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Brasil Cidades

04/03/2010  |  domtotal.com

Açaí rompe fronteiras e vira celebridade internacional

Para as famílias das regiões produtoras de açaí, no Estado do Pará, a fruta sempre foi uma parte vital de sua alimentação. Agora, o açaí se transformou também em uma fonte de prosperidade econômica para muitas famílias paraenses.

Virtualmente desconhecido fora da região Norte até duas décadas atrás e não exportado até o ano 2000, o açaí agora é uma celebridade internacional. A fruta pegou carona na moda do consumo de antioxidantes e produtos exóticos da floresta tropical, considerados chiques no exterior.

Nos Estados Unidos, empresas se desdobram em elogios aos poderes antioxidantes da fruta brasileira e misturam o açaí a chás, pizzas, granola e vários outros produtos. A fruta também está presente, por exemplo, em suplementos alimentares e até produtos de beleza.

Não existem números exatos de exportação, mas a produção de polpa de açaí tipo exportação no Pará, maior produtor brasileiro, subiu de 380 toneladas cúbicas, em 2000, para 9.400 toneladas no ano passado. Mas, em lugares como Belém e Cametá, cidade paraense de 117 mil habitantes, uma tigela de polpa de açaí é um acompanhamento especialmente valorizado pelas famílias mais pobres.

Diferente da polpa usada em sucos, doces ou geleias, o açaí não é pré-adoçado ou congelado. Ele é consumido fresco, após passar pelos batedores de açaí que removem a polpa do caroço. Quase todo bairro tem barracas ou vendinhas onde a fruta e sua polpa são vendidas.

Fama

A reputação internacional do açaí como energético e suplemento alimentar diverte as pessoas que cresceram comendo a fruta como um acompanhamento bastante calórico.

"Acho engraçado", disse a psicóloga Letícia Galvão, enquanto comia frutos do mar com açaí ao lado do seu marido e sua filha de 1 ano no restaurante Point do Açaí. "Aqui, quando você come açaí, você tira um cochilo. Lá, ele é um energético".

Segundo Letícia, seu irmão, que mora no Paraná, não era fã de açaí quando pequeno. Mas hoje ele pede todo mundo que o visita para levar uma garrafa da fruta.

Embora produtos industrializados de açaí sejam raros no Pará, a fruta é um sabor bastante popular em duas grandes sorveterias de Belém. O açaí com tapioca é outro prato que faz sucesso. As lojas de doce e padarias também vendem balas e tortas de açaí.

Mesmo com o preço sendo impulsionado pelo mercado internacional, os paraenses não deixaram de consumir a fruta. "Quinze anos atrás, o açaí era igual feijão para nós", disse João Manuel, morador de Belém. "Hoje, ele é mais caro que o feijão. Mas a gente come o mesmo tanto".

Puro

A adição de açúcar ao alimento é controverso. Muitos paraenses insistem que o açúcar nunca deve ser colocado no açaí. Para eles, a fruta pura é o ideal e correto. Mas, para consumir açaí sem açúcar, é preciso primeiro se acostumar ao seu sabor exótico.

A textura aveludada das variedades mais fortes é maravilhosa. Entretanto, o gosto se assemelha um pouco ao de terra. Para piorar, a farinha de mandioca que geralmente é misturada para engrossar a polpa tem consistência de areia.

Mas quem usar um pouco de açúcar encontrará um sabor mais fresco e puro do que o do açaí pasteurizado, congelado ou "corrompido" pela influência da banana ou da granola.

Em BH, há quem prefira no almoço

Em Belo Horizonte, o açaí já superou o modismo e virou tradição entre alguns consumidores mais atentos aos cuidados com a saúde. É o caso da turma do professor de judô Sidnei da Silva Moreno, 37, que trabalha na academia Tatame, no bairro Floresta. Três vezes por semana, Sidnei e os outros professores da academia se reúnem para “almoçar” açaí.

“Nós fazemos um estudo sobre judô na parte da manhã e depois disso nos reunimos no almoço para comer açaí. Fico satisfeito o dia todo. Além do sabor, o que me atrai são os benefícios da fruta, que dá muita energia”, conta.

Na lanchonete Açaí Sabor e Energia, também no bairro Floresta, o proprietário Valério Leandro explica que a procura pela fruta cresceu muito nos últimos tempos e que ela está mais cara para as lanchonetes. “Não posso mais fazer promoções, pelo custo mais alto. E o açaí deixou de ser um refresco para se tornar alimento energético. Meus principais clientes são os vegetarianos, os naturalistas e o pessoal das academias”.

Demanda elevou os preços

Enquanto o açaí é consumido de forma pura na região amazônica, o aumento da demanda no mundo elevou os preços e melhorou a vida de pessoas como Orisvaldo de Souza, 53, seu irmão mais novo e seus pais.

A família Souza mora em uma casa de bairro na ilha de Itanduba, localizada a uma hora de barco do centro de Cametá. Como outras famílias que moram às margens dos rios, os Souzas ganham a vida com a colheita das frutas dos seus 8.000 açaizeiros.

“Dois ou três anos atrás, tínhamos muito problema para vender o produto”, disse Orisvaldo. “A gente tinha que trazer para a cidade e, às vezes, voltava para casa sem vender”.

Naquela época, disse ele, uma lata de 15 litros de açaí era vendida a R$ 2 ou R$ 3. Hoje, porém, os agricultores nem precisam levar a colheita até a cidade. Os compradores agora sobem o rio em seus barcos oferecendo R$ 10 ou mais por uma lata.

“Só ontem, apareceram uns seis compradores”, disse Orisvaldo. “Vendemos dez latas para dois deles”.

Parte da colheita, antigamente, seria destinada ao consumo local. Mas, cada vez mais, o açaí tem sido embarcado em caminhões que percorrem estradas de terra esburacadas ou em balsas que vão até fábricas de processamento próximas a Belém, que fica a seis horas de Cametá. De lá, pacotes congelados de polpa pré-adocicada – nem a fruta nem sua polpa fresca duram muito tempo – são enviados para todo o Brasil e para vários países do mundo.

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