Livro: Igreja contemporânea. Encontro com a modernidade.
LIBÂNIO, João Batista – Igreja Contemporânea. Encontro com a modernidade. SP: Loyola, 2000.
Resenha: O livro "Igreja contemporânea. Encontro com a modernidade" , do Pe. Libânio, destaca que a trajetória histórica da Igreja Católica revela uma epopéia fantástica, durante a qual os católicos vêm trilhando um caminho de cruzes e glórias, de derrotas e vitórias, de fluxos e refluxos, de decadência e de renovação.
Este livro pretende estudar o embate da Igreja Católica com a modernidade e suas conseqüências sobre nossos dias. Ele se apresenta como reflexão acerca do jogo interno de idéias por trás dos acontecimentos históricos, tendo como símbolo do diálogo da Igreja com o pensamento moderno o Concílio Vaticano II.
Os leitores e as leitoras encontrarão neste livro do Pe. Libânio um mapa simplificado da Igreja Católica na modernidade, que os levará a entender o presente e a enfrentar o futuro com esperança.
Transcrevemos a seguir, um trecho do livro em que Libânio, ao citar o Cardeal Ratzinger, faz uma reflexão sobre o conceito “neoconservadorismo” e “restauração”:
“Duas palavras têm definido o projeto em curso para recriar uma clara identidade católica: restauração e neoconservadorismo. Talvez essas duas palavras, ainda que reflitam parte de verdade, não dêem conta realmente do momento atual.
O próprio cardeal Ratzinger defronta-se com o termo “restauração”:
“Se por “restauração” se compreende voltar atrás, então nenhuma restauração é possível. A Igreja vai para frente em direção ao cumprimento da história, olha adiante para o Senhor que vem. Mas se por “restauração” compreendemos a busca de um novo equilíbrio, após os exageros de uma abertura indiscriminada ao mundo, depois das interpretações por demais positivas de um mundo agnóstico e ateu; pois bem, uma “restauração” compreendida neste sentido é inteiramente desejável e já está em curso na Igreja” (Ratzinger & Messori, 1985, p. 23).
A mesma reflexão pode ser feita a respeito do termo “neoconservadorismo”. Todo “neo” mostra certa ambigüidade, pois ajunta-se a um termo com que ele sente certa afinidade, mas também se distancia. A questão é saber a medida da afinidade ou da distância. Por isso, não ajuda muito a entender um projeto.
Essa nova fase da Igreja católica caracteriza-se pela percepção do esfacelamento de uma identidade católica clara e firme, e pelo projeto de recria-la em novos moldes. De um lado, reconhece-se o fato da perda da identidade anterior. De outro lado, como claramente explicitou o cardeal Ratzinger na citação acima, sabe-se outrossim que nenhuma restauração, enquanto volta ao passado, é possível.”
(LIBÂNIO, João Batista. Igreja Contemporânea. Encontro com a modernidade. SP: Loyola, 2000 pp. 158-159)
