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Como agiam os principais acusados no mensalão, segundo a PGR
Por Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA - No segundo dia de julgamento do escândalo que ficou conhecido como mensalão, suposto esquema de compra de apoio político ao governo no Congresso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou estar "convencido" pelas provas da existência do esquema.
Confira, a seguir, como teriam participado do suposto esquema alguns dos 38 réus, segundo a PGR. Gurgel pediu a condenação de 36 deles, livrando Luiz Gushiken, ex-ministro da Secretaria de Comunicação no governo Lula, e Antônio Lamas, ex-assessor do PL.
José Dirceu
-- Ex-ministro da Casa Civil, Dirceu teria comandado o esquema para a compra votos no Congresso a favor de projetos de interesse do governo. Para o procurador, Dirceu foi a "principal figura" e "mentor" do arranjo. Segundo Gurgel, o ex-ministro não só sabia da suposta cooptação de parlamentares, como também teria ciência da origem do dinheiro usado para a compra dos votos.
José Genoino
-- De acordo com a acusação, Genoino, que presidia o PT quando o suposto negócio ilegal era operado, teria contribuído "decisivamente" para a obtenção dos recursos que teriam sido usados para a compra de apoio parlamentar ao governo. O dirigente petista teria avalizado os supostos falsos empréstimos feitos junto ao Banco Rural e ao BMG. Os recursos teriam sido utilizados para a compra de apoio.
Delúbio Soares
-- O procurador-geral afirma que Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, fez parte do "grupo criminoso" e teria sido o "principal elo" entre o núcleo político (do qual fariam parte José Dirceu e José Genoino) e o núcleo operacional (que seria liderado pelo publicitário Marcos Valério, também réu na ação).
Marcos Valério
-- A acusação considera o publicitário como o principal operador do esquema que eclodiu em 2005, ainda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de supostamente ter oferecido a estrutura de suas empresas para colocar o esquema em prática, Valério também teria possibilitado o aporte de recursos, uma vez que mantinha contatos com dirigentes do Banco Rural e BMG. Para Gurgel, Valério teria operado o esquema de lavagem de dinheiro que seria entregue a parlamentares.
Outros acusados
-- O procurador-geral afirma que os sócios de Marcos Valério também teriam colaborado com o esquema.
-- Sobre alguns dos dirigentes do Banco Rural, citado como "peça-chave" no esquema, Gurgel afirmou que teriam agido para servir a "propósitos ilícitos da quadrilha".
-- A PGR afirma ainda que os parlamentares cooptados teriam recebido dinheiro em espécie e, às vezes, por meio de assessores e outras pessoas, justamente para evitar que fossem responsabilizados criminalmente.
-- A acusação aponta que dirigentes e líderes partidários, como o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e o ex-presidente do extinto PL Valdemar Costa Neto teriam recebido dinheiro no esquema. Deputados do PMDB e do PT também foram apontados como beneficiários do arranjo.
-- Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato também foi citado por Gurgel. Pizzolato foi acusado de ter desviado recursos em favor de Marcos Valério.
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