Data: 05/08/2011
Agentes da Pastoral da Saúde

Toda profissão tem sua beleza. E cada um encontra nela a vocação e realização. Mas há algumas que nos encantam pela proximidade com a vida. As ciências da saúde mobilizam exército de pessoas. Só tem sentido enquanto cuidam da vida do ser humano.

Dentro da própria medicina, desenvolve-se nova cultura a respeito da compreensão da saúde. E isso influenciará certamente toda a pastoral correspondente.

A etimologia ajuda-nos a avançar no significado de saúde. Na origem esconde o termo latino: salus. E ele abriu duas vertentes semânticas bem diferentes. Uma prendeu-se ao corpo, à visibilidade orgânica. Aí está a palavra saúde. Outro lançante conduz ao conceito de salvação e volta-se para a alma. Saúde e salvação formam binômio cuja mútua influência significa enriquecimento. Saúde deve participar da amplitude de horizonte significativo de salvação e esta ganha com o realismo terreno da saúde.

Saúde pensa primeiramente no bom funcionamento de todo o organismo. O oposto se chama doença. As ciências da saúde visam a curá-la para restabelecer a situação anterior de sanidade. O progresso das ciências, em combinação com a indústria farmacêutica e técnicas sofisticadas da eletrônica, tem conseguido façanhas extraordinárias. Quem freqüenta tais ciências necessita atualizar-se a cada momento nos novos processos terapêuticos que se sucedem na rapidez da luz. Intervém-se no corpo desde os condicionamentos de seu surgir na concepção até o declinar na velhice e o cessar pela morte. Trajetória longa para os cuidados médicos.

O olhar do especialista vai fundo na doença, ancora-se firme no corpo e, não raro, esquece a totalidade do enfermo. Ele necessita da cura corporal, do cuidado do coração, do arrimo espiritual. E o conceito salvação exprime tudo isso. Salvar significa arrancar alguém de situação de perigo, de ameaça grave, que envolve toda a pessoa a fim de transpô-la para lugar de segurança, de firmeza, de bem.

Salvação afinou demasiado o campo. Lentamente postergou a corporeidade para deter-se, sob o sopro do pensamento grego, na alma. Nas encruzilhadas ou em templos, os missionários zelosos de outros tempos fincavam a cruz com a consigna: Salva a tua alma! E o corpo? Ficara diminuído e minimizado pelo afã generoso do pregador religioso.
A dimensão de saúde do corpo traz o equilíbrio, ao ultrapassar o espiritualismo desencarnado de certa filosofia grega para reencontrar a vitalidade inteira dos ginastas da Antigüidade: Mens sana in corpore sano. Uma mente sã num corpo são.

E, por fim, último toque. A mente sã do adágio ficara ainda limitada ao âmbito da pura humanidade nas pretensões naturais. Saúde e salvação se cobriram no tempo dos astros e no horizonte dos espaços terrenos. O cristianismo avança a relação entre ambas. Abre perspectiva além da geografia e da história para dentro da eternidade. Insere a luz de vida divina na saúde do corpo e aponta como porto da salvação a inabalabilidade de Deus.
Tudo começa na saúde do corpo para terminar também no corpo, só que vestido da glória da ressurreição, que se chama salvação definitiva. Nesse conjunto semântico amplo entendemos melhor a beleza da vocação dos agentes de saúde. Parafraseando a Escritura: "Quão belos sobre os montes são os pés dos agentes da pastoral da saúde" (Is 52, 7)!

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