patente. O tema do ministério esconde muitas dificuldades. O próprio Papa reconhece que o exercício do ministério petrino necessita ser repensado, já que constitui um dos maiores empecilhos para a união das Igrejas.

Se ainda não comungamos com muitas igrejas evangélicas em todos os pontos, ao menos, nessa semana, rezemos uns pelos outros. Se os que nos virem ainda não poderão dizer como estão unidos na doutrina e na disciplina eclesiástica, pelo menos, nos encontrarão engajados juntos em Campanhas da Fraternidade e em orações.

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