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17/02/2017 | domtotal.com

Alô? Todo mundo vivo?

Segundo o astrônomo Dyomin Damir Zakharovich, o objeto denominado 2016 WF9 iria colidir com a Terra.

Não deixa de ser surpreendente que nosso planeta não passe de um grãozinho minúsculo.
Não deixa de ser surpreendente que nosso planeta não passe de um grãozinho minúsculo. (Reprodução)

Por Fernando Fabbrini*

Calma, calma, respiremos fundo e observemos com calma ao redor. Hoje é sexta-feira, dia 17 de fevereiro de 2017. Caso você tenha acordado, ido ao banheiro como sempre, tomado café, ligado seu computador e esteja agora tranquilamente lendo mais esta edição do DOM Total... Ufa! Alvíssaras! Aleluia! Estamos salvos!

Porque ontem, dia 16, segundo o astrônomo Dyomin Damir Zakharovich, o objeto denominado 2016 WF9 iria colidir com a Terra acabando com tudo e fazendo um barulhão danado. O tal astrônomo, que não é levado muito a sério pelos colegas, informava insistentemente que o objeto – eufemismo para um cacete de um asteroide em louca disparada pelo espaço - deixara o sistema de Nibiru em outubro de 2016, quando o sistema iniciou sua trajetória retrógrada ao redor do Sol.

Dyomin acrescentou que a NASA sabia que a rocha flamejante iria atingir a Terra. “Mas eles só estão informando isso agora", teria dito o cara. "E esse é apenas o precursor do que Nibiru fará quando chegar aqui. A NASA provavelmente sabe qual será a zona de impacto. Eu não. Estamos em perigo", completou o astrônomo russo.

Imaginemos se o russo estivesse certo. E mais: se guiado pela mão do destino, o pedregulho gigantesco acertasse certo prédio de uma capital do hemisfério sul, famosa por abrigar políticos especializados em outra modalidade devastadora da raça: a corrupção. Nada mal, hein? O problema é que na quinta-feira todos os engravatados já teriam embarcados para as bases de origem, ocupados com suas demagogias regulamentares, preparando novos golpes contra os cofres públicos e incluindo vantagens pessoais em cada assinatura de decreto.

Restariam outras alternativas para o alvo perfeito, o impacto benemérito e justiceiro, a vingancinha do espaço contra terráqueos que não merecem o planeta onde vivem. No mar, por exemplo, bem no meio do Atlântico ou do Pacífico, seria ótimo. Tchibum! Provocaria uma onda daquelas, um swell de fazer surfista babar na prancha. Com o tsunami colossal, todo o lixo jogado no mar pelos veranistas subiria à superfície e seria depositado nas lindas praias, de uma vez só. Que beleza! Montes e mais montes de garrafas de plástico, fraldas descartáveis, latinhas de cerveja, sombrinhas, pneus usados, carrinhos de bebê e churrasqueiras enferrujadas tomando o espaço dos banhistas! Hoje – e por mais um ano – acho que não daria praia, brother.

De toda forma, não deixa de ser surpreendente que nosso planeta não passe de um grãozinho minúsculo navegando em meio a bilhões e bilhões de outros corpos celestes. E que nessa jornada infinita tenha sido poupado de maiores colisões, salvo um ou outro cometa que invada nossa camada protetora. E que, em vez de tragédia, nos presenteie com uma chuva prateada riscando o azul do céu noturno.

Sim, claro que existiu aquela trombada fantástica há milhares e milhares de anos, exterminando dinossauros e eventuais antepassados do homo sapiens que circulavam pelas redondezas cavalgando mamutes. Mas dizem que foi uma cacetada universal benéfica; que a partir dessa data as coisas mudaram muito no planeta e o fizeram evoluir. Hum... Pensando bem, se a teoria acima estiver correta, um meteoro bem dirigido, na hora certa e local exato, poderia trazer novos horizonte – ainda que enfumaçados – à Humanidade.  

Portanto, se vier algum, que seja sobretudo um choque de realidade. Os habitantes ingratos e levianos do planeta azul estão mesmo precisando de uma boa sacudida.

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O TEMPO.

EMGE

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