Data: 23/07/2010
Vida paroquial e os desafios pastorais

A cidade de hoje transformou-se em verdadeira babilônia. Já não vivemos na situação serena e tranqüila do campo. A paróquia se vê questionada fortemente. Os problemas pastorais se multiplicam. Enunciemos alguns com breves considerações.

A juventude. Bem variada. Há jovens ainda radicados na fé dos pais, que freqüentam a Igreja com gosto e assumem tarefas pastorais. Apenas terminam a catequese da crisma aceitam transmitir a colegas a experiência que anteriormente fizeram. Assim aprofundam a própria e por estarem mais próximos dos colegas falam-lhes linguagem compreensível. Por sua vez, eles precisam ser cuidados para que cresçam no duplo nível dos conhecimentos da fé e da vivência.

Há jovens que buscam aprofundamento teológico e cultivo da própria interioridade. Cabe à paróquia oferecer-lhes cursos de teologia, encontros de aprofundamento e momentos de orientação espiritual. Dentro deles conflitam sentimentos opostos, desejos antagônicos, ora de entusiasmo e ora de desânimo. Sozinhos não dão conta da problemática pessoal psicológica e espiritual. É a hora de pedir ajuda. Quanto mais se cresce espiritualmente, mais se deseja orientação.

Preocupa-nos outro tipo de jovem. Estão e não estão na Igreja. Freqüência irregular. Vêm a algumas celebrações, procuram a Igreja em horas de maior dificuldade. Às vezes, envolvem-se em situações pesadas, tanto de droga como de violência até criminosa. Necessitam mais do que nunca de ajuda paciente, constante, compreensiva e forte. Carecem de ombro em que se encostar. Não para simplesmente dar-lhes apoio momentâneo e sim sustento firme e mão que lhes aponte caminho diferente. Sair de tais situações exige muito trabalho pastoral de várias naturezas, desde ajuda psicológica até reforço na fé.

Estamos em ano eleitoral. A política vai às ruas. Realidade permanente de quem vive na cidade. E a paróquia tem algo a fazer em tal campo. Não se trata de imiscuir-se, como Igreja, em posições partidárias. Partido, como diz o termo, parte, divide. Política para a paróquia se escreve com P (maiúscula). Nela se jogam os interesses de todos, da comunidade.

A partir dos últimos anos, se tornou inequívoco o repúdio da sociedade à corrupção. Mal insidioso que ataca em todos os tempos. Só vigilância constante diminui-lhe a incidência. Fica-nos o desafio de como organizar grupos que a enfrentem sob duplo olhar: controle e proposta. O controle, infelizmente, se faz necessário na sociedade humana. Por meio dele se percebem os desvios, a malversação do dinheiro e bens públicos. Toda apropriação por privados – indivíduos ou grupos – dos bens e erário público fere a ética. A pastoral da Ética na Política, existente em nível nacional, assume com coragem a tarefa da denúncia das falcatruas e maracutaias. Como se fará isso é assunto para discussão e decisão colegiada na comunidade paroquial.

Cair na pura atitude denunciatória não leva longe. Exigem-se passos ulteriores. Primeiro cabe-nos pensar projetos comunitários importantes para o campo da cultura, do convívio humano, da justiça social, da abertura de emprego, do combate à miséria, do enfrentamento da disseminação da droga, da urbanização humana e ordenada, da melhora da relação entre as pessoas superando a violência e o medo. A pastoral da grande cidade não pode desconhecer, de modo nenhum, a dupla realidade da violência e do medo. Elas paralisam a vida urbana. Trazem efeitos nefastos para a saúde psíquica e espiritual das pessoas.

O Estado aborda a questão da violência principalmente por meio da repressão policial. Coíbe-a até certo ponto, mas não lhe cura a causa. A pastoral aproxima-se dela pelo lado da cultura, desenvolvendo a arte, o esporte, atividades religiosas no sentido bem amplo. Aqui se abre enorme espaço de ação e colaboração colegiada de todos.

A paróquia só existe a partir da consciência de pertença dos membros e de sua participação. Há termômetros para medir a temperatura participativa. O primeiro lugar de medição se dá nas celebrações litúrgicas, no assumir as pastorais internas da catequese nos diversos níveis, na pluralidade de atividades que a paróquia desenvolve. Sempre falta gente para tanto que fazer e poucos assumem muito. O desafio é de que muitos se engajem, mesmo que seja em pequenas tarefas, e assim se conseguirá muito mais.

Se algumas denominações neopentecostais, despudoradamente, carregam a pregação sobre o dízimo, nós, católicos, pecamos pelo lado oposto. Não enfrentamos com serena e verdadeira espiritualidade essa questão. O dom de si se exprime também no despojamento e desprendimento de bens materiais em benefício de outros. E quanto mais universal, mais divino. O dízimo tem caráter universal por servir ao conjunto da paróquia na multiplicidade de suas necessidades, tarefas e atividades sociais beneficentes. Desafios pastorais não faltam. O segredo consiste em motivar os fieis a assumirem a responsabilidade de toda a comunidade como própria. Então não faltarão pessoas nem recursos materiais.

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