Data: 11/06/2010
A teologia da libertação e a política

Em nível de sociedade, especialmente de Brasil, o sinal mais forte da presença da teologia da libertação na vida da sociedade são os muitos movimentos sociais que não nasceram sem seu influxo. Entre eles está o MST que teve no seu berço a presença da Igreja da libertação. O próprio PT, que atualmente está no Governo, com muitas mudanças naturalmente, teve forte vinculação com as CEBs, produto e causa da teologia a libertação. A vitória do Projeto Popular que esteve por trás da eleição de Lula, na sua última fase, recebeu influência da teologia da libertação. A luta contra a Ditadura militar, que terminou com sua derrocada, foi alimentada, no meio cristão, pela teologia da libertação. Por mais perversa e cínica que seja certa consciência burguesa, não se tolera um discurso público contra os ideais da teologia da libertação. Todo político nas suas falas recorre a elementos da teologia da libertação, mesmo que sua prática lhe seja a negação. Isso significa que uma linguagem oposta à da teologia da libertação não tem credibilidade e plausibilidade social.

Os pobres são hoje, no horizonte do país e até diria do mundo, em linha de palavra, protagonistas. Até homens do FMI, do Banco Mundial, do G8 inserem os pobres em seus discursos. Grande parte se deve à presença cristã e, sobretudo da Igreja Católica. Alguém poderá dizer que isso não serve de nada, porque a prática do neoliberalismo é maldita em relação aos pobres. É verdade. No entanto, o fato de ter de esconder, de mentir para realizá-la, mostra a sua falta de ética e isso a longo prazo levará a conflitos. Essa vitória do discurso do pobre não pode ser menosprezada. É insuficiente, mas já é passo significativo. A teologia da libertação contribuiu para ele. Evidentemente não só ela.

No interior da Igreja, o seu papel foi e ainda é importante. Muitos se atêm às reservas romanas contra a teologia da libertação. Foram e são reais. Mas não é toda a verdade. A linguagem e ideais da teologia da libertação, como a opção pelos pobres, entraram de cheio no discurso oficial da Igreja. O Papa João Paulo II usou-a em inúmeras ocasiões. Bento XVI reforçou-a no Discurso inaugural de Aparecida. E ela é uma das tônicas principais do falar desses dois papas. A teologia da libertação teve o mérito de chamar a atenção para a inegável evangelicidade da opção pelos pobres. Trouxe-a para o proscênio do teatro da vida eclesial. Na Igreja da América Latina e do Brasil, sua influência, em termo oficial, foi altamente significativa. A opção preferencial pelos pobres, feita pelo Episcopado Latino-americano em Medellín e renovada nas Conferências seguintes até Aparecida, seria impensável sem todo o clima criado pela Igreja da libertação, alimentada pela teologia da libertação. Podemos fazer desfilar diante dos olhos uma série significativa de documentos da CNBB que até hoje se nutrem desse imaginário libertador.

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