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Ainda há tempo de salvar a Seleção?
![]() Neymar mostrou mais uma vez, contra o México, que é jogador de clube, não de Seleção (Foto: ) |
Por Carlos Eduardo Leão*
Não seja por isso, caro Pep Guardiola. Tenho a impressão de que a avenida Delfim Moreira, um dos endereços mais bonitos, charmosos e aristocráticos do mundo, cairia como uma luva na sua única exigência - morar no Rio - caso fosse convidado para assumir o cargo mais importante do país - técnico da Seleção Brasileira -, notícia veiculada nos principais órgãos de comunicação do mundo.
Depois do que assistimos entre Brasil e México, num fim de domingo insosso, nada seria mais providencial do que se tomar uma atitude firme. Convocar o Exército, instalar uma CPI, decretar prisões, mudar a Constituição, incentivar passeatas, evocar orixás, apelar para rezas ecumênicas, enfim, tudo aquilo que pudesse chamar atenção para um movimento patriótico insuflado com a precípua finalidade de, numa só vez, substituirmos Mano Menezes e Galvão Bueno. Panelaços, definitivamente não. Isso é coisa de argentino e, até agora, não resolveram nada nas terras de Gardel.
Mano teve dois anos, convocou mais de cem jogadores, viajou por quatro continentes e não ganhou nada importante. Perder faz parte do jogo, principalmente quando se inicia uma programação a longo prazo. O que preocupa é que estamos no meio do caminho para a Copa do Mundo e não temos nenhum padrão. Longe disso. Nenhum esquema, nenhuma tática. Nada daquilo que nos transformou nos maiores vencedores de futebol em todos os tempos.
As olimpíadas estão a menos de dois meses e o time olímpico, hoje sob nova direção, não existe. Existia e era uma esperança sob a batuta do excelente Nei Franco, jogado propositadamente para escanteio pela vaidade torpe de Mano Menezes que vislumbra a possibilidade de dar ao Brasil o único título que falta à nossa invejável coleção de glórias conquistadas no futebol: o galardão olímpico. Com esse time, é, no mínimo, uma pretensão utópica.
Insisto na palpável, verdadeira e, sobretudo, necessária possibilidade de contarmos com alguém em que acreditamos, respeitamos e admiramos nesse momento mágico em que vive a arte da bola. Refiro-me a Pep Guardiola. Por que não? Talvez seja ele o mais indicado treinador para transformar Neymar, um excepcional jogador de clube, num excepcional jogador de Seleção e, a partir daí, dar ao nosso time o padrão de jogo que nos reposicione corretamente no ranking do futebol mundial. Pep não se curvaria às pressões dos clubes, muito menos à interferência da cartolagem, a mais nociva praga arraigada no futebol brasileiro. E esta foi a primeiríssima fórmula, simples e eficaz, que Pep utilizou para começar a transformar o Barcelona no maior fenômeno futebolístico do planeta.
A esperança existe. A fé é viva. Deus é pai. São frases que evocamos para trazer Pep Guardiola e salvar a Seleção da mediocridade a que já está se acostumando. Afinal depois do que vimos no fim de semana entre Brasil e México, que fiasco podemos esperar sábado que vem, contra a Argentina?
Quanto ao Galvão Bueno, juro que sentirei falta da sua competência como narrador após a já anunciada aposentadoria no futebol ao final da Copa do Mundo. Mas, com certeza, estarei livre do seu insuportável ufanismo e descompromisso com o óbvio, revelado pelos elogios encomendados e comentários comprometidos, numa demonstração inequívoca de que acha que narra para beócios e lesados.
*Carlos Eduardo Leão é médico e cronista
Leia também: A seleção, o Brasileirão e a Mega-Sena do futebol
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Comentários
A idéia para trazer o Pep é muito boa. Porque não? Qto ao Galvão, realmente ninguém mais merece. Poderia antecipar sua aposentadoria para o final das olimpíadas. Seria um favor para nossos ouvidos. Abraços. Aguardamos os comentários para a vinda do Ronaldinho Gaúcho para o Galo. Será que emplaca? Seria convocado pelo Pep?
Nem sabia que o Brasil estava jogando- dado ao entusiasmo q a seleção está despertando. Dá pra fazer uma cronica do Ronaldinho Gaucho?
O artigo está muito bom. Mas achei uma infelicidade danada a legenda colocada na foto. Neymar nem foi testado direito na seleção, como pode ser jogador só de clube??? Essa afirmação podemos fazer do Messi, que defende a seleção argentina há vários anos e nunca ganhou nenhum título.