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23/11/2010  |  domtotal.com

''O melhor é ser capaz de dar glória a Deus'', afirma Santana

O legendário guitarrista (foto) atribui à graça de Deus o fato de ser popular e querido pelo público
Por Patricia Tubella
A legendária guitarra de Carlos Santana guarda a riqueza de um percurso musical de mais de quatro décadas por meio de um amplo leque de ritmos, mas inclusive, com toda essa história, ele teve que aprender a "deixar o medo de lado" para se decidir a imprimir seu selo inconfundível a algumas das grandes músicas da era de ouro do rock.

Versar (ou reinventar, segundo se olhe) sobre uma dezena de clássicos, como "Can´t you hear me knockin´",dos Rolling Stones, "Whole lotta love" (Led Zeppelin) e "Riders on the storm" (The Doors), "foi como convidar essas ´monalisas´ para sair, e fiquei surpreso que todas quiseram voltar a sair comigo", explica o músico norte-americano de origem mexicana sobre o último álbum que acaba de lançar no mercado.

Afável, em forma invejável em seus quase 64 anos e principalmente admirado diante de suas iminentes bodas com a baterista Cindy Blackman, de 50 anos, ("ela quis ser a minha rainha"), o Santana que comparece pontualmente na entrevista em um hotel londrino se ajusta, com seu aspecto, à imagem desses velhos roqueiros que ainda sobrevivem na indústria.

Outra coisa é o discurso atípico na hora de defender seu novo trabalho, que alinhava em um espanhol sossegado, repleto de alusões ao amor, a Deus e à fé que ele considera como o principal motor de sua música. Essa guitarra elétrica se ergue como protagonista de "Guitar heaven: The greatest guitar classics of all time", revestida no disco por uma eclética lista de artistas, desde a estrela do hip-hop Nas (em "Black in black", do AC/DC) à voz rasgada de Joe Cocker ("Little wing", de Jimi Hendrix).

O cérebro do projeto é o produtor Clive Davis, artífice do fenômeno multipremiado e de supervendas intitulado "Supernatural" (1999), com o qual Carlos Santana demonstrou a capacidade de cativar sucessivas gerações, desde a sua primeira irrupção estelar no Festival de Woodstock de 1969.

Eis a entrevista:

O que você pretendeu oferecer com essas novas versões? Pode-se oferecer algo a músicas tão batidas da história do rock?

A ideia foi criar um grande ramo de flores a partir de dois conceitos, a visão e o coração, oferecer algo novo e ao mesmo tempo completamente familiar a essas canções. Tive que aprender a deixar o medo de lado para poder desfrutar. Porque quando confiamos e temos fé, podemos fazer coisas incríveis, milagres. Esse foi o principal ingrediente para fazer um disco real, genuíno e sincero, que tenta os corações.

Fale-nos desses medos na hora de selecionar e encarar as grandes músicas de outras bandas...

É uma questão de fé, e eu confio plenamente em Clive Davis. Escolhemos sete músicas cada um (a edição de luxo reúne 14 canções), e depois eu mesmo tive que me colocar de lado para deixar que entrasse o espírito sagrado, a graça de Deus.

A crítica concordou em destacar sua reinterpretação de "While my guitar gently weeps", composta por George Harrison, em que lhe acompanham a voz da cantora India Arie e o violoncelo do virtuoso Yo-Yo Ma. Você a concebeu como uma homenagem ao ex-Beatle?

Quis lhe honrar, dar-lhe um abraço completo. Sua viúva, Olivia Harrison, me disse que, ao ouvi-la, começou a brincar, a rir e a chorar ao mesmo tempo, de gosto. Isso para mim foi uma validação suprema.

Você planeja uma segunda recompilação de outras joias musicais?

Tudo depende da acolhida, embora gostaria de gravar outro disco que combine talvez o rock and roll com a música espanhola. Ainda não sei que músicas. Eu gosto do "Concierto de Aranjuez", da elegância, mas também do sabor.

Nesse mercado, você tem que competir com fenômenos como o de Lady Gaga, talvez o envoltório por cima da própria música...

Quando colocamos a nossa luz, brindamos alegria a muitas pessoas, seja Lady Gaga, Britney Spears, Kiss, Alice Cooper... Hoje, mais do que nunca, acredito que tudo tem o seu valor, que à luz de Deus ninguém é melhor do que o outro. Antes, eu era um carvão, pensava com medo, e agora sou um diamante, quero dar uma celebração ao espírito, sem julgar nem condenar. Não tenho nenhuma necessidade de ficar bem com ninguém, mas eu gosto de todas as cores e sabores. E isso me dá variedade: desfruto tocando com Paco de Lucía, mas também com Lady Gaga, se ela me convidar. Para mim, a música é uma forma de comunicar com fidelidade, e por isso posso ir a qualquer parte do mundo e ser aceito como parte da família. Uma coisa é ser popular, e outra diferente é que as pessoas te queiram.

E a que você atribui isso?

À graça de Deus. O melhor desta entrevista é ser capaz de dar glória a Deus. 
A reportagem é de Patricia Tubella, publicada no jornal El País. A tradução é de Moisés Sbardelotto






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